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Empreendedorismo e diversidade


     Diversidade significa variação, pluralidade, disparidade. É o oposto de uniformidade. Numa empresa convivem indivíduos com diferentes profissões, especialidades, sexos, culturas e experiências. Cada um com a sua forma própria de pensar e ângulo próprio para ver o mundo dos negócios. Acontece que muitos empreendedores não reconhecem a força do pensamento diverso. Muitos tentam impor uma maneira homogênea de como todos devam pensar, sentir e agir no âmbito da sua empresa. Essa visão estreita acaba boicotando muitos empregados talentosos. Acaba tolhendo as formas de pensar diferentes, tão necessárias para a resolução de problemas tidos pelo pensamento homogêneo como: "sem solução".

     Os projetos espaciais da NASA sempre procuraram reunir cientistas multidisciplinares, multirraciais, de sexos diferentes, de faixas etárias diferentes, originários de países e universidades diferentes. O bem sucedido programa de pesquisa agropecuária desenvolvido pela EMBRAPA no Brasil deve grande parte do seu sucesso à reunião de grupos de pesquisadores multidisciplinares. Nesses grupos, além de pesquisadores agrônomos e veterinários, estão economistas, advogados, engenheiros elétricos, engenheiros mecânicos, administradores, biólogos, geógrafos, filósofos, psicólogos, geólogos e outros profissionais das mais variadas áreas do conhecimento.

     Muitos empreendedores ou executivos quando selecionam seus auxiliares dão uma clara preferência para a contratação de jovens originários da mesma faculdade onde se formaram. Certa vez, visitei o setor de criação de uma empresa de publicidade onde todos os três empregados haviam se formado na mesma escola. Por coincidência, eram todos originários da mesma faculdade onde também se formara um dos donos da empresa. Nesse caso formou-se uma "panelinha criativa" homogênea. Essa panelinha contraria a diversidade necessária na composição de grupos criativos defendida pelo professor italiano Domenico De Masi. Ele diz: "O confronto e a liberação recíproca das diferenças não deságuam automaticamente em conflito. Geralmente o confronto das diferenças leva a integração das partes".

     Muitas instituições de ensino superior cultuam a antidiversidade. Na seleção de novos professores dão total preferência para os ex-alunos. Dessa forma elas estimulam uma visão homogênea e estreita. Elas cultivam um pensamento consangüíneo, uma espécie de "raça pura" de pensamento e ação. Da mesma forma, muitos cursos de engenharia só empregam professores engenheiros. Muitos conselhos de profissionais e cursos de administração insistem na homogeneização, pregando que quase todos os professores precisam ser formados em administração de empresas.

     Muitas empresas bem sucedidas reconhecem que a sua força vem da diversidade. Para a Nokia, por exemplo, a cultura da diversidade está no centro dos seus valores. Quando uma nova empresa começa a crescer, é comum o empreendedor se lembrar das pessoas mais próximas, amigos ou parentes na hora de montar a sua equipe de trabalho. Um executivo financeiro, por exemplo, que deixa o emprego para montar um negócio próprio tende a convidar antigos colegas de trabalho ou amigos da mesma área e com experiências semelhantes para o acompanharem. Muitas vezes chega a adaptá-los a funções que nunca exerceram. Na realidade, ele procura por pessoas que se enquadrem na sua forma de pensar e agir. Nessa empresa, certamente a área financeira ficará forte, mas as de produção e vendas vão deixar a desejar. Nessa empresa não haverá diversidade de experiências. Haverá sim, uma visão míope, semelhante e estreita.

     Diante do exposto, o jovem empreendedor deve evitar a formação de uma equipe baseada em semelhanças. Não deve nunca subestimar o valor daqueles que são diferentes. Não deve concentrar as recompensas naqueles que pensam igual. Precisa empreender cuidando da formação de uma força de trabalho multicultural, diversa, onde uns aprendam com os outros. Onde todos possam contribuir e agregar valores baseados nas suas riquíssimas diferenças.



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EDER LUIZ BOLSON - empresário, fundador de cinco empresas, professor universitário e consultor de empresas. Engenheiro formado pela Universidade Federal de Santa Maria, RS. Fez curso de mestrado na North Dakota State University dos Estados Unidos.

Fez diversos cursos de especialização em gestão de negócios e marketing no Brasil e exterior. Foi professor de Técnicas de Elaboração e Avaliação de Projetos do Departamento de Economia da AEUDF (Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal) . Foi Assessor de Planejamento e Gerente da EMBRAPA/SPSB.

É presidente da APSEMG (Associação dos Produtores de Sementes e Mudas de Minas Gerais) e Vice-presidente para Negócios Internacionais da ABRASEM (Associação Brasileira dos Produtores de Sementes). Fundador e Vice-presidente do SINDBIO/FIEMG (Sindicato das Empresas de Base Biotecnológica no Estado de Minas Gerais). É membro do Conselho de Representantes da FIEMG. È professor de Empreendedorismo e Planos de Negócio de cursos de pós-graduação e consultor da Fundação Israel Pinheiro.

Sua experiência prática empreendedora é interessante e diversificada, pois a partir de sonhos ou visões fundou empresas que se desenvolveram e hoje atuam com sucesso, gerando emprego e renda, em diversos setores como: alta tecnologia, indústria, comércio e prestação de serviços. Continua criando empresas e ajudando outras pessoas a criarem novos negócios.


Eder Luiz Bolson é autor do Livro: "Tchau, Patrão !"




Tchau, Patrão!
EDER LUIZ BOLSON

Editora: Senac
Ano: 2003
Edição: 1
Número de páginas: 189
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

























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