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Empreendedorismo e Capital Inicial
Capital Inicial é um ótimo nome para uma banda de rock. Num país considerado como o "paraíso dos bancos", o capital inicial mal planejado pode se transformar num inferno para os novos empreendedores. A maioria dos casos de fracasso de novas empresas brasileiras decorre de falhas no planejamento e na gestão do capital inicial. Na hora de calcular o capital inicial necessário, muitos empreendedores pensam somente nos recursos para investimentos em ativos representados por imóveis, veículos, máquinas , móveis de escritório, equipamentos e estoque inicial de mercadorias. Muitos pensam que precisam de capital inicial apenas para abrir o negócio e a partir daí tudo se resolve com as receitas geradas pelo próprio negócio. Muitos acabam pagando juros porque investiram quase todo o capital inicial disponível em decoração, iluminação, móveis, vitrines, placas e outros itens, todos com uma sofisticação acima da necessária para o tipo de negócio. Em pouco tempo esses novos empreendedores, que deram um sonoro "Tchau, Patrão!", acabam arrumando um monte de novos patrões. Eles estarão trabalhando para os bancos e empresas de factoring. Pagarão juros estratosféricos no desconto de cheques pré-datados, cheques especiais ou no cartão de crédito. Tudo isso para cobrir a falta de previsão das perdas financeiras operacionais iniciais e de capital de giro.
Quem inicia um negócio precisa fazer uma previsão de vendas e receitas muito conservadora. Poucos negócios são abertos com clientela pronta. O normal é a formação e fidelização lenta de clientes acompanhadas por um crescimento gradual das receitas. É normal que também haja uma perda de clientes para ser reposta, visto que nem todos repetem compras. A fase de operação inicial de um negócio, na qual as despesas superam as receitas, pode demorar meses ou até anos. Os recursos para cobrir essas diferenças mensais de caixa precisam ser previstos e incluídos nos cálculos da necessidade de capital inicial. Já as necessidades para capital de giro precisam ser calculadas como sendo o valor líquido que resulta da equação entre as previsões de valores do estoque a ser mantido, somado com os de contas a pagar e diminuídos das previsões de contas a receber. Quem vende concedendo prazos maiores do que os que recebe dos seus fornecedores precisa ter caixa para bancar a reposição dos estoques, mais as despesas operacionais do negócio.
A gestão do capital inicial será decisiva para o sucesso de quem inicia uma empresa nesses tempos de juros estratosféricos. É preciso investir o mínimo possível em ativos fixos. No caso de empresas de prestação de serviços o valor do capital inicial necessário costuma ser menor. Para novas empresas comerciais ou industriais é sempre recomendável alugar imóveis, veículos, máquinas e equipamentos. Em alguns casos é possível alugar horários ociosos para fabricar algum produto numa empresa já instalada. É preciso iniciar trabalhando com um estoque mínimo de mercadorias ou insumos. Eles terão que ser adquiridos com o maior prazo de pagamento possível. As despesas operacionais iniciais precisam ser controladas e reduzidas ao máximo. O empreendedor e seus eventuais sócios precisam prever e estipular retiradas mensais mínimas. Os ex-empregados são acostumados a receber salários mensais em datas certas. Durante a fase de decolagem de um negócio próprio será preciso reservar alguma poupança para eventuais despesas familiares imprevistas. É também aconselhável que os empreendedores prepararem suas famílias para eventuais atrasos nas retiradas mensais e também para uma inevitável queda no padrão habitual de consumo.
Os empreendedores precisam dedicar o máximo de tempo e atenção no planejamento e na gestão do capital inicial. Negócios em fase de decolagem precisam de pilotos focados nas operações que resultem em lucro. Esses novos empresários jamais deverão atuar como "bombeiros de fluxo de caixa". Quem fica correndo de banco em banco atrás de empréstimos não tem tempo para pensar nas melhores estratégias para o seu negócio. O capital de giro sempre acaba regulando o tempo do empreendedor. Quando um negócio fica sem dinheiro, o empresário acaba ficando também sem tempo.
EDER LUIZ BOLSON - empresário, fundador de cinco empresas, professor universitário e consultor de empresas. Engenheiro formado pela Universidade Federal de Santa Maria, RS. Fez curso de mestrado na North Dakota State University dos Estados Unidos.
Fez diversos cursos de especialização em gestão de negócios e marketing no Brasil e exterior. Foi professor de Técnicas de Elaboração e Avaliação de Projetos do Departamento de Economia da AEUDF (Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal) . Foi Assessor de Planejamento e Gerente da EMBRAPA/SPSB.
É presidente da APSEMG (Associação dos Produtores de Sementes e Mudas de Minas Gerais) e Vice-presidente para Negócios Internacionais da ABRASEM (Associação Brasileira dos Produtores de Sementes). Fundador e Vice-presidente do SINDBIO/FIEMG (Sindicato das Empresas de Base Biotecnológica no Estado de Minas Gerais). É membro do Conselho de Representantes da FIEMG. È professor de Empreendedorismo e Planos de Negócio de cursos de pós-graduação e consultor da Fundação Israel Pinheiro.
Sua experiência prática empreendedora é interessante e diversificada, pois a partir de sonhos ou visões fundou empresas que se desenvolveram e hoje atuam com sucesso, gerando emprego e renda, em diversos setores como: alta tecnologia, indústria, comércio e prestação de serviços. Continua criando empresas e ajudando outras pessoas a criarem novos negócios.
Eder Luiz Bolson é autor do Livro: "Tchau, Patrão !"
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Tchau, Patrão!
EDER LUIZ BOLSON
Editora: Senac
Ano: 2003
Edição: 1
Número de páginas: 189
Acabamento: Brochura
Formato: Médio
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