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Deixa a vida me levar


     O não planejar típico da cultura latina está sendo exacerbado através das letras das músicas de sucesso do Zeca Pagodinho e da banda Skank. Parece até que os 34 milhões de jovens brasileiros na faixa de 15 a 24 anos não estão "nem aí" para o seu futuro profissional ou para o desemprego crescente. Os sucessos musicais atestam que estamos cultuando o "não planejar". Tudo parece se inspirar na famosa crônica do Fernado Sabino que diz : "Tudo neste mundo no fim da certo. Se não deu, é porque ainda não chegou ao fim".

     O exemplo dessa atitude descompromissada com o futuro vem de Brasília, do descaso do governo anterior e do atual com o planejamento. Não se planeja de maneira efetiva, á longo prazo, no Brasil desde o Programa de Metas do presidente Juscelino Kubitschek . Esse foi o único plano federal de longo prazo totalmente implementado, cujos resultados foram devidamente acompanhados e avaliados. O filósofo romano Lucius Sêneca costumava dizer: "não existem ventos favoráveis para navegadores que não sabem aonde querem chegar". Infelizmente parece que o navio Brasil está à deriva, sem plano de viagem, ao sabor das ondas. A falta de rumo pode ser atestada no fato de que um ministro perguntado sobre o que faria se a sua pasta recebesse verba de um bilhão de reais. Gaguejou e falou que teria que consultar seus assessores para responder. Pasmem: as poucas verbas para investimentos disponíveis nos ministérios não estão sendo totalmente usadas por absoluta falta de projetos. Nossos dirigentes parecem ignorar que é preciso ter visões, sonhos e planos proporcionais ao tamanho do Brasil. Que nada será atingido ficando nessa atitude passiva, de bóia diante das ondas. Que nada grandioso se construirá com programas tópicos, assistencialistas, ou pontuais, tipo "apaga incêndio".

     É preciso pensar adiante e projetar o futuro. Só o planejamento permite visualizar, escolher cursos alternativos de ação e os critérios e prioridades para a escolha das melhores alternativas para atingir os objetivos programados. É preciso ter a visão das águias e não a dos tatus que têm habitado os órgãos de planejamento nas ultimas décadas. Os jovens precisam deletar essas mensagens enganadoras do tipo "deixa a vida me levar". Não devem aceitar sonhos fabricados por outros que, geralmente, já estão com a vida ganha. Precisam cair na vida real que mostra uma diminuição dos empregos formais de maneira crescente e irreversível. Precisam entender que os passos do "caminho real" são: sonhar acordado, planejar, assumir riscos, empreender e assim, auto-empregar-se.


EDER LUIZ BOLSON - empresário, fundador de cinco empresas, professor universitário e consultor de empresas. Engenheiro formado pela Universidade Federal de Santa Maria, RS. Fez curso de mestrado na North Dakota State University dos Estados Unidos.

Fez diversos cursos de especialização em gestão de negócios e marketing no Brasil e exterior. Foi professor de Técnicas de Elaboração e Avaliação de Projetos do Departamento de Economia da AEUDF (Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal) . Foi Assessor de Planejamento e Gerente da EMBRAPA/SPSB.

É presidente da APSEMG (Associação dos Produtores de Sementes e Mudas de Minas Gerais) e Vice-presidente para Negócios Internacionais da ABRASEM (Associação Brasileira dos Produtores de Sementes). Fundador e Vice-presidente do SINDBIO/FIEMG (Sindicato das Empresas de Base Biotecnológica no Estado de Minas Gerais). É membro do Conselho de Representantes da FIEMG. È professor de Empreendedorismo e Planos de Negócio de cursos de pós-graduação e consultor da Fundação Israel Pinheiro.

Sua experiência prática empreendedora é interessante e diversificada, pois a partir de sonhos ou visões fundou empresas que se desenvolveram e hoje atuam com sucesso, gerando emprego e renda, em diversos setores como: alta tecnologia, indústria, comércio e prestação de serviços. Continua criando empresas e ajudando outras pessoas a criarem novos negócios.


Eder Luiz Bolson é autor do Livro: "Tchau, Patrão !"




Tchau, Patrão!
EDER LUIZ BOLSON

Editora: Senac
Ano: 2003
Edição: 1
Número de páginas: 189
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

























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