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Pergunte ao Pai Rico #71

Pergunta:

Olá amigo, me dê uma dica, tenho uma loja no interior de SC, o ponto é legal, mercadoria boa, facilidade para vender. O problema é, adivinha, para receber ! Como a cidade é pequena ainda existe aquela coisa de todo mundo se conhecer e vender fiado e tal … ai já viu… estou com problemas financeiros. Como posso resolver isso, considerando que toda a concorrência continua vendendo fiado. Penso que só a vista não conseguiria vender nada.

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Fundos de Ações versus compra direta de Ações

Por Maurício Katayama

O objetivo deste texto é explicar ao iniciante as diferenças de se investir em um fundo de ações e comprar ações “diretamente”.

FUNDOS DE AÇÕES

Os fundos de ações são “condomínios” de investidores que contratam um gestor profissional para administrar sua carteira. A princípio parece bom, mas obviamente o gestor cobra pelo serviço, mesmo que resulte em prejuízo.

Quando você investe dinheiro em um fundo, não está realmente comprando ações. O fundo é um condomínio que compra ações (e outras coisas) e você compra cotas (frações) desse condomínio.

Quem decide como, quando e quais os papéis a serem negociados é o gestor do fundo, dentro das regras descritas no prospecto.

Primeiramente, é importante ler no prospecto do fundo se ele tem gerenciamento ativo ou passivo.

Gerenciamento ativo: Compra e vende papéis ativamente na bolsa, com o objetivo de realizar lucro com a oscilação do mercado. São mais arriscados, mas visam uma maior lucratividade. O problema é que se o gestor não for muito bom, perde-se dinheiro ou então tem-se lucros inferiores ao “comprar e reter”.

Gerenciamento passivo: Compra papéis quando entra dinheiro no fundo e vende-os quando precisa do dinheiro para pagar alguém que vai sair do fundo. É o “comprar e reter” só que feito em grupo. O objetivo é lucrar no longo prazo, economizando o dinheiro de corretagem e emolumentos de movimentações freqüentes. O problema é que se o papel cai, o fundo também cai e o gestor não vende as ações.

Ao contrário do que muita gente pensa, os fundos de ações não são compostos apenas pela ação que dá nome ao fundo, mas sim por uma diversidade de papéis. Por exemplo, o fundo BB Ações Petrobrás é composto de aproximadamente 95% de ações da Petrobrás, 3,5% de letras do tesouro e o restante em valores a receber. Você poderia “emular” um fundo destes investindo diretamente 4% no tesouro direto e 96% em ações da Petrobrás.

Também recomendo ler no prospecto se o fundo admite derivativos, e qual a porcentagem máxima que pode ser preenchida com essa modalidade de investimento. Fundos com derivativos são bem mais arriscados, mas também podem proporcionar lucros maiores.

Outra diferença importante diz respeito às taxas. Fundos de ações sempre cobram uma taxa de administração, para remunerar o gestor do fundo. Essa taxa é cobrada quando o fundo dá lucro ou prejuízo, não importa. Dinheiro investido em fundos paga imposto de renda de 15% sobre os lucros e paga CPMF para investir a partir da conta corrente.

Outra característica dos fundos de ações é que eles são lentos pra movimentar o dinheiro. Se você deposita nos fundos, ele só vai contabilizar em D+1 (o dia útil seguinte ao dia em que você aplicou). O resgate é só em D+4. Ou seja, se você vê a ação caindo, caindo, caindo e tira o dinheiro do fundo, leva um bom tempo (de perdas) até o seu dinheiro ser devolvido.

COMPRA DIRETA

Investir em ações pessoalmente requer um cadastro em uma corretora. Você não pode realmente comprar ações diretamente da Bolsa, é necessário a intermediação da corretora. Para cada movimentação (compra ou venda) paga-se corretagem (remunera a corretora) e emolumentos (remunera a bolsa).

Ações são isentas de CPMF e isentas de imposto de renda se você vender menos de R$20.000,00 por mês. Se tiver prejuízo em um dos papéis, pode descontá-lo do lucro de outro papel no pagamento do IR.

O imposto pago sobre ações é mensal e é de responsabilidade do próprio investidor, através de DARF.

Eu sou da opinião que a compra direta de ações é mais vantajosa do que investir em fundos de ações. Basicamente, investindo nos fundos você está dando parte dos seus lucros ao banco. Por outro lado, investir em ações por conta própria requer muito mais estudo e dedicação por parte do investidor, que tem que acompanhar as cotações para fazer um bom negócio e analisar os papéis para investir nos ativos mais adequados ao seu perfil.

EXEMPLO:

Comprando cotas de Fundo de ações Vale do Rio Doce do Banco do Brasil:

– Cobra 15% de Imposto de Renda no saque
– Cobra 0,38% de CPMF se o dinheiro vier da conta corrente
– Cobra 2% de taxa de administração anual

Comprando ações diretamente por corretora que utiliza a tabela de corretagens da Bovespa:

– Corretagem: a taxa da corretora. Para valores entre R$1.514,70 a R$3.029,69 custa 1% mais R$10,06.
– Emolumentos: a taxa da bolsa. Custa 0,035% do valor negociado.

Portanto, para uma aplicação ou saque de R$3.000,00 pago cerca de 1,37% de custo operacional.

RESUMO

Vantagens dos Fundos de Ações:

– Permitem diversificação da carteira com investimento mais baixo;
– Forma mais simples de investimento, pois você não precisa se cadastrar em uma corretora, é possível investir em um fundo de ações do banco onde você já tem conta corrente/investimento;
– Tributação mais simples, pois é retida na fonte;

Desvantagens dos Fundos de Ações:

– Você paga CPMF para aplicar da conta corrente para o fundo;
– Você paga 15% de imposto de renda sobre os lucros;
– Você paga taxas de administração para o gestor do fundo (geralmente de 1% a 4% ao ano);
– Pouca agilidade. Normalmente leva-se D+1 para a aplicação e D+4 para o saque. Se a ação cair bruscamente em um dia, não é possível bloquear a perda saindo do fundo no mesmo dia;

Vantagens de se comprar ações diretamente:

– Isenção de CPMF para a compra de ações;
– Isenção de Imposto de Renda para vendas inferiores a R$20.000,00/mês;
– Agilidade. Dependendo da liquidez dos papéis, um home broker faz a transação em segundos;
– Você pode compor uma carteira da maneira que quiser, adaptada às suas estratégias e perfil; É como usar uma roupa sob medida, ou construir um computador escolhendo as peças que o compõe;
– Não há taxa de administração, embora algumas corretoras cobrem uma taxa para manutenção da conta;
– Os dividendos das ações caem diretamente na sua conta investimento e você decide o que fazer com eles;
– Ganha-se conhecimento ao ganhar/perder com as aplicações na bolsa;

Desvantagens de se comprar ações diretamente:

– É necessário um conhecimento financeiro maior para gerir a própria carteira;
– É necessário acompanhar ativamente sua carteira para maximizar os lucros ou para minimizar as perdas. Não é só “comprar e esquecer”;
– Você tem que se cadastrar em uma corretora;
– Você é o responsável pela declaração do imposto de renda (DARF) que é mensal;

Comprando diretamente as ações você paga corretagem e emolumentos para cada movimentação, embora os fundos de ações também o façam deduzindo estes custos do montante total.

Espero ter ajudado,

Maurício

Ps: Eu não sou contra investir em fundos de ações. São investimentos melhores do que a as outras opções de investimento oferecidos pelas instituições financeiras, eu mesmo tenho investimentos em fundos para fins de diversificação. Entretanto, eu ainda sustento a idéia de que, se for possível para você, é mais vantajoso aprender a operar diretamente suas ações do que remunerar um terceiro para fazê-lo. Com isso você ganha conhecimento e tem um maior controle dos seus papéis. Só que não dá pra aprender a operar da noite pro dia, então o ideal é a pessoa começar aplicando em fundos e gradualmente começar a operar seus papéis. E o melhor, comparar o desempenho da sua gestão com a gestão do fundo. É um ótimo parâmetro, e é divertido de se fazer !

Para aqueles que não podem acompanhar o dia a dia do mercado, não tem segurança para operar por si próprios ou almejam ampla diversificação, os fundos de ações são a escolha mais adequada.

Esquema Ponzi – você conhece esta fraude ?

Por Maurício Katayama

Hoje vou apresentar a vocês o esquema Ponzi, e a finalidade de lhes apresentar esse sistema é evitar que vocês caiam nele e em suas variantes.

Como o esquema se apresenta

Um esquema Ponzi sempre vem disfarçado como sendo um investimento, que promete (e cumpre) lucros altíssimos num curto período de tempo. Eles alegam que os ganhos vem de sistemas complexos porém reais como “sistema alavancado”, “investimento em ações pequenas de excelente potencial”, “operações com hedge e opções” etc.

Você faz um contrato de curto prazo, digamos 30 dias, com um retorno de 20%. Deposita o dinheiro na conta do fraudador e – supreendentemente – 30 dias depois tem de volta o seu dinheiro e com um ganho de exatamente 20%.

O que você faz? A ganância o leva a fazer um segundo contrato, com ainda mais dinheiro (já que o negócio é “seguro e funciona”) e ainda por cima convence um monte de amigos a entrar nessa também.

No mês seguinte: oba! Todo mundo ganhou 20%. No mês seguinte as pessoas vendem a casa, a mãe, o cachorro e botam tudo que tem no esquema, além de trazer todos os amigos e parentes para a festa.

Aí nunca mais vêem a cor do dinheiro.

A realidade

No esquema Ponzi, o fraudador acrescenta 20% do próprio dinheiro ao dinheiro da vítima e devolve pra ela depois de 1 mês.

Depois desta “isca inicial” o fraudador não precisa mais colocar dinheiro do próprio bolso para alimentar o esquema, pois à medida que o negócio se espalha de boca em boca, o dinheiro de novas vítimas vai entrando na conta e o retorno que ele dá aos investidores mais antigos vem da grana dos novos investidores, sempre crescentes, que vão entrando. Neste meu exemplo de 20%, cada novo investidor “paga” os rendimentos de 5 investidores anteriores.

Quando se dá por satisfeito (quando tem otário suficiente em seu esquema), o estelionatário se manda e deixa as vítimas a ver navios.

O inventor

O criador desta fraude foi Charles Ponzi, Italiano radicado nos EUA. Ele chegou na América com 2 dólares e 50 centavos no bolso, pois perdeu o resto do dinheiro com jogos durante a viagem. O esquema dele fraudou milhares de pessoas e causou prejuízos que, se atualizados para os dias de hoje, somariam 3 bilhões de dólares.

Ponzi foi preso, e após cumprir a pena foi imediatamente deportado para a Itália. Trabalhou para a companhia aérea Ala Littoria. Curiosamente acabou vindo parar no Brasil, onde passou seus últimos anos, vivendo na pobreza e morrendo em um hospital público no Rio de Janeiro em 1949 aos 66 anos.

Espero que este alerta tenha sido útil para todos. Fiquem espertos, pessoal, nem só de pirâmide vivem os fraudadores financeiros! Desconfiem de todo esquema “Make Money Fast!”.

IPOs: Todo cuidado é pouco

Por Maurício Katayama

Depois do magnífico IPO da Redecard, notei que o apetite por esse tipo de operação aumentou consideravelmente.

Entretanto gente, é necessário considerar alguns pontos antes de se lançar nessa empreitada.

Primeiro, analisar um IPO não é fácil. Como a empresa não tem antecedentes de negociação na bolsa, a Análise Técnica não poderá ajudar. É necessário antes de mais nada fazer uma boa análise fundamentalista, colher e analisar a maior quantidade de dados possível da empresa, para não entrar numa furada. Antes de botar seu dinheiro num IPO você tem que ler o prospecto – que costuma ter mais de 500 páginas.

Às vezes tenho a impressão que a pessoa tem preguiça de ler o prospecto e fazer a pesquisa, então prefere delegar a tarefa para outra pessoa e simplesmente perguntar num fórum ou blog: “e aí, o investimento é bom ou não?” com a desculpa de que o “guru” que está consultando é mais experiente.

Só que tem um perigo nisso: você nunca sabe quais as reais intenções de um cara que faz análises e comentários sobre a bolsa nos blogs e nos fórums (inclusive eu). E se o sujeito estiver querendo manipular os novatos incautos? Outra coisa é que muitos “gurus” não são tão gurus assim, eles chutam as coisas e esperam que dê certo.

Eu ignoro solenemente a opinião dos “gurus” e prefiro fazer eu mesmo as minhas análises, não me dou a desculpa de ”aquele cara é mais experiente que eu, vou fazer porque ele falou”. Operando assim eu acabo não lendo o prospecto, não caçando informações, não sabendo ler o balanço de uma empresa… ou seja, acabo não aprendendo e ficando sempre na dependência daquela dica ”quente” do cara da internet, que nem sei se é confiável ou não.

Eu vou analisar alguns IPOs disponíveis na Bovespa, e colocarei aqui as minhas impressões que achar relevantes. Mas não deixe que isso arrefeça sua capacidade de aprender a analisar os IPOs, não deixe de fazer as pesquisas e checar por si mesmo. Além disso, eu também não sou tão bom assim, e erro pra caramba. Se você me seguir, vai cair nos mesmos buracos que eu caio, mas o problema é que não vai saber de onde veio o buraco e como sair de lá.

Sobre a pergunta “e aí, esse IPO é bom ou não?” isso não é nada fácil de responder e nunca se tem absoluta certeza da resposta. IPO é como entrar em um túnel escuro, é investimento de alto risco. Reparem que nem mesmo os analistas das corretoras gostam de se pronunciar a respeito.

A idéia de que todo IPO é bom é uma grande furada. Empresas promissoras como Friboi e Ecodiesel tiveram péssima estréia na bolsa, quem entrou nesses IPOs perdeu muito dinheiro. Por isso fica o alerta: não é porque a empresa é boa que se garante o lucro em uma operação como estas.

O que eu recomendo? Deixe a preguiça de lado. Busque notícias a respeito desta empresa. Pesquise. Baixe o prospecto e leia, ou pelo menos folheie as partes mais interessantes. Eu leio a estratégia da empresa para o futuro, o que será feito com o dinheiro captado na IPO, qual o histórico de lucros e o balanço da empresa, o endividamento, quem é o dono da empresa, quais os pontos fracos e os riscos envolvidos no negócio.

Avalie também se está disposto mesmo a arriscar seu dinheiro nesta operação e qual o limite máximo de perda que suporta. O que fará se as coisas derem errado e a ação despencar na estréia? Defina uma porcentagem máxima de perda (stop loss) e pule fora se chegar lá. Defina também uma estratégia de saída em caso de ganhos: você vai ficar com as ações ou pretende vendê-las a curto prazo? Defina uma margem de lucro, e pule fora quando chegar lá. Ou seja, só entre num negócio após definir um plano de saída.