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Zé, por que CDB ao invés de Tesouro Direto ?

Há alguns dias, publiquei um post onde falava sobre a minha atual carteira de investimentos. Várias dúvidas foram surgindo, e na medida do possível fui tentando saná-las. 🙂

Mas uma em especial chamou a atenção e por isso estou escrevendo este post: “Zé, por que você usa um CDB ao invés de investir no Tesouro Direto que paga mais ?” Uma pergunta válida, e que mostra que tem bastante gente ligada nas coisas. 😉

O CDB rende menos do que um título do Tesouro Direto

Este é o principal motivo para a dúvida de muitos existir. Se rende menos, eu não estaria perdendo dinheiro (ou deixando de ganhar, você escolhe a melhor maneira de encarar o fato) ao dar preferência ao CDB ?

E eu te respondo: Sim, estou deixando uma parte do rendimento para trás por causa disso. Simples, sem enrolação, sem mentiras. Mas com uma justificativa que fará com que você entenda o porquê disso: eu preciso que seja assim.

“Mas como assim precisa ? Você precisa perder dinheiro ?”. Não, o que eu preciso é de certas características que somente um CDB poderá me fornecer neste caso. Por exemplo: liquidez diária.

Lembre-se que o CDB está sendo usado como garantia em minhas operações de venda com opções. Ele está lá “preso” na bolsa, para ser usado a qualquer momento, caso a operação precise ser encerrada. Leu ali “a qualquer momento” … ? Se é pra isso, eu não posso usar uma ferramenta de investimento como o Tesouro Direto

Primeiro porque corro o risco de estar em uma janela de negociação (você reparou quantas vezes os negócios com os títulos foram interrompidos na semana passada ?). Graças à altíssima volatilidade dos títulos (a escalada do dólar e a perda da credibilidade fez com que os juros pagos pelos títulos também saltasse), os negócios foram interrompidos praticamente todos os dias. E se eu preciso resgatar algum título para honrar alguma operação ? Ok, teoricamente eu precisaria fazer isso somente no “dia do vencimento” … Mas e se acontecer lá também ? Eu não posso me dar ao luxo de correr esse risco.

Segundo por causa do lado “renda variável” do Tesouro Direto. Como já falei em outra ocasião (leia o post “Usar títulos do Tesouro Direto para o colchão de segurança é válido ?” para entender isso melhor), você só tem a garantia de receber de volta o que investiu, mais juros, se ficar com o título até o dia de seu vencimento. Se precisar resgatar antecipadamente ficará a merce das condições e flutuações do mercado. Na semana passada (quinta-feira, para ser mais exato), vimos um contrato futuro de juros bater em 17% ao ano, para em seguida mergulhar para 16% a.a. … Já pensou se ocorresse o mesmo com o título que você está querendo negociar ? (ok, a velocidade não seria a mesma …)

“Mas pelo menos é de um banco ‘pequeno, né ?”

Além disso a diferença não é tããão absurda assim. Os CDBs que estou usando atualmente me oferecem um retorno de 99% do CDI para alguns, e 100% para outros. Poderia conseguir um retorno mais elevado se fosse para um banco “menor” ? Sim, poderia … Mas abriria mão de algo que tenho ao usar os do meu banco: velocidade. Como a agência fica aqui perto de casa, e a minha gerente é a melhor gerente que já vi até hoje em um banco (olha, já tive muitas experiências …), consigo resolver muita coisa com a velocidade que uma emergência exige. Seja na hora de vincular o CDB à margem, ou de resgatá-lo.

Poderia ter o mesmo em um banco “menos”, com atendimento 100% online ? Talvez … Mas, mais uma vez, preferi não arriscar.

Se o problema é esse, por que não deixar em dinheiro vivo ?

Sim, se você quer ter total tranquilidade sobre a sua margem, tanto para as chamadas, quanto para os resgates (em caso de exercício), você deveria deixar tudo em dinheiro vivo. 100% cash …

O problema é que eu “não posso” abrir mão de 1% ao mês (que é praticamente o valor que a grana rende atualmente no CDB) por causa desse excesso de segurança. O uso do CDB já me dá a segurança – e a tranquilidade – necessária para os procedimentos que envolvem a margem de garantia. Seria um preciosismo muito grande da minha parte, e que traria uma perda considerável de receita à minha estratégia.

Margem de Garantia ≠ Tesouro Direto

Ao menos para mim, é impossível pensar no uso de títulos do Tesouro Direto como margem em operações de venda de opções. (ou de ações alugadas, se for o seu caso)

O risco de surgir algum erro, justo na hora em que você irá precisar do dinheiro, existe e é considerável. Não vejo justificativa de correr esse risco por causa de 15%, 20% de retorno extra, na parte que envolve a parcela de renda fixa da estratégia. Não se esqueça que (teoricamente) ela é a menor parte do rendimento da estratégia como um todo. 😉

Se você consegue usar o Tesouro Direto nesta situação, parabéns ! Você é ninja ! 😀

(Mas que tal repensar isso ? Leve em consideração o que eu falei … Já havia pensado nisso ?)