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Petrobras corta pesado, mas a conta ainda não fecha

Texto publicado no site VEJA Mercados e que considerei importante/interessante/coerente. As contas podem ser por cima, arredondadas, aproximadas, mas a lógica por trás do que é apresentado tem validade. Como ele disse, pode parecer um pouco longo … mas vale a pena. 🙂

Petrobras corta pesado, mas a conta ainda não fecha

Ficou assim.

A Petrobras cortou seu plano de investimento para 2015-2019 em 37%, para 130,3 bilhões de dólares.

Como vai investir menos — porque seu balanço não suportaria tomar mais dívida — a Petrobras avisou aos investidores que, em vez de chegar em 2020 produzindo 4,2 milhões de barris por dia, estará produzindo apenas 2,8 milhões de barris/dia naquele ano.

(A produção estimada para 2015 é 2,1 milhões de barris por dia.)

Este novo plano de investimento da Petrobras — o menor desde 2008, e o primeiro desenhado sem a euforia do petróleo a 100 dólares — deve garantir que a cadeia de fornecedores da Petrobras continue onde está: na lona.

E infelizmente, apesar de tudo isso, a conta ainda não fecha.

Se você tiver paciência, vamos aos números.

Com o petróleo e o câmbio nos níveis atuais, a Petrobras deve ter uma geração de caixa anual — o chamado EBITDA — entre 50 e 60 bilhões de reais.

Aí vem o Imposto de Renda, pega a sua parte, e deixa a empresa com 45-50 bilhões de reais.

Como a dívida total da Petrobras está em cerca de 400 bilhões de reais, essa dívida gera uma despesa com juros de cerca de 35-40 bilhões de reais/ano.

Subtraindo-se esta despesa com juros daqueles 45-50 bilhões anteriores, sobra na mão da Petrobras um ‘fluxo de caixa livre’ de 10 a 15 bilhões de reais.

Este é o dinheiro que ela tem para fazer investimentos e pagar dividendos.

Bom, vejamos os investimentos agora. O investimento da Petrobras não é linear — não é igual a cada ano — mas, apenas para facilitar os cálculos, vamos admitir que seja. Depois do corte de 37% anunciado ontem, a Petrobras disse que vai investir 130 bilhões de dólares ao longo dos próximos cinco anos. A um câmbio médio de 3,30 no decorrer do período, isso dá 430 bilhões de reais, ou… 85 bilhões de reais/ano.

Mas como vimos anteriormente, a Petrobras gera um caixa livre de “apenas” 10-15 bilhões de reais por ano. Como, então, poderá investir 85 bilhões/ano?

Faltam aí, na melhor hipótese, 70 bilhões de reais por ano. Onde arranjar esse dinheiro?

Há, em tese, três alternativas para se financiar esse buraco.

A primeira é levantar mais dívida, e o problema aqui é que a Petrobras já é uma das empresas mais endividadas do mundo.

A segunda é levantar dinheiro emitindo novas ações. O problema é que isso diluiria o Estado brasileiro, que controla a Petrobras, e constrangeria o Governo, que em 2010 ‘vendeu’ um mega aumento de capital na empresa como o melhor negócio do mundo. A Presidente Dilma e o CEO da empresa, Aldemir Bendine, vivem dizendo que esta alternativa está fora de cogitação.

Resta, então, vender ativos, exatamente o que Bendine se propõe a fazer.

O problema é que, para a conta fechar, Bendine disse que a Petrobras vai levantar 15,1 bilhões de dólares (entre 2015 e 2016) e mais 42,6 bilhões de dólares (2017-2018) com a venda de ativos.

A soma de todas essas vendas dá 57,7 bilhões de dólares — ou, num câmbio médio de 3,30 reais, 190 bilhões de reais. (Dividindo esse valor pelos próximos cinco anos, isso daria 38 bilhões de reais por ano.)

Ou seja, mesmo se a venda de ativos for um sucesso, ela cobre pouco mais de metade daquele buraco de 70 bilhões que mostramos ali em cima.

Para se ter uma ideia de quão agressivo é este número — ainda mais levando em conta que a Petrobras não pretende vender o controle da BR Distribuidora, seu ativo mais redondo — este valor que Bendine promete vender é um pouco maior do que o valor de mercado da empresa hoje, de 176 bilhões de reais. (O que é isso, companheiro? Privatização branca?)

Como a Petrobras simplesmente não tem tradição de vender ativos, e como o mar não está para peixe, a Petrobras precisará de sorte e engenho. E mesmo assim, a conta não fecha.

O que este exercício matemático demonstra é simples: o câncer da Petrobras não é seu nível de investimento, e sim o tamanho de sua dívida. Enquanto empresas do setor como Exxon, Chevron e Shell devem, em média, 0,5 (zero vírgula cinco) vez a sua geração de caixa (EBITDA), na Petrobras este indicador ultrapassa cinco vezes seu EBITDA — ou seja, é dez vezes maior.

***

Curiosamente, depois de laborar furiosamente para chegar a este corte espinhoso em seu plano de investimento, a direção da Petrobras achou melhor não fazer uma conferência com os analistas de mercado ontem, e sim dar uma entrevista aos jornalistas que cobrem a empresa. Nenhuma conferência com analistas está marcada para esta terça.

A única conclusão possível é que a empresa está mais preocupada em administrar as manchetes do que em explicar aos investidores a matemática e a lógica por trás de seu plano estratégico.

Por Geraldo Samor

Uma dúvida que levantei ontem foi: esta atualização do plano de investimentos da empresa, não foi somente uma atualização do câmbio ? O gasto em reais ficou “muito próximo” do valor anterior …

Dívida externa deve superar reservas pela 1ª vez desde 2007

Você está lembrado quando falei aqui no Clube sobre as perdas que uma posição tão grande a título de “reserva” era ruim para o país ? Muitos me xingaram por não concordar com os pontos levantados por mim. E olha que naquele momento as reservas eram de R$300 bilhões (em 2011) … Hoje estamos com aproximadamente U$370 bilhões.

Apontei os custos e perdas de carregar tal posição, e hoje fiquei ainda mais certo de discordar dessa estratégia:

Dívida externa deve superar reservas pela 1ª vez desde 2007

Pela primeira vez desde 2007, a dívida externa brasileira poderá superar as reservas internacionais do País. Um boletim do banco Credit Suisse indica que a projeção para as reservas neste ano é de US$ 367 bilhões, e para a dívida, de US$ 368 bilhões. Nos últimos anos, a dívida externa brasileira tem avançado mais pela tomada de empréstimo das empresas. Em 2002, o montante devido pelas diferentes esferas de governos (US$ 110 bilhões) e pelas companhias (US$ 100 bilhões) era praticamente o mesmo. Neste ano, essa relação será de US$ 95 bilhões e US$ 273 bilhões, respectivamente.

O avanço da dívida privada pode ser explicado em parte pelo fato de o custo de captação para as grandes empresas ser mais vantajoso no exterior em alguns casos. “Um outro aspecto importante é o acesso às linhas de mais longo prazo obtidas apenas no exterior”, diz Otto Nogami, professor do Insper.

Setor público
Já o aumento da dívida externa do setor público – embora tenha variado pouco – pode ser explicado pelos empréstimos tomados pelos governos em organismos multilaterais como Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o financiamento de obras.

Na avaliação de Nogami, o ajuste fiscal em andamento pode levar o setor público a buscar mais recursos nessas instituições. “Como a necessidade de obras de infraestrutura se tornam maiores, a tomada de recursos via esses organismos pode ser uma das únicas alternativas para os governos executarem os projetos”, afirma.

Para 2016, o Credit Suisse estima as reservas em US$ 372 bilhões, e a dívida externa, em US$ 393 bilhões, sendo US$ 100 bilhões do setor público e US$ 293 bilhões do setor privado.

Confiança
Em anos anteriores, o Brasil conseguiu manter uma relação positiva entre as reservas internacionais e a dívida externa por causa da forte entrada recursos. Com a adoção do chamado tripé macroeconômico (câmbio flutuante, metas de inflação e superávit primário) no segundo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a manutenção dessa política na gestão Luiz Inácio Lula da Silva, a economia brasileira ganhou credibilidade e passou a atrair recursos para o investimento no mercado de ações, em títulos públicos e privados, além, evidentemente, da taxa de juros elevada, que atrai o investidor de fora.

Essa confiança na economia brasileira ficou clara na disparada das reservas. Em 2002, por exemplo, elas somavam US$ 18 bilhões. Esse valor subiu para US$ 180 bilhões em 2007. Nos últimos anos, as reservas internacionais têm se mantido estáveis em US$ 370 bilhões.

“Em 2005 e 2006, no mercado internacional, a avaliação já era de que a economia brasileira poderia ser considerada como grau de investimento independentemente das agências de risco”, afirma Simão Silber, professor do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP) – a economia brasileira só foi elevada a grau de investimento em abril de 2008 pela Standard & Poor’s. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comparem o custo de captação com a rentabilidade de manter esta grana em títulos do tesouro americano …

ps: sim, eu sei que o maior aumento veio na ponta privada da coisa. Só me pergunto se a Petrobras entra no lado das empresas privadas ou como dívida estatal … pois ela trabalha – literalmente – nas duas pontas.

Plano da Petrobras prevê corte de até 40% nos investimentos até 2019

Notícia fresquinha que acaba de pular aqui na minha tela:

Plano da Petrobras prevê corte de até 40% nos investimentos até 2019

O corte no plano de investimentos da Petrobras para o período de 2015 a 2019 ficará próximo a 40%, com o novo orçamento em torno dos US$ 130 bilhões, apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. No ano passado, quando a empresa ainda era presidida por Graça Foster, a meta de investimento era de US$ 220,4 bilhões em cinco anos. Mas, diante das dificuldades financeiras da petroleira, a nova gestão preferiu adotar uma redução drástica do orçamento, em linha com o que espera o mercado.
A proposta será analisada pelo conselho de administração na sexta-feira, mas é possível que o colegiado não chegue a uma conclusão e a divulgação do valor seja adiada. Os membros do colegiado podem precisar de mais de um encontro para chegar a um número definitivo.

“Um corte de 30% a 40% ajudaria a empresa a melhorar a situação financeira com impacto de curto prazo. Seria a principal sinalização para retomar a credibilidade, já que um corte menor traria impacto sobre o rating (classificação de risco) da companhia. Com menos investimento, a empresa reduz também o potencial de receitas futuras”, avaliou Walter de Vitto, da consultoria Tendências.

Apesar dos conselheiros indicados pela União conseguirem aprovar sozinhos o plano de negócios, o projeto encontra resistência entre os sindicalistas representantes dos trabalhadores, que ameaçam entrar em greve e interromper a produção, caso os cortes e a venda de ativos sejam tão grandes a ponto de configurar o que, segundo eles, seria uma “privatização disfarçada” da empresa. A decisão será tomada hoje, em reunião na sede da CUT, no Rio.

Argumentação

Na tentativa de vencer a resistência, a diretoria da petroleira iniciou, na semana passada, uma série de encontros com sindicatos para argumentar sobre a necessidade dos cortes, incluindo o de pessoal, que deve atingir principalmente os terceirizados. O argumento é que falta dinheiro e não há saída senão encolher a Petrobras. A empresa deixará de ser uma empresa de energia, integrada, com atuação do poço ao posto, para se tornar uma companhia, prioritariamente, de exploração e produção de petróleo e gás natural.

Nas conversas, executivos da petroleira insistem com os sindicalistas em que, nos últimos anos, os ganhos da Petrobras vieram com o crescimento da dívida. Por isso, a ordem agora é cortar o mal pela raiz e fortalecer o caixa, para que, nos próximos dois ou três anos, a estatal volte a ter recursos para ampliar os investimentos.

O plano de negócios traz projeções pessimistas para o dólar e para a cotação internacional do petróleo, que só dificultam a execução dos projetos da empresa. Quanto mais valiosa a moeda americana em relação ao real, mais a empresa gasta para importar combustíveis. Ao mesmo tempo, quanto menor o preço do barril, menos valem os ativos da companhia.

Daqui para a frente, a Petrobras vai focar na atividade de exploração e produção e abandonará projetos dos segmentos de abastecimento. Algumas áreas de exploração e produção também serão oferecidas ao mercado. A estatal se voltará para o pré-sal, onde o custo de extração é hoje inferior ao de outras reservas e, por isso, é mais rentável, mesmo em períodos de baixa cotação do petróleo.

Por enquanto, não há perspectiva de o projeto de lei do senador José Serra (PSDB-SP) – que prevê mudanças na Lei da Partilha – ter grande efeito no plano de negócios da empresa. Qualquer mudança na legislação pesará sobre projetos que estão por vir e ainda não estão no radar de investimentos. Hoje, a lei obriga a estatal a participar em pelo menos 30% de todo investimento no pré-sal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A minha dúvida (que já foi lançada lá no twitter) é: a situação do país já está complicada … Se a empresa que mais investe no Brasil cortar seus investimentos em 40%, como ficarão as coisas ?

O governo “deixará” isso acontecer para agradar o mercado ? Ainda: se errarem na dose, uma coisa “boa” (pois se investir menos precisará se endividar menos, quem sabe até reduzindo um pouco o elevado nível de endividamento atual) poderá afundar ainda mais a empresa … 😯

O que você acha ?

Petrobras pode não distribuir dividendos em 2015 …

A notícia ainda tem carácter especulatório … mas me parece que é bem plausível.

É o tipo de informação que precisa ser conhecida para que o investidor possa se preparar para os possíveis cenários pós confirmação (ou negação) do fato.

Como isso afetaria a cotação das ações ? O que você acha ?

Acionistas da Petrobras devem ficar sem dividendos

Rio – O lançamento de perdas nos balanços dos terceiro e quarto trimestres da Petrobras deve zerar o lucro da companhia em 2014 e impedir que a estatal pague dividendos sobre o resultado do ano passado aos acionistas.

No balanço, que será publicado na próxima quarta-feira, serão registradas perdas referentes à reavaliação de seus ativos (imparidade) e também prejuízos decorrentes de corrupção, calculados no cruzamento de dados judiciais da Operação Lava Jato com os arquivos de transações comerciais da companhia.

Depois de seis sessões seguidas de alta, as ações da Petrobras fecharam nesta quinta-feira, 16, em queda acentuada depois da informação de que a estatal não deve mesmo distribuir dividendos referentes a 2014.

A informação foi antecipada pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Os papéis preferenciais da estatal, os mais negociados e sem direito a voto, caíram 3%; os ordinários, com direito a voto, recuaram 1,86%.

O jornal “O Estado de S. Paulo” apurou com fontes que acompanharam os trabalhos de adequação dos balanços que, sem o registro das perdas, a estatal registraria em 2014 lucro ligeiramente menor aos R$ 23,6 bilhões registrados em 2013.

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Justiça nega pedido de devolução da área do Aeroporto de Guarulhos à família Guinle

Lembra daquela ação movida pela família Guinle, contra o governo federal, na tentativa de reaver o terreno onde foi construído o Aeroporto de Guarulhos ? Saiu o veredito:

A Justiça confirmou a impossibilidade de revogar a doação, feita em 1940 à União, de terreno de 9.720.582,65m² que hoje abriga o Aeroporto Internacional de Guarulhos/São Paulo. A ação foi movida pela família Guinle.

A Justiça afastou o pedido devido à prescrição no caso e à impossibilidade jurídica da questão, uma vez que as doações são negócios jurídicos personalíssimos e os direitos decorrentes delas não podem ser transferidos a terceiros.

Segundo os argumentos dos advogados públicos, os autores não poderiam pleitear a revogação de doação feita por pessoa jurídica (Empreza Agrícola Mavillis Ltda), pois eles seriam apenas sucessores dos sócios da empresa.

De acordo com a Advocacia-Geral, “não é compatível com o Código Civil de 1916, que os sucessores de pessoa jurídica (cujos direitos decorrentes da incorporação, fusão, dissolução são exclusivamente patrimoniais) possam revogar encargo de doação, ainda mais se estabelecido em prol do interesse geral. No caso, apenas poderia fazê-lo o doador (atualmente falecido) e o Ministério Público, conforme estabelecido no dispositivo que vigia à época.

Outro ponto de destaque considerado pela Justiça foi a questão da prescrição, apontada pelas procuradorias e pela Consultoria Jurídica Adjunta ao Comando da Aeronáutica. De acordo com os órgãos da AGU, o pedido para reverter a doação deveria ser feito no prazo de 20 anos, contados a partir de 1985, quando da construção do aeroporto, conforme prevê o Código Civil de 1916 vigente à época. No entanto, destacaram que os doadores nunca se manifestaram durante esse período.

Decisão

A 6ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Guarulhos (SP) afastou ação, acolhendo a tese de prescrição e extinguindo a ação sem resolução do mérito. “Em 2005 esgotou-se a possibilidade de que qualquer pessoa eventualmente legitimada pudesse reclamar o descumprimento do encargo. Nos termos do disposto no art. 219, 5º, do Código de Processo Civil brasileiro, o juiz pode, desde logo, declarar a ocorrência da prescrição”.

A decisão também reconheceu que os sucessores da família Guinle são partes ilegítimas para solicitar a revogação. “As doações são negócios jurídicos personalíssimos e os direitos delas decorrentes não podem ser transmitidos a terceiros. Entre tais direitos intransmissíveis, temos o de exigir o cumprimento do encargo, previsto no artigo nº 1.180 do Código Civil brasileiro de 1916 e no artigo 553 do diploma vigente”, diz um trecho da decisão.

jorge guinle brindando