Clube do Pai Rico
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Dívida externa deve superar reservas pela 1ª vez desde 2007

Você está lembrado quando falei aqui no Clube sobre as perdas que uma posição tão grande a título de “reserva” era ruim para o país ? Muitos me xingaram por não concordar com os pontos levantados por mim. E olha que naquele momento as reservas eram de R$300 bilhões (em 2011) … Hoje estamos com aproximadamente U$370 bilhões.

Apontei os custos e perdas de carregar tal posição, e hoje fiquei ainda mais certo de discordar dessa estratégia:

Dívida externa deve superar reservas pela 1ª vez desde 2007

Pela primeira vez desde 2007, a dívida externa brasileira poderá superar as reservas internacionais do País. Um boletim do banco Credit Suisse indica que a projeção para as reservas neste ano é de US$ 367 bilhões, e para a dívida, de US$ 368 bilhões. Nos últimos anos, a dívida externa brasileira tem avançado mais pela tomada de empréstimo das empresas. Em 2002, o montante devido pelas diferentes esferas de governos (US$ 110 bilhões) e pelas companhias (US$ 100 bilhões) era praticamente o mesmo. Neste ano, essa relação será de US$ 95 bilhões e US$ 273 bilhões, respectivamente.

O avanço da dívida privada pode ser explicado em parte pelo fato de o custo de captação para as grandes empresas ser mais vantajoso no exterior em alguns casos. “Um outro aspecto importante é o acesso às linhas de mais longo prazo obtidas apenas no exterior”, diz Otto Nogami, professor do Insper.

Setor público
Já o aumento da dívida externa do setor público – embora tenha variado pouco – pode ser explicado pelos empréstimos tomados pelos governos em organismos multilaterais como Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o financiamento de obras.

Na avaliação de Nogami, o ajuste fiscal em andamento pode levar o setor público a buscar mais recursos nessas instituições. “Como a necessidade de obras de infraestrutura se tornam maiores, a tomada de recursos via esses organismos pode ser uma das únicas alternativas para os governos executarem os projetos”, afirma.

Para 2016, o Credit Suisse estima as reservas em US$ 372 bilhões, e a dívida externa, em US$ 393 bilhões, sendo US$ 100 bilhões do setor público e US$ 293 bilhões do setor privado.

Confiança
Em anos anteriores, o Brasil conseguiu manter uma relação positiva entre as reservas internacionais e a dívida externa por causa da forte entrada recursos. Com a adoção do chamado tripé macroeconômico (câmbio flutuante, metas de inflação e superávit primário) no segundo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a manutenção dessa política na gestão Luiz Inácio Lula da Silva, a economia brasileira ganhou credibilidade e passou a atrair recursos para o investimento no mercado de ações, em títulos públicos e privados, além, evidentemente, da taxa de juros elevada, que atrai o investidor de fora.

Essa confiança na economia brasileira ficou clara na disparada das reservas. Em 2002, por exemplo, elas somavam US$ 18 bilhões. Esse valor subiu para US$ 180 bilhões em 2007. Nos últimos anos, as reservas internacionais têm se mantido estáveis em US$ 370 bilhões.

“Em 2005 e 2006, no mercado internacional, a avaliação já era de que a economia brasileira poderia ser considerada como grau de investimento independentemente das agências de risco”, afirma Simão Silber, professor do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP) – a economia brasileira só foi elevada a grau de investimento em abril de 2008 pela Standard & Poor’s. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comparem o custo de captação com a rentabilidade de manter esta grana em títulos do tesouro americano …

ps: sim, eu sei que o maior aumento veio na ponta privada da coisa. Só me pergunto se a Petrobras entra no lado das empresas privadas ou como dívida estatal … pois ela trabalha – literalmente – nas duas pontas.

Plano da Petrobras prevê corte de até 40% nos investimentos até 2019

Notícia fresquinha que acaba de pular aqui na minha tela:

Plano da Petrobras prevê corte de até 40% nos investimentos até 2019

O corte no plano de investimentos da Petrobras para o período de 2015 a 2019 ficará próximo a 40%, com o novo orçamento em torno dos US$ 130 bilhões, apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. No ano passado, quando a empresa ainda era presidida por Graça Foster, a meta de investimento era de US$ 220,4 bilhões em cinco anos. Mas, diante das dificuldades financeiras da petroleira, a nova gestão preferiu adotar uma redução drástica do orçamento, em linha com o que espera o mercado.
A proposta será analisada pelo conselho de administração na sexta-feira, mas é possível que o colegiado não chegue a uma conclusão e a divulgação do valor seja adiada. Os membros do colegiado podem precisar de mais de um encontro para chegar a um número definitivo.

“Um corte de 30% a 40% ajudaria a empresa a melhorar a situação financeira com impacto de curto prazo. Seria a principal sinalização para retomar a credibilidade, já que um corte menor traria impacto sobre o rating (classificação de risco) da companhia. Com menos investimento, a empresa reduz também o potencial de receitas futuras”, avaliou Walter de Vitto, da consultoria Tendências.

Apesar dos conselheiros indicados pela União conseguirem aprovar sozinhos o plano de negócios, o projeto encontra resistência entre os sindicalistas representantes dos trabalhadores, que ameaçam entrar em greve e interromper a produção, caso os cortes e a venda de ativos sejam tão grandes a ponto de configurar o que, segundo eles, seria uma “privatização disfarçada” da empresa. A decisão será tomada hoje, em reunião na sede da CUT, no Rio.

Argumentação

Na tentativa de vencer a resistência, a diretoria da petroleira iniciou, na semana passada, uma série de encontros com sindicatos para argumentar sobre a necessidade dos cortes, incluindo o de pessoal, que deve atingir principalmente os terceirizados. O argumento é que falta dinheiro e não há saída senão encolher a Petrobras. A empresa deixará de ser uma empresa de energia, integrada, com atuação do poço ao posto, para se tornar uma companhia, prioritariamente, de exploração e produção de petróleo e gás natural.

Nas conversas, executivos da petroleira insistem com os sindicalistas em que, nos últimos anos, os ganhos da Petrobras vieram com o crescimento da dívida. Por isso, a ordem agora é cortar o mal pela raiz e fortalecer o caixa, para que, nos próximos dois ou três anos, a estatal volte a ter recursos para ampliar os investimentos.

O plano de negócios traz projeções pessimistas para o dólar e para a cotação internacional do petróleo, que só dificultam a execução dos projetos da empresa. Quanto mais valiosa a moeda americana em relação ao real, mais a empresa gasta para importar combustíveis. Ao mesmo tempo, quanto menor o preço do barril, menos valem os ativos da companhia.

Daqui para a frente, a Petrobras vai focar na atividade de exploração e produção e abandonará projetos dos segmentos de abastecimento. Algumas áreas de exploração e produção também serão oferecidas ao mercado. A estatal se voltará para o pré-sal, onde o custo de extração é hoje inferior ao de outras reservas e, por isso, é mais rentável, mesmo em períodos de baixa cotação do petróleo.

Por enquanto, não há perspectiva de o projeto de lei do senador José Serra (PSDB-SP) – que prevê mudanças na Lei da Partilha – ter grande efeito no plano de negócios da empresa. Qualquer mudança na legislação pesará sobre projetos que estão por vir e ainda não estão no radar de investimentos. Hoje, a lei obriga a estatal a participar em pelo menos 30% de todo investimento no pré-sal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A minha dúvida (que já foi lançada lá no twitter) é: a situação do país já está complicada … Se a empresa que mais investe no Brasil cortar seus investimentos em 40%, como ficarão as coisas ?

O governo “deixará” isso acontecer para agradar o mercado ? Ainda: se errarem na dose, uma coisa “boa” (pois se investir menos precisará se endividar menos, quem sabe até reduzindo um pouco o elevado nível de endividamento atual) poderá afundar ainda mais a empresa … 😯

O que você acha ?

Petrobras pode não distribuir dividendos em 2015 …

A notícia ainda tem carácter especulatório … mas me parece que é bem plausível.

É o tipo de informação que precisa ser conhecida para que o investidor possa se preparar para os possíveis cenários pós confirmação (ou negação) do fato.

Como isso afetaria a cotação das ações ? O que você acha ?

Acionistas da Petrobras devem ficar sem dividendos

Rio – O lançamento de perdas nos balanços dos terceiro e quarto trimestres da Petrobras deve zerar o lucro da companhia em 2014 e impedir que a estatal pague dividendos sobre o resultado do ano passado aos acionistas.

No balanço, que será publicado na próxima quarta-feira, serão registradas perdas referentes à reavaliação de seus ativos (imparidade) e também prejuízos decorrentes de corrupção, calculados no cruzamento de dados judiciais da Operação Lava Jato com os arquivos de transações comerciais da companhia.

Depois de seis sessões seguidas de alta, as ações da Petrobras fecharam nesta quinta-feira, 16, em queda acentuada depois da informação de que a estatal não deve mesmo distribuir dividendos referentes a 2014.

A informação foi antecipada pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Os papéis preferenciais da estatal, os mais negociados e sem direito a voto, caíram 3%; os ordinários, com direito a voto, recuaram 1,86%.

O jornal “O Estado de S. Paulo” apurou com fontes que acompanharam os trabalhos de adequação dos balanços que, sem o registro das perdas, a estatal registraria em 2014 lucro ligeiramente menor aos R$ 23,6 bilhões registrados em 2013.

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Justiça nega pedido de devolução da área do Aeroporto de Guarulhos à família Guinle

Lembra daquela ação movida pela família Guinle, contra o governo federal, na tentativa de reaver o terreno onde foi construído o Aeroporto de Guarulhos ? Saiu o veredito:

A Justiça confirmou a impossibilidade de revogar a doação, feita em 1940 à União, de terreno de 9.720.582,65m² que hoje abriga o Aeroporto Internacional de Guarulhos/São Paulo. A ação foi movida pela família Guinle.

A Justiça afastou o pedido devido à prescrição no caso e à impossibilidade jurídica da questão, uma vez que as doações são negócios jurídicos personalíssimos e os direitos decorrentes delas não podem ser transferidos a terceiros.

Segundo os argumentos dos advogados públicos, os autores não poderiam pleitear a revogação de doação feita por pessoa jurídica (Empreza Agrícola Mavillis Ltda), pois eles seriam apenas sucessores dos sócios da empresa.

De acordo com a Advocacia-Geral, “não é compatível com o Código Civil de 1916, que os sucessores de pessoa jurídica (cujos direitos decorrentes da incorporação, fusão, dissolução são exclusivamente patrimoniais) possam revogar encargo de doação, ainda mais se estabelecido em prol do interesse geral. No caso, apenas poderia fazê-lo o doador (atualmente falecido) e o Ministério Público, conforme estabelecido no dispositivo que vigia à época.

Outro ponto de destaque considerado pela Justiça foi a questão da prescrição, apontada pelas procuradorias e pela Consultoria Jurídica Adjunta ao Comando da Aeronáutica. De acordo com os órgãos da AGU, o pedido para reverter a doação deveria ser feito no prazo de 20 anos, contados a partir de 1985, quando da construção do aeroporto, conforme prevê o Código Civil de 1916 vigente à época. No entanto, destacaram que os doadores nunca se manifestaram durante esse período.

Decisão

A 6ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Guarulhos (SP) afastou ação, acolhendo a tese de prescrição e extinguindo a ação sem resolução do mérito. “Em 2005 esgotou-se a possibilidade de que qualquer pessoa eventualmente legitimada pudesse reclamar o descumprimento do encargo. Nos termos do disposto no art. 219, 5º, do Código de Processo Civil brasileiro, o juiz pode, desde logo, declarar a ocorrência da prescrição”.

A decisão também reconheceu que os sucessores da família Guinle são partes ilegítimas para solicitar a revogação. “As doações são negócios jurídicos personalíssimos e os direitos delas decorrentes não podem ser transmitidos a terceiros. Entre tais direitos intransmissíveis, temos o de exigir o cumprimento do encargo, previsto no artigo nº 1.180 do Código Civil brasileiro de 1916 e no artigo 553 do diploma vigente”, diz um trecho da decisão.

jorge guinle brindando

CVM formaliza processo contra Eike por manipulação de preços

Este é um dos casos mais importantes das últimas décadas (e que provavelmente faça com que a “quebra” da bolsa do Rio, por “culpa” do Nahas, seja esquecida por completo …) no que diz respeito à saúde da bolsa brasileira. Um passo em falso e muita da (pouca) credibilidade da nossa bolsa vai pelo ralo …

Sério … vocês sabem o quanto já falei (e o quanto insisti !) sobre o Mister X, mas esta pode ser a cartada final da história.

E sinceramente ? Torço para que o final seja aquele esperado por muitos investidores do mercado …

CVM formaliza processo contra Eike por manipulação de preços e uso de informação privilegiada

O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Leonardo Gomes Pereira, formalizou processo administrativo sancionador contra o empresário Eike Batista para apurar suposta manipulação de preços e suposta utilização de informação ainda não divulgada ao mercado. A abertura da investigação está publicada em despacho no Diário Oficial da União, mas o documento não especifica quais empresas e negócios do Grupo de Eike Batista são alvo do processo.

O despacho estabelece sigilo para alguns dos documentos apresentados pela defesa do empresário, como aqueles com informações sobre operações financeiras, extratos de contas bancárias e contratos de câmbio. Também concede à defesa de Eike o prazo de cinco dias úteis para apresentação de novos dados e argumentação quanto aos motivos do pedido de sigilo a outros documentos que constam do processo, mas que não possuem “qualidades confidenciais”, conforme o despacho do presidente da CVM.

Segundo o Broadcast divulgou em abril, nove processos administrativos sancionadores envolvendo as companhias do Grupo EBX, de Eike Batista, estão em andamento na CVM e podem levar o empresário e pelo menos outros 12 executivos e conselheiros do grupo a julgamento. A Superintendência de Relações com Empresas (SEP) do órgão regulador toca ainda outras 13 investigações que, após concluídas, poderão levar à abertura de outros processos sancionadores.

A principal acusação que pesa sobre Eike é a de uso de informação privilegiada nas empresas OGX (atual OGPar) e OSX, conduta que também pode ser punida na esfera criminal. No caso da petroleira, Eike teria negociado suas ações por saber, antes do mercado, da inviabilidade de campos de petróleo, declarada oficialmente em julho de 2013. Nos processos, o empresário também é acusado da prática de manipulação de preços. Os processos administrativos sancionadores podem levar à pena de multa de até R$ 500 mil ou três vezes o valor da vantagem econômica obtida ou da perda evitada. Também cabem penas como inabilitação para atuar em companhias abertas e advertência.