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Para quem gosta de operar baseando-se em notícias …

Voltar à Home ||| 15/02/2010 - Enviar para o Twitter!



Existe um informativo ( sempre publicado aos sábados ) que costudo ler sempre, ele é conhecido como “Verdades e Mentiras da Bolsa“, escrito por Jayme Ghitnick, famoso no início da década por ter “previsto” o Ibovespa nos 37.000 pontos. Foi motivo de piada para alguns até o momento em que acertou. :)

Neste informativo Ghtnick fala sobre a situação – gráfica – da bolsa, aponta itens relacionados aos fundamentos dela, e aponta boatos da semana sobre alguns dos papéis dela. É justamente essa a parte que dá o nome do informativo, pois nela Ghtnick aponta quais são verdadeiros e quais são mentiras.

No sábado passado, 7 de fevereiro, o texto de boas vindas era sobre um assunto que me interessa bastante: As notícias e os mercados.

Melhor do que falar é apresentar o texto.

O que dizem os gráficos

A relação entre o noticiário e a flutuação das cotações nos mercados é um velho tema de debate: um dos pontos altos ocorreu na década de 60 passada, quando apareceu a muito controvertida teoria do “caminho aleatório” (“random walk”) , argumentando, com um calhamaço de equações e estatísticas, que os mercados oscilavam aleatoriamente porque dependiam das reações dos investidores ao noticiário, reações essas tão imprevisíveis quanto o conteúdo e o próprio surgimento desse noticiário. Essa teoria, portanto, considera que não há como prever o futuro a partir do passado, as cotações formariam uma série de eventos independentes uns dos outros.

Isso, naturalmente, seria a negação da Análise Técnica.

O debate parece infinito, já que nenhum dos lados conseguiu reunir provas insofismáveis do seu ponto de vista: se é inegável a existência de algum grau de aleatoriedade nas flutuações dos mercados, nunca houve uma explicação científica sobre como é possível, então, que essas cotações aleatórias se alinhem em linhas de tendências bem comportadas e …previsíveis!

Recentemente, na medida em que o cenário global é sempre utilizado como pretexto para explicar as flutuações, qualquer espirro em qualquer lugar do planeta servindo para esse tipo de justificativas, a leviandade desse tipo de comportamento tem sido muito aproveitado pelos analistas técnicos para ridicularizar a turma do caminho aleatório.

Isso já havia sido feito magistralmente por R.N. Elliott (o das Ondas…) ainda na década de 30, quando considerava a interpretação do noticiário como, no máximo, “o reconhecimento tardio de forças que já estavam em ação por algum tempo…”.

Justamente a obra de Elliott (que ele denominou de “A Lei da Natureza”) foi encontrar um padrão repetitivo para as flutuações dos mercados, com Ciclos de fases alternadas representando as mudanças do humor dos investidores, mantidas a partir de eventos dos mais diversos; nessa teoria, os movimentos psicológicos das massas precedem os fatos, a tal ponto que se poderia prever eventos sociais e econômicos a partir da flutuação das cotações… !

São de seus seguidores, nesta semana, as críticas mais mordazes quando, por exemplo, a divulgação de um surpreendente crescimento de 5,7% para o PIB americano provocou inicialmente forte alta nas cotações, logo substituída por forte correção, tudo isso provocando diferentes explicações pela mídia, por vezes contraditórias.

Dizem os críticos que, se o fechamento daquele dia (29 de janeiro) fosse melhor, as explicações seriam outras e assim por diante, o que provaria que sempre as explicações são desculpas de retrovisor, não correspondem a causa e efeito…

O mesmo aconteceu com os “temores com as economias europeias” (Grécia, Espanha, Portugal), ora existentes, ora amainados, segundo a mídia, da mesma forma como acontecimentos com a China servem sempre para as explicações tanto para altas como para baixas.

Em suma, há pouca objetividade em querer seguir o noticiário, leviano e desprovido de fundamentos reais, como vimos. Além disso, o investidor estaria sempre um passo atrás, informando-se sobre algo que já ocorreu, que explica uma flutuação passada, sem garantia que isso tenha alguma permanência (esperanças e temores vão e vem…), sem um valor confiável para fazer previsões com a explicação dada pela notícia: se, por exemplo, as economias europeias problemáticas assustam, porque só assustaram na quinta e na sexta-feiras, e não nos outros dias da semana (são situações duradouras) ?

Pensem nisso, antes de se entusiasmar ou se assustar com o noticiário…

Quero saber de vocês: Concordam ou discordam do que ele disse ? Deixe sua opinião no espaço destinado aos comentários, em seguida daremos continuidade ao artigo …







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3 comentários para “Para quem gosta de operar baseando-se em notícias …”

  1. saulo disse:

    Zé,
    Queria conversar melhor sobre umas ideias que tenho pra espalhar esses conhecimentos financeiros que temos. Aquela parte do “doar” do pai rico. Não sei se é de seu interesse mas trabalhar levando mais inteligencia financeira pra as pessoas, no dia a dia. Acho que seria algo bem interessante. Faz parte do meu projeto de vida, se fizer do seu talvez possamos começar aqui em fpa algo.
    Entra em contato comigo. Podemos conversar se for do seu interesse. Uma parceria forte como a sua seria otimo.

    @Zé da Silva:
    E o que você acha que o Clube e a http://www.BibliotecaFinanceira.com.br são ? hehehe :)

    Manda um e-mail pra mim com a tua ideia ?

  2. Lex disse:

    Zé, o cara é bom!
    Acompanho os artigos dele faz alguns anos e me parece muito honesto, sem querer fazer com que o leitor seja levado a tomar o caminho que ele gostaria.
    Os artigos apenas trazem informação e alertam sobre as armadilhas do mercado!

    @Zé da Silva:
    Sim sim, eu também acho isso. :)
    Estou me referindo ao que vocês acham deste texto em específico. ;)

  3. Richard disse:

    “Isso, naturalmente, seria a negação da Análise Técnica”

    Isso é basicamente aquilo que o livro “Axiomas de Zurique” prega ao dizer para que deveríamos ser o mais cético possível quanto a essas ondas, tendências geradas por notícias, além de qualquer tipo de análise concluindo que o mercado é realmente imprevisível.

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