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Americanos do Sul


     Recebi um questionário para ex-alunos de uma universidade norte-americana. A primeira questão era sobre a minha origem étnica. Ela continha as opções: branco e branco hispânico. Lembrei-me do livro "Choque das Civilizações" de Samuel Huntington, cientista político de Harvard. Huntington classificou as civilizações em : ocidental, latino-americana, islâmica, japonesa, confuciana, hindu, eslava ortodoxa e africana. Muitos pensadores latino-americanos ficaram enfurecidos com a exclusão da nossa civilização do grupo dos ocidentais. Huntington também profetizou que as batalhas do futuro terão origem no choque de civilizações. Ele disse que os futuros conflitos e divisões da humanidade terão origem cultural e não ideológica ou econômica.

     Na visão de Huntington, a civilização latina americana é um ramo ou braço desgarrado do ocidente. Para ele, nós pertencemos a uma comunidade cultural estranha, diferente, uma espécie de "pseudo-ocidente". Ele até critica a atitude de governantes mexicanos que renegam sua civilização e pretendem a qualquer custo assumir posturas de ocidentais nas suas alianças e negociações com os Estados Unidos e Canadá. Recentemente, os mexicanos passaram a exigir visto para a entrada de brasileiros. O fato de mexicanos "se acharem" ocidentais ficou evidente na assinatura do "Acordo de Livre Comércio da América do Norte". É um tratado que facilita a circulação de mercadorias, mas omite a livre circulação dos "bárbaros latinos" para dentro das fronteiras ocidentais.

     A cisão entre islâmicos e ocidentais ficou clara depois dos ataques de 11 de setembro e, muito mais depois das invasões do Afeganistão e do Iraque. A divisão entre ocidentais e latino americanos está evidente nos 5 mil quilômetros de fronteira que separam os Estados Unidos da América Latina. São muros de concreto, cercas elétricas, arame farpado, patrulhas móveis, helicópteros e vigilância permanente. Tudo para evitar que os "bárbaros do Sul", os deserdados latinos, cruzem as fronteiras da nação líder dos ocidentais. Apesar de todo o aparato repressor de invasões, estima-se que, a cada ano, mais de um milhão de imigrantes consigam atravessar ilegalmente a fronteira.

     Deixa o professor Huntington e sua teoria polêmica lá em Harvard. Nossa cultura é latino-americana mesmo e devemos nos orgulhar muito dela. Ela é diferente até mesmo daquela de nossos colonizadores da Península Ibérica. Não cultuamos, por exemplo, as deprimentes touradas. Por outro lado, vemos que nossas novelas e alguns cantores sertanejos exploram o sentimento atávico das novas populações urbanas brasileiras usando uma cultura sertaneja importada. Estamos sendo jogados num caldeirão cultural estranho, cheio de rodeios, ruas de Miami, bang-bangs, peões e "cowboys aculturados". Estamos contaminando nossa cultura da roça, latina de raiz. Estamos "macaqueando" justamente a cultura daqueles que nos discriminam.

     É muito triste ver milhares de jovens brasileiros serem barrados nas fronteiras mexicana e norte-americana. Eles têm as principais características dos empreendedores: sonham, quebram paradigmas e assumem riscos. Esses legítimos Americanos do Sul gostariam mesmo é de poder trabalhar e empreender no Brasil. Eles são forçados a deixarem sua pátria e suas famílias na busca das oportunidades que lhes são negadas por aqui. Eles tentam fugir de uma política econômica errada, teimosa, dirigida do exterior. Uma política que insiste em premiar a especulação financeira e ignora as legítimas aspirações de milhares de brasileiros.



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EDER LUIZ BOLSON - empresário, fundador de cinco empresas, professor universitário e consultor de empresas. Engenheiro formado pela Universidade Federal de Santa Maria, RS. Fez curso de mestrado na North Dakota State University dos Estados Unidos.

Fez diversos cursos de especialização em gestão de negócios e marketing no Brasil e exterior. Foi professor de Técnicas de Elaboração e Avaliação de Projetos do Departamento de Economia da AEUDF (Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal) . Foi Assessor de Planejamento e Gerente da EMBRAPA/SPSB.

É presidente da APSEMG (Associação dos Produtores de Sementes e Mudas de Minas Gerais) e Vice-presidente para Negócios Internacionais da ABRASEM (Associação Brasileira dos Produtores de Sementes). Fundador e Vice-presidente do SINDBIO/FIEMG (Sindicato das Empresas de Base Biotecnológica no Estado de Minas Gerais). É membro do Conselho de Representantes da FIEMG. È professor de Empreendedorismo e Planos de Negócio de cursos de pós-graduação e consultor da Fundação Israel Pinheiro.

Sua experiência prática empreendedora é interessante e diversificada, pois a partir de sonhos ou visões fundou empresas que se desenvolveram e hoje atuam com sucesso, gerando emprego e renda, em diversos setores como: alta tecnologia, indústria, comércio e prestação de serviços. Continua criando empresas e ajudando outras pessoas a criarem novos negócios.


Eder Luiz Bolson é autor do Livro: "Tchau, Patrão !"




Tchau, Patrão!
EDER LUIZ BOLSON

Editora: Senac
Ano: 2003
Edição: 1
Número de páginas: 189
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

























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