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Empreendedorismo e risco


     Não existem empreendedores medrosos. Assumir riscos é a principal característica do perfil de uma pessoa empreendedora. É impossível afastar completamente o elemento risco do mundo dos negócios, mas existem muitas maneiras de gerenciá-lo e torná-lo menos ameaçador. Os estatísticos já criaram muitas fórmulas para prever e, principalmente, para medir os riscos de um negócio. A lei das probabilidades, aquela das chances iguais de uma moeda jogada no cara ou coroa, por exemplo, é uma ferramenta muito útil para apoiar a tomada de decisões empresariais de risco em algo mais lógico e menos intuitivo.

     Uma das maiores dificuldades para medir riscos reside no fato de que o risco não é igual para todas as pessoas. Colocar em risco R$ 100 mil num novo negócio tem significado e, pode trazer resultados esperados diferentes, para um empresário rico e para um pobre assalariado que custa a pagar as contas do mês. Em meados do século dezoito, Daniel Bernoulli já escrevia sobre isso na sua obra: "Nova Teoria Sobre a Medição de Risco". Ele associava risco com utilidade e dizia que: "qualquer pequeno aumento de riqueza tem uma utilidade inversamente proporcional ao valor do patrimônio anteriormente conquistado". Nessa mesma obra Bernoulli também tenta explicar porque poucas pessoas se dispõem a pagar preços proporcionalmente elevados por uma promessa ou perspectiva de lucros, mesmo que ela seja enorme.

     Os investidores de risco são, já há algum tempo, o sustentáculo de dois dos maiores negócios mundiais de alta tecnologia dos Estados Unidos: a informática da Califórnia e a biotecnologia, voltada para a saúde humana, da região de Boston. São empresas especializadas que reúnem diversos investidores num fundo de capital de risco, as chamadas "venture capital companies". Lá atuam também investidores individuais, pessoas físicas também chamadas de "angel investors", numa alusão aos anjos da guarda que protegem, com seu dinheiro, as empresas iniciantes e financeiramente frágeis. Em ambos os casos podem ser aplicadas as teorias de Bernoulli na hora de medir o risco. Elas funcionam na hora de avaliar quanto vale ou quanto se pode arriscar investindo numa empresa iniciante que possui um processo revolucionário de busca na internet ou numa outra que desenvolveu um processo biotecnológico para combater uma doença terrível. Essas idéias podem valer milhões no futuro, mas no presente poucos apostarão valores proporcionalmente elevados nelas. As empresas ou fundos de capital de risco dificilmente investem numa empresa enquanto ela não mostrar possibilidades reais de geração de caixa ou de ser valorizada e atrativa para empresas maiores. Acontece que muitas vezes determinados produtos ou serviços de empresas iniciantes só trazem lucros fantásticos quando acoplados aos já comercializados por empresas maiores. Já os "investidores anjos" geralmente são motivados a assumir riscos esperando por lucros operacionais de curto prazo e, nem tanto, pela perspectiva de valorização da empresa iniciante no caso de uma futura venda para empresas maiores.

     Com uma boa idéia e um bom plano de negócio nas mãos o empreendedor costuma gastar um bom tempo analisando e tentando medir os riscos do futuro negócio. Muitos até colocam nos seus planos de negócios as possíveis "saídas honrosas" ou como sair deles com perdas menores, no caso de o empreendimento fracassar. Atrair sócios para o novo negócio é uma forma de diluir os riscos e fugir dos tenebrosos juros bancários. Uma atitude importante antes de admitir sócios capitalistas é definir até que ponto eles poderão interferir no controle e no rumo do negócio. Diante do exposto, a primeira e difícil tarefa de muitos empreendedores iniciantes será a de escolher entre abrir mão de parte, às vezes até da maioria das cotas, ou contrair dívidas que poderão tornar suas empreitadas mais penosas e muito mais arriscadas.



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EDER LUIZ BOLSON - empresário, fundador de cinco empresas, professor universitário e consultor de empresas. Engenheiro formado pela Universidade Federal de Santa Maria, RS. Fez curso de mestrado na North Dakota State University dos Estados Unidos.

Fez diversos cursos de especialização em gestão de negócios e marketing no Brasil e exterior. Foi professor de Técnicas de Elaboração e Avaliação de Projetos do Departamento de Economia da AEUDF (Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal) . Foi Assessor de Planejamento e Gerente da EMBRAPA/SPSB.

É presidente da APSEMG (Associação dos Produtores de Sementes e Mudas de Minas Gerais) e Vice-presidente para Negócios Internacionais da ABRASEM (Associação Brasileira dos Produtores de Sementes). Fundador e Vice-presidente do SINDBIO/FIEMG (Sindicato das Empresas de Base Biotecnológica no Estado de Minas Gerais). É membro do Conselho de Representantes da FIEMG. È professor de Empreendedorismo e Planos de Negócio de cursos de pós-graduação e consultor da Fundação Israel Pinheiro.

Sua experiência prática empreendedora é interessante e diversificada, pois a partir de sonhos ou visões fundou empresas que se desenvolveram e hoje atuam com sucesso, gerando emprego e renda, em diversos setores como: alta tecnologia, indústria, comércio e prestação de serviços. Continua criando empresas e ajudando outras pessoas a criarem novos negócios.


Eder Luiz Bolson é autor do Livro: "Tchau, Patrão !"




Tchau, Patrão!
EDER LUIZ BOLSON

Editora: Senac
Ano: 2003
Edição: 1
Número de páginas: 189
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

























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