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Colunistas ||| A Lei de Murphy e as Finanças

Voltar à Home ||| 21/02/2011 - Enviar para o Twitter!



Você deve estar se perguntando: qual a relação entre a Lei de Murphy e as finanças. Primeiramente, Edward Alvar Murphy Jr. (1918 – 1990) merece todo crédito e respeito pela sua lei visto que foi “sua primeira vítima”. Murphy, engenheiro aeroespacial norte-americano, em 1949 participou de um projeto no qual os oficiais conduziram os testes para determinar o quanto um ser humano poderia resistir à força da gravidade. Para isso, Murphy levou um conjunto de sensores capazes de medir a quantidade exata de força, tornando os dados mais confiáveis. Na hora dos testes ocorreu uma “pane” e o aparelho não funcionou. Ao inspecioná-lo, Murphy descobriu que seu assistente havia invertido a conexão de todos os sensores. Foi então que ele exclamou: “se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará”.

Da mesma forma, a Lei de Murphy atua continuamente em nossas finanças. “Se alguma dívida (inesperada) pode aparecer, ela aparecerá da pior forma possível e no pior momento”. Você, com certeza, já passou por uma situação semelhante a esta. Uma multa que apareceu quando a “grana” do mês já tinha acabado; o carro que chegou da revisão e, de uma hora para outra, parou de funcionar; um acidente de trânsito não grave o suficiente para acionar o seguro, e nem leve o suficiente para não precisar de um reparo; um problema na parte elétrica da casa que fez você chamar urgentemente um eletricista; uma enfermidade que você pensava ser passageira deixou um rombo no seu orçamento com a quantidade de remédios que teve de comprar; e tantas outras situações. Enfim, ninguém está livre desses “casos e acasos”, o que remete a importância do meu primeiro post e o tema deste artigo: Reserva de Emergência.

O tema é tão relevante e tão extenso que seria possível escrever um livro. Fazer uma reserva de emergência não só é sinal de inteligência como também de prudência. Como o próprio nome já diz a emergência não manda recados, é algo inesperado, imprevisto ao qual você não se preparou e não conseguiu evitar. Contudo, constituindo uma reserva de emergência, você poderá minimizar o impacto que este incidente, ou acidente, poderá causar.

Quando qualquer imprevisto acontece, a primeira atitude, de uma forma geral, é recorrer ao cheque especial. É fácil, prático e rápido, certo? Errado. Este dinheiro não é seu, e esta falta de planejamento financeiro terá um alto preço. Não há milagres no mundo financeiro, quanto mais fácil o crédito, mais caro será o débito, ou seja, quanto mais fácil e rápido este dinheiro estiver disponível a você, maior será a carga de juros que você pagará. As instituições financeiras torcem para que isso aconteça no pior momento e na pior hora possível. A urgência nos faz aceitar qualquer proposta, desde que o valor das parcelas, independente de suas quantidades, seja condizente com nosso orçamento. A reserva de emergência é o primeiro passo para quem quer tomar as rédeas de sua vida financeira.

Constituir uma reserva de emergência é bem mais fácil do que se parece. Independe da renda mensal, a reserva de emergência sempre deve existir, pois uma verdade é universal: “não importa qual será o acontecido, a emergência sempre será maior do que o valor que você tem na carteira”.

O primeiro passo para esta decisão será definir o montante a ser constituído. Alguns especialistas defendem a ideia de constituição equivalente ao salário de 2 meses. Outros, mais conservadores, defendem um valor equivalente a 6 meses de salário. Pessoalmente, pequenas metas em curto prazo são bem mais fáceis de conquistar, especialmente para iniciantes. Comece com uma meta de reservar um mês de salário, sem pressa e sem grandes sacrifícios. Se for muito difícil para você, poderá ir até a sua instituição financeira e solicitar que o valor seja debitado diretamente da sua conta-corrente, ou conta salário, para uma conta de investimento. Você se surpreenderá quando o dinheiro aparecer mês a mês.

Segundo passo: uma reserva de emergência não deve significar privações. A renda a ser reservada deve ser significativa, porém não deverá quebrar a rotina financeira, ou seja, deixar de comprar algo, privar-se de um lazer ou até atrasar dívidas em prol da reserva de emergência poderá trazer frustrações, seguido de uma desistência por ter o dinheiro e não realizar um desejo. A reserva de emergência geralmente é constituída por aquele valor financeiro que saiu do seu bolso sem você saber como, quando e onde o valor foi gasto. Comece com pequenos valores, 5% ou 10% de sua renda é suficiente para os iniciantes. Estabeleça um percentual fixo sobre a renda, e não um valor, assim o seu depósito mensal ira aumentar de acordo com seu desenvolvimento profissional.

Terceiro passo: reserva de emergência não é investimento. O valor depositado mensalmente pode estar em alguma aplicação, mas deve estar disponível para saque de uma forma facilitada, tanto quanto foi para depositá-lo. A poupança, apesar de baixos rendimentos, possui uma enorme facilidade para saque. Há rendimentos de renda fixa que também proporcionam uma carência de poucos dias para saque, entretanto a sua emergência poderá ser em dias, ou em horas, por isso, escolha sempre o mais fácil. Você já terá um fato imprevisto para se preocupar, o saque da reserva de emergência não deverá ser outro problema.

Quarto e último passo: reserva de emergência é para emergências. Apesar da redundância, é importante ressaltar que liquidações, promoções, lazer, churrasco no final de semana ou comemoração de uma data especial, não são emergências. Fatos como estes já são conhecidos e rotineiros. A reserva deve ser utilizada em um ocorrido que você não tem controle e não pode evitar. Será como um plano de saúde ou seguro de um carro. Você faz para se prevenir, mas devido à origem da necessidade, espera nunca precisar usar.

Iniciar uma reserva de emergência é o primeiro passo para administrar suas finanças. A reserva te proporcionará um fôlego, certa calmaria mediante a tempestade e, com certeza, a frase que virá a sua cabeça quando necessitar será: “ainda bem que tive o bom senso de estar preparado”.

Quando você constituir uma reserva de emergência, saiba que estará a vários passos de muita gente. A maioria não se prepara para um imprevisto, e isso é visível quando vemos os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, divulgado no início de 2010, mencionando que em cada 10 famílias entrevistadas, 06 estão endividadas. Na pesquisa 22% afirmaram que possuem contas atrasadas e 8% disseram que não terão como quitar suas dívidas. Não faça parte desta estatística. Quando você constituir uma reserva de emergência, estará pronto para o próximo passo: constituir uma reserva para investimentos.

Silvia Soares é graduando no curso de MBA em Gestão Empresarial, Pós Graduada em Controladoria e Finanças e Graduada em Ciências Contábeis. Atua como Analista de Gestão na maior empresa de saneamento da América Latina. Com experiência prática e acadêmica em finanças de negócios, finanças corporativas, controladoria, empreendedorismo e economia doméstica; utiliza suas experiências empresariais no ramo de Administração e Contabilidade para auxiliar a melhor maneira de dispor os recursos financeiros com a proposta de promover novas perspectivas e alternativas financeiras.







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13 comentários para “Colunistas ||| A Lei de Murphy e as Finanças”

  1. Zé da Silva disse:

    Amigos, deem as boas vindas à Silvia Soares, a mais nova colunista do Clube do Pai Rico ! :)

  2. General disse:

    Seja bem-vinda Silvia :)
    Excelente texto, realmente devemos estar preparados para os imprevistos, eu fiz meu colchão de segurança prevendo 6 meses de gastos. Inclusive dei uma passada no seu site e ele aborda temas interessantes, li algumas histórias do pessoal que conseguiu barganhar descontos altos e acho que deveria escrever sobre isso aqui depois, essas táticas de barganha são minha ruína, eu sempre fico fascinado com as abordagens dos vendedores e eventualmente caiu em alguma armadilha, rs.

    Abraço!

  3. sbcverto disse:

    Os textos das silvia, no forum, realmente sao muito bons e elucidativos. Seja muito bem vinda!

    Sobre o texto: O unico ponto que lanço o debate seria no trecho “Iniciar uma reserva de emergência é o primeiro passo para administrar suas finanças”.

    Acredito eu que o primeiro passo seja fazer o controle de fluxo de caixa (controle financeiro) afim de que de fato, a reserva de emergencia seja uma das metas/objetivos do controle. Até pq, pra quem está individade, necessita do controle financeiro, tanto para quitar a divida quanto para iniciar a reserva de emergencia.

    @Zé da Silva:
    Muito bem lembrado, realmente o controle do fluxo de caixa é um item de suma importância na administração de nossas finanças.

  4. Seja bem vinda Silvia =)

    Ótimo Texto!

  5. Alcimar disse:

    Ótimo texto, conheço lei de Murph na pele, não tinha reserva de emergência, meu dinheiro estava aplicado em prata, dai bati com o carro do meu pai, gastei muito dinheiro pois ele não tinha seguro, quando consegui pagar as dividas do da mauteção do carro, bateram no meu carro e fugiram, por “sorte” eu estava pra receber dividendos da empresa em que trabalho, isso aconteceu em 2 meses, e até então não tinha seguro também. Não posso ficar contando com a sorte, pois ela dificilmente vai estar la quando preciso. Agora sempre deixo uma grana extra na poupança pra coisas inesperadas como essa, e fiz um seguro tbm.

  6. James Nascimento disse:

    Bem vinda Silvia!!!

  7. Bene disse:

    Olá Silvia

    Interessante a associação feita entre A Lei de Murphy e as Finanças , e o pior que esta situação ocorre a todo momento e devemos estar preparados.

    Parabéns.

  8. nome disse:

    Não concordo com o texto em alguns aspectos, primeiro, só se deve realizar uma reserva de segurança que invista a longo prazo (não day trade e nem swing trade programado com stops), pois estes tipos de traders, ao meu ver, não necessitam de um dinheiro de segurança já que o dinheiro dos trades estão bem controlados e fáceis de serem retirados a qualquer momento sem quase nenhuma perda (ou as vezes até com ganho), por conta dos stops: day traders e swing traders, ao meu ver não tem esse tipo de necessidade, mas isso nunca é mencionado quando fala-se sobre tal reserva de segurança. Prestem mais atenção nisso.

    Segundo, não é que seja o equivalente ao salário mensal, e sim que seja equivalente ao GASTO MENSAL.

    @Zé da Silva:
    Mas o foco da Silvia não foi o investidor, e sim a pessoa comum. :)

    De um investidor já esperamos que tenho o seu colchão de segurança formado. ;)
    (não importando se é daytrader ou B&H)

  9. silvia.soares disse:

    Obrigada por todas as contribuições. E ótima observação do Zé. Dos especialistas já é esperado que se tenha uma boa adminstração financeira, inclusive com colchão de segurança. Fora do universo financeiro, as pessoas tem dificuldades com nossa linguagem e conceitos. Por isso a comparação com termos conhecidos e familiares. Alguns leitores entenderão tudo que falarmos, outros terão dúvidas. Temos que ter em mente que no universo da internet sempre haverá um público buscando aprendizado em diferentes escalas do conhecimento, mas não menos valorizadas.

    @Zé da Silva:
    Como já dizia o mestre: “Isso, isso, isso !” – Chaves ;)

  10. JAIR GALHARDO disse:

    Silvia: Seja muito bem-vinda e parabéns pelo post. Adorei o post, uma linguagem simples e que manda o recado para quem está engatinhando no “mundo” da educação financeira.

    A reserva deve sim existir seja cobrir imprevistos, seja para o colchão de segurança nos investimentos, seja para um inicio de empreendimento. Quanto ao controle de caixa mencionado pelo amigo sbcverto creio que seja um fluxo antes (como mencionaste), durante (como a própria Silvia colocou …5%, 10% do depósito da renda) e após a reserva formada (diria o “diploma” da educação financeira), pois o aprendizado rendeu uma confortável zona de segurança e fluidez.

  11. Vinicius Magrin disse:

    hehe
    eu nao gostava muito da ideia de ter uma resrva..
    mas dai fui conversando com o pessoal no forum e fiquei convencido.

    ontem mesmo precisei usar, pois ia cair uns cheques, tinha outros pra entrar, mas nao estavam liberados..

    enfim, joguei o crdito na c/c por precaucao e hj ou amanha ele volta pro colchao.

  12. silvia.soares disse:

    Jair, excelente argumentação. Gostei muito da sua contribuição. Este é o foco, esclarecimentos em uma linguagem simples para quem está iniciando.

  13. nome disse:

    Zé, você não acha que deveria então criar seções, ou alguma marcação no título do post que diga a seção a que se refere, dizendo se é coisa básica, intermediária ou mais avançada, ou, até mesmo, sobre o que esta realmente falando o texto?
    O conteúdo do blog tá ficando muito “bagunçado”, não sabendo eu ao iniciar a leitura do texto se é para iniciantes ou para gente já com algum conhecimento. Desta forma, não precisa ler o texto inteiro a toa…

    @Zé da Silva:
    Putz … acho que isso é complicado … primeiro, quem decidirá o que é básico, avançado ou intermediário ? Pode ser que eu considere como sendo uma coisa e vocês outra …

    Além disso, eu gosto de ler tudo, do mais básico ao mais avançado. Sempre tem alguma coisa para se aprender, por mais simples que seja. :)

    Agora … “ler a toa” … meio forte demais, não acha ? Se é tão básico, mas tão básico assim … porque não complementar o que foi dito aqui nos comentários, para as pessoas que não acharam tão básico assim … ?

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