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A matemática não precisa ser tão exata …

Uma coisa que posso afirmar é que sempre levei uma leve vantagem sobre os outros quando o assunto é investimentos. Qual é ela ? Tenho facilidade – desde sempre – com a matemática. Deixe-me contar uma pequena história …

Eu devia ter uns 7 ou 8 anos … estava no ensino básico e a “tia” passava a lição de casa no quadro negro. Era a parte de matemática da lição. Ela escrevia as equações “dificílimas” de somar e diminuir. Escrevia e eu dava a resposta. Escrevia mais uma e eu dava a resposta. Outra e nova resposta, sempre de bate pronto.

Um belo dia minha mãe é chamada à escola … era a “tia” querendo falar com ela sobre o meu comportamento em sala de aula:”Mãe, o Carlos não pode continuar fazendo o que faz durante as aulas … ele tem atrapalhado muito os colegas …” Minha mãe ficou preocupada, o que estaria eu fazendo que causaria tanta preocupação à professora, a ponto de chama-la para conversar ? Quando ela falou o que era … dá para imaginar a alegria que minha mãe ficou … não ?

A professora alegava que aquilo não poderia continuar, pois atrapalhava o aprendizado dos outros, que eu deveria parar de dar as respostas. (os meus amigos anotavam o resultado que eu falava e não precisavam fazer aquelas questões, hehehe) Minha mãe indagou o porquê coibir ? O certo seria incentivar …

Deu de história das antigas por hoje, hehehe, voltemos ao assunto base do texto.

Com o post “0,8% de rendimento real mensal é uma meta factível ?” um ponto me chamou a atenção – e creio que a dos mais atentos também: Precisamos ser tão precisos em nossos cálculos matemáticos, que a priori servirão apenas para fazermos projeções de nossos rendimentos ? Não seria bem mais fácil usarmos cálculos superficiais, que não exigem um algebrismo muito complexo – e praticamente nenhuma fórmula, para números que servirão como orientação ?

Para chegarmos ao valor “verdadeiro” dos 0,8% somamos a inflação e o IR do investimento, ao invés de usarmos as fórmulas certas para isso. Afinal queríamos um número aproximado … que servisse apenas como “meta”. Tanto era um número aproximado que fiz questão de usar sempre números arredondados, como o caso da inflação mensal ( que por ser juro composto não poderia ser somente inflação anual/12). Chegamos num número – na verdade 2 – 2% ao mês. Com os cálculos adequados, fórmulas, números exatos, chegaríamos em algo perto de … 1,95% aproximadamente. (pois refiz de cabeça, hehehe)

Será que precisamos ser tão xiitas em relação a esses números ?

Vejam, não estou reclamando da posição dos amigos que me chamaram a atenção, vocês estão certíssimos ! Se é para ensinar algo, que se ensine da forma correta. Mas nesse caso eu sugeri desde o início que obteríamos um número aproximado … algo que serviria para termos noção de quanto precisaríamos obter em nossos investimentos.

1,95% para 2% … qual a diferença no longo prazo ?

Esse é um ponto importante que deve ser levado em consideração: no longo prazo pequenas diferenças podem significar grandes diferenças … juro composto meu amigo … juro composto …

Farei uma simulação. Como o tema era aposentadoria, o prazo será 30 anos, com depósitos mensais de R$ 500,00. Usarei dois valores, 1,95% ao mês e 2%. Será que dará muita diferença ? Não custa lembrar que para essa simulação eu precisei tirar os IR de 15% dos rendimentos, antes da simulação. Afinal eles não farão parte do crescimento da carteira. 😉

Os números a serem usados na simulação serão 1,66% e 1,7% respectivamente.

Para 1,95% temos um valor aproximado de R$ 11,5 milhões enquanto para 2% temos R$ 12,9 milhões. “Só” R$ 1,5 milhão de diferença ! 😯

“Pronto !! Viu como é muita diferença ? Precisamos sim trabalhar com tudo exatamente exato !!” Sim … concordo. E como você sabe que a inflação será de exatos 12% em 2036 ?

É só uma simulação ! É só para termos um número – aproximado – que servirá como baliza !!

Pergunto: Vendo o que foi falado no post, você prefere trabalhar com uma meta de 0,8% ao mês ou o número aproximado de 2% ? Não precisa nem responder …

Matemática não exata ajudando muito desde sempre

Mas a maior ajuda que o uso “não exato” da matemática é sem dúvida a facilidade dos cálculos. Só o fato de podermos fazer as contas de cabeça, ao invés de usarmos calculadora e fórmulas mais complexas já vale a “dor de cabeça” que o uso dos números aproximados podem trazer. (com a finalidade de simulação … ok ?)

Pense em quem não tem facilidade, não tem intimidade com a matemática. Será mais fácil ela usar um cálculo aproximado ou um exato … ? 🙂

Ps: Agora … que uma diferença de R$ 1,5 milhão assusta, ahhh se assusta. 😉