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Burrice, burocracia e impostos


     Atualmente burocracia é uma palavra detestável. Nem sempre o foi. O termo teve origem no francês "bureau" que quer dizer escritório, somado com o grego "cracia" que significa administração. Significa uma maneira de administrar com base nos procedimentos e controles típicos de um escritório. O sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) contribuiu com muitos estudos sobre a sociologia da burocracia. Seus livros foram traduzidos para o inglês e formaram um primeiro corpo de conhecimentos, que evoluiu para uma Teoria da Burocracia na Administração de Empresas. Nos Estados Unidos da década de 1940, o genial em administração era criar modernos "modelos burocráticos" para a gestão das empresas. Naquela época o termo burocracia transformou-se num modelo de organização eficiente, de excelência. Na então vitoriosa "teoria da burocracia administrativa" essa busca de eficiência consistia em planejar, normatizar, tornar impessoal e registrar, nos mínimos detalhes, como as coisas deveriam ser feitas dentro de uma empresa. Era preciso também formalizar, documentar, buscar aprovação hierárquica, preencher formulários, enfim, gerar uma montanha de papel.

     O modelo e a teoria da burocracia serviram como uma luva para o aperfeiçoamento da administração de estados totalitários como a China e a União Soviética. Nesses países era clara a necessidade de submeter a vida social e econômica do povo ao poder do Estado. Nesses países, um cidadão que pretendesse fazer uma simples viagem de trem de uma cidade para outra, precisava de uma autorização da prefeitura local, com papel timbrado, duas ou três assinaturas de autoridades e, principalmente, muitos carimbos.

     Os grandes responsáveis pela transformação do termo burocracia em algo pejorativo e detestável foram o papelório, os carimbos, os relatórios, o formalismo exagerado, a necessidade dos dirigentes de exibirem autoridade ou poder hierárquico em todos os momentos e situações. No Brasil, a burocracia transformou-se no terrível fantasma que, até hoje, assombra a vida dos empreendedores. Transformou-se na dor de cabeça crônica de quem quer criar uma empresa, contratar empregados legalmente, vender produtos, prestar serviços e, principalmente pagar impostos. O processo de abertura de empresas no Brasil, por exemplo, é muito mais demorado do que na Namíbia. Segundo dados do Banco Mundial, o ambiente brasileiro para fazer negócios está na 119ª posição entre as 155 nações pesquisadas. Nesse quesito, segundo o mesmo relatório, nos aproximamos de países devastados por sangrentas guerras civis como Haiti e Angola.

     Na visão da jornalista Chrystiane Silva (Revista Veja): "É um erro ver a burocracia apenas como um produto da burrice humana. A burocracia só é burra na opinião das vítimas. Ela é inteligente na outra ponta, quando protege cartórios, enriquece grupos de interesse e alimenta corruptos que sobrevivem no anonimato". Talvez essa seja a razão da tremenda reação dos burocratas oficiais contra a proposta tributária chamada de "Imposto Único". Ela prevê a substituição de todos os tributos atuais por apenas um. Haveria uma alíquota, a ser definida conforme o montante da arrecadação necessária, incidente sobre cada parte de uma transação (débito e crédito). A proposta simplificadora acabou sendo deturpada no Brasil. A partir de 1993, ela acabou sendo usada para aumentar a carga tributária através do IPMF, posteriormente transformado na CPMF (Contribuição Provisória Sobre a Movimentação Financeira). Pelo menos, esse mau uso serviu para alguma coisa: demonstrou que o sistema de arrecadação é simples e funciona. O professor Marcos Cintra, brilhante economista brasileiro com doutorado em Harvard foi um dos pioneiros na defesa o imposto único. Quando perguntado sobre por que uma proposta tão inteligente não foi ainda aprovada no Brasil, responde: "O Imposto Único contraria interesses de grupos poderosos que lucram com o caos tributário atual. Sonegadores e a burocracia pública e privada ligada à arrecadação e fiscalização de impostos formaram poderosos "lobbies" para combater o Imposto Único". Vamos aguardar e rezar com muita fé. No futuro, talvez a inteligência prevaleça.



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EDER LUIZ BOLSON - empresário, fundador de cinco empresas, professor universitário e consultor de empresas. Engenheiro formado pela Universidade Federal de Santa Maria, RS. Fez curso de mestrado na North Dakota State University dos Estados Unidos.

Fez diversos cursos de especialização em gestão de negócios e marketing no Brasil e exterior. Foi professor de Técnicas de Elaboração e Avaliação de Projetos do Departamento de Economia da AEUDF (Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal) . Foi Assessor de Planejamento e Gerente da EMBRAPA/SPSB.

É presidente da APSEMG (Associação dos Produtores de Sementes e Mudas de Minas Gerais) e Vice-presidente para Negócios Internacionais da ABRASEM (Associação Brasileira dos Produtores de Sementes). Fundador e Vice-presidente do SINDBIO/FIEMG (Sindicato das Empresas de Base Biotecnológica no Estado de Minas Gerais). É membro do Conselho de Representantes da FIEMG. È professor de Empreendedorismo e Planos de Negócio de cursos de pós-graduação e consultor da Fundação Israel Pinheiro.

Sua experiência prática empreendedora é interessante e diversificada, pois a partir de sonhos ou visões fundou empresas que se desenvolveram e hoje atuam com sucesso, gerando emprego e renda, em diversos setores como: alta tecnologia, indústria, comércio e prestação de serviços. Continua criando empresas e ajudando outras pessoas a criarem novos negócios.


Eder Luiz Bolson é autor do Livro: "Tchau, Patrão !"




Tchau, Patrão!
EDER LUIZ BOLSON

Editora: Senac
Ano: 2003
Edição: 1
Número de páginas: 189
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

























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