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Isso não é justo !
Renato Giusti é um executivo rico e brilhante, porém infeliz. Vive indignado com tudo e com todos. Não consegue mais conviver com tanta injustiça. Pilotando sua BMW a caminho da empresa vê diariamente cenas de violência, impunidade, miséria, doenças, uso de drogas e prostituição infantil. Pelo radio do carro escuta baboseiras de governantes despreparados e políticos medíocres que, para ele, ocupam injustamente cargos com o poder de, inclusive, arruinar o futuro de milhões de brasileiros. Fica sabendo da chegada ao poder de políticos notoriamente corruptos, dotados de uma ficha policial muito maior do que a do próprio currículo. São pessoas preparadas portanto para, literalmente, tomar conta do baú da viúva. Ouve mais um caso do setor financeiro vampirizando o setor produtivo com juros estratosféricos e mais uma história de aumento no diâmetro do dinheiro-duto de mão única que leva impostos para Brasília. Fica incomodado com os altos salários e vantagens pagas aos políticos enquanto milhões vivem na miséria absoluta.
Renato fica ainda mais indignado quando olha para a grande loja de eletrodomésticos e vê muitos operários comprando por preços exorbitantes e pagando em intermináveis prestações. Continua dirigindo e ouvindo nos comerciais do radio as arapucas dos bancos atraindo aposentados para emprestar dinheiro. Escuta o depoimento do pequeno empresário já rouco de tanto gritar por socorro contra juros, impostos e burocracia. Ouve as notícias sobre leis, contratos e regras de cidadania que são cada vez mais impunemente violadas. Vê a propaganda hedonista manipulando o povo através de pregações que exaltam o prazer, a satisfação imediata, mesmo que sejam obtidos a qualquer custo, passando como um trator por cima de tudo e de todos. Analisa a situação e acha cada dia mais injusto ver um povo bom e trabalhador como o brasileiro ser transformado num bando de patetas. No escritório também se sente cada dia mais injustiçado com o fato de ter que submeter suas idéias e planos a um diretor medíocre e arrogante que, aliás, só está na posição por ser genro do fundador da empresa. Quanta injustiça!.
Diante do exposto, nosso amigo Renato que, aliás carrega justiça até no sobrenome, está adoecendo justamente por falta dela. As frases "isso não é justo !" e "isso é uma tremenda injustiça !" batem dia e noite na mente de Renato como se fossem ondas do mar de diferentes tamanhos, porém ininterruptas. Renato está ficando neurótico. Acorda de sobressalto várias vezes durante a noite quando se vê, em pesadelos, sendo tragado por um imenso mar de injustiças. Já está até procurando a ajuda de um analista. Logo estará deitado num divã externando toda sua tensão, medo, raiva e frustração.
Tal como Renato, somos todos condicionados a buscar justiça até nos eventos mais banais. Por exemplo, quando um amigo nos convida para um aniversário, procuramos imediatamente recordar o valor do presente que dele recebemos para retribuir de forma justa. Essa busca permanente por algo que dizem "ser cega", nos impede de ver que inconscientemente buscamos algo utópico, mitológico. A justiça plena, tal como imaginamos, na realidade não existe, nem na natureza. O mundo não funciona de forma justa. Os animais mais fortes devoram injustamente os mais frágeis, os terremotos e ondas gigantes matam injustamente milhares de pessoas, doenças como o câncer e a aids roubam de maneira injusta de nosso convívio pessoas jovens e cheias de vida. Não podemos perder o senso de justiça, mas precisamos nos acostumar a conviver e tolerar melhor a realidade que é, e sempre será injusta. Só depois de convencido pelo analista da inexistência dessa miragem chamada "justiça plena", nosso amigo Renato poderá curar sua neurose e ter uma existência menos amarga.
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EDER LUIZ BOLSON - empresário, fundador de cinco empresas, professor universitário e consultor de empresas. Engenheiro formado pela Universidade Federal de Santa Maria, RS. Fez curso de mestrado na North Dakota State University dos Estados Unidos.
Fez diversos cursos de especialização em gestão de negócios e marketing no Brasil e exterior. Foi professor de Técnicas de Elaboração e Avaliação de Projetos do Departamento de Economia da AEUDF (Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal) . Foi Assessor de Planejamento e Gerente da EMBRAPA/SPSB.
É presidente da APSEMG (Associação dos Produtores de Sementes e Mudas de Minas Gerais) e Vice-presidente para Negócios Internacionais da ABRASEM (Associação Brasileira dos Produtores de Sementes). Fundador e Vice-presidente do SINDBIO/FIEMG (Sindicato das Empresas de Base Biotecnológica no Estado de Minas Gerais). É membro do Conselho de Representantes da FIEMG. È professor de Empreendedorismo e Planos de Negócio de cursos de pós-graduação e consultor da Fundação Israel Pinheiro.
Sua experiência prática empreendedora é interessante e diversificada, pois a partir de sonhos ou visões fundou empresas que se desenvolveram e hoje atuam com sucesso, gerando emprego e renda, em diversos setores como: alta tecnologia, indústria, comércio e prestação de serviços. Continua criando empresas e ajudando outras pessoas a criarem novos negócios.
Eder Luiz Bolson é autor do Livro: "Tchau, Patrão !"
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Tchau, Patrão!
EDER LUIZ BOLSON
Editora: Senac
Ano: 2003
Edição: 1
Número de páginas: 189
Acabamento: Brochura
Formato: Médio
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