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A lei do ouro


     A corrupção empobrece o mundo. O gigante adormecido em berço esplendido jamais acordará se não acabar com os ratões gordos e corruptos que devoram mais de 20% do seu PIB. Políticos que estão respondendo a pilhas de processos na justiça se candidatam a cargos eletivos na maior facilidade. Depois eles são indicados para ministérios, diretorias financeiras de órgãos públicos e empresas estatais. Por outro lado, para a contratação de um gari são exigidos diversos atestados de idoneidade moral e certidões negativas. Quem mexe com lixo deve estar limpo, quem mexe com o dinheiro da "viúva" pode estar imundo.

     Parece que estamos nos acostumando com a malandragem, a esperteza, o levar vantagem em tudo. Nos transformamos rapidamente num dos paraísos mundiais da pirataria e do contrabando de mercadorias asiáticas baratas. Quem pisa sobre um chinelo de borracha de R$ 2,99 feito na China acaba esmagando um punhado de empregos no setor calçadista brasileiro. Quem compra um CD pirata emudece e tira o pão da boca dos artistas. O resultado será inevitável: uma queda geral nos lançamentos e na qualidade das músicas. Desaparecerão os Chico Buarques, as Ana Carolinas, as Ivete Sangalos, os Skanks. O castigo para quem compra esses CDs piratas será: "ouvir cada vez mais Latinos, Kely Keys e Quebra-Barracos".

     Antigamente os políticos eram respeitados pela sua intelectualidade, pela defesa intransigente de uma ideologia, pela inteligência e oratória. Hoje são admirados os coronéis com grande capacidade de compra de votos, os que conseguiram mais concessões de estações de rádio e televisão, os que conseguiram roubar mais sem serem processados, os que se safaram mais habilmente de CPIs, os que conseguiram mais habilmente transformar dinheiro em influência, os que conseguiram montar a melhor máquina de corrupção dentro do serviço público, os que contribuem mais para as caixinhas de campanha.

     A carreira política se transformou num processo de seleção de maçãs podres. Pessoas honestas dificilmente conseguirão passar do cargo de vereador. Para conseguir uma vaga e conseguir concorrer para um cargo eletivo superior precisarão, na maior parte das vezes, de dinheiro, de acordos com empresários interessados em fornecer produtos ou serviços, de promessas de cargos para incompetentes ou desonestos, de comprometimentos escusos. Enfim, só progridem na política de hoje pessoas especiais, pessoas espertas e dotadas de uma serie de habilidades próprias de quem não é lá uma Madre Tereza. Essa peneira negativa explica porque são cada vez mais raros os políticos honestos. Também explica porque os realmente honestos são cada vez mais isolados e desprezados por seus pares. O odor repugnante exalado por essas cestas de maçãs podres que decoram os legislativos e executivos afugenta pessoas honestas. Elas têm medo de se misturarem e de serem confundidas com a podridão. Essa seleção negativa de políticos leva os eleitores á descrença, á completa falta de opção na hora do voto. Votar em quem parece roubar menos é, na maioria dos pleitos, a única solução.

     Vemos todos os dias leis ou resoluções absurdas. Vemos reajustes absurdos nos preços dos serviços que antigamente eram públicos. Grandes dívidas de multinacionais sendo perdoadas. Vemos bancos e cartões de crédito agiotando e vampirizando cada vez mais descaradamente. Vemos leis que favorecem visivelmente a determinados grupos multinacionais. Nos perguntamos: Como alguém aprovou isso? A resposta será sempre: foi com base na "Lei do Ouro". É naquela famosa Lei do Ouro que diz no seu artigo primeiro: "Quem tem ouro, faz a lei".



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EDER LUIZ BOLSON - empresário, fundador de cinco empresas, professor universitário e consultor de empresas. Engenheiro formado pela Universidade Federal de Santa Maria, RS. Fez curso de mestrado na North Dakota State University dos Estados Unidos.

Fez diversos cursos de especialização em gestão de negócios e marketing no Brasil e exterior. Foi professor de Técnicas de Elaboração e Avaliação de Projetos do Departamento de Economia da AEUDF (Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal) . Foi Assessor de Planejamento e Gerente da EMBRAPA/SPSB.

É presidente da APSEMG (Associação dos Produtores de Sementes e Mudas de Minas Gerais) e Vice-presidente para Negócios Internacionais da ABRASEM (Associação Brasileira dos Produtores de Sementes). Fundador e Vice-presidente do SINDBIO/FIEMG (Sindicato das Empresas de Base Biotecnológica no Estado de Minas Gerais). É membro do Conselho de Representantes da FIEMG. È professor de Empreendedorismo e Planos de Negócio de cursos de pós-graduação e consultor da Fundação Israel Pinheiro.

Sua experiência prática empreendedora é interessante e diversificada, pois a partir de sonhos ou visões fundou empresas que se desenvolveram e hoje atuam com sucesso, gerando emprego e renda, em diversos setores como: alta tecnologia, indústria, comércio e prestação de serviços. Continua criando empresas e ajudando outras pessoas a criarem novos negócios.


Eder Luiz Bolson é autor do Livro: "Tchau, Patrão !"




Tchau, Patrão!
EDER LUIZ BOLSON

Editora: Senac
Ano: 2003
Edição: 1
Número de páginas: 189
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

























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