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Colunistas ||| Devedor, Gastador, Poupador ou Investidor?

Sempre houve um questionamento se as escolas devem ou não incluir no currículo escolar a disciplina Educação Financeira. Dever da instituição de ensino ou não, o fato é que as pesquisas apontam para um endividamento cada vez maior por parte dos brasileiros. Cada vez mais podemos presenciar os “estragos” que a falta de uma Educação Financeira faz na vida de muitas pessoas de diferentes classes sociais, o que nos remete a importantes questões: Devemos realmente esperar que o Governo decida se essa disciplina é realmente necessária? Enquanto isso, devemos deixar as nossas finanças nas mãos de instituições financeiras? Certamente não, mas para que isso não aconteça, ou não torne a acontecer, uma série de medidas se fazem necessárias.

Como qualquer outra disciplina, a Educação Financeira não é um conceito que se aprende da noite para o dia. Assim como o aprendizado de Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia e outras disciplinas, requer paciência e dedicação. Contudo, pode ser uma disciplina para se aprender sozinho, por etapas. No inicio parecerá difícil, mas com o tempo, ao se familiarizar com a linguagem financeira, perceberá o quanto é prazeroso ver seu pequeno patrimônio crescer gradativamente.

A Educação Financeira é um conjunto de orientações, métodos e conhecimentos sobre como utilizar os recursos financeiros de forma adequada para atender às necessidades e aos desejos. Assim como administramos tempo, casa, família, trabalho, a Educação Financeira pode ser entendida como uma boa administração das finanças pessoais para se atingir os objetivos.

Para isso, primeiramente é necessário saber em qual estágio você se encontra:

Devedor -> Gastador -> Poupador -> Investidor

Cada estágio tem suas particularidades e migrar para um estágio mais avançado requer sempre mais esforço e dedicação. Qualquer que seja o estágio, acredite ou não, todos querem as mesmas coisas: ganhar mais para saciar suas necessidades ou desejos, ou melhor, ganhar para gastar. É claro que as necessidades são diferentes e isso mostra a própria evolução em cada estágio, mas a forma como isso acontece e a maneira como lidam com as finanças pessoais será fator determinante.

Uma característica básica do estágio Devedor é que ele está sempre devendo alguém. Mal termina uma prestação e já está planejando a outra, em alguns casos o planejamento é tão “bem feito” que uma dívida começa no mês posterior ao término da outra, porque é a única forma que ele consegue obter algum bem. É muito comum frases como: “Eu não consigo guardar o dinheiro”, “Se eu não fizer uma prestação eu não consigo nada”, “Eu não iria comprar, mas estava em promoção”. Sempre há uma justificativa para que ele não admita o óbvio: não sei lidar com o meu dinheiro.

Se você se encontra no estágio do Devedor, significa que você está utilizando recursos de terceiros (cartão de crédito, cheque especial, empréstimos) em demasia, ou seja, você está entre os 60% dos brasileiros que se encontram endividados. A característica básica do devedor é que ele não consegue quitar suas dívidas em dia, muitas vezes, por ocorrer fatos alheios a dívida comprometida.

Em via de regra, ele não se preocupa com as influências externas (inflação, juros, taxas e impostos), pois ele pensa que isso não o afeta, então ele compromete boa parte de sua renda com uma prestação que, a princípio, pode pagar, mas como não estava atento ao ambiente externo e, como ele não se preparou para isso, a inflação aumentou o valor dos bens de consumo essenciais, os impostos e taxas aumentaram as contas do lar e os juros aumentou um pequeno empréstimo que ele possuía.

Conclusão: aquela parcela que se encaixava perfeitamente no orçamento familiar, representa agora motivos de insônia, pois como agora ele gasta muito mais com moradia, alimentação, saúde e transporte, já não consegue honrar com a prestação mensal. Os juros, antes ignorado, agora representa o vilão da dívida aumentado-a em até 100%.

Já no estágio do Gastador, ele não deve ninguém, mas também não sobra dinheiro para mais nada, a não ser as necessidades e desejos imediatos. Em geral, gasta todo o dinheiro do mês, sempre pensa que um aumento de salário resolveria seus problemas, mas esquece-se que suas necessidades aumentam proporcionalmente à sua renda, o que não seria um problema se houvesse um controle. A linha entre o Gastador e o Devedor é tênue, porque ele trabalha sempre com o orçamento ajustado.

Como não há grandes dívidas que comprometam o orçamento, o Gastador sempre está com suas dívidas em dia, mas muitas vezes, por não haver um planejamento em seus desejos, nada sobra para um imprevisto. Com um pouco de esforço e controle, ele migraria facilmente para o próximo estágio: o Poupador.

O Poupador está dois passos a frente dos seus antecessores pois possui duas características determinantes: controle e disciplina. Significa que ele gasta menos do que ganha, então consegue poupar. Administra bem suas finanças, possui sua reserva financeira, mas ao contrário do que muitos pensam, Educação Financeira não se resume em corte de gastos, ou seja, poupar não necessariamente significa investir. O equilibrio das finanças é fundamental para o próximo estágio, mas para aqueles que querem sair da condição de Poupador para Investidor será necessário mais do que um equilibrio financeiro, é necessário conhecimento.

O Investidor transcende ao Poupador, pois neste estágio ele utiliza todo o conhecimento financeiro à seu favor para que os próprios investimentos rendam o suficiente para ele saciar seus desejos e necessidades sem que necessite utilizar a renda própria. Nesta fase, a meta do Investidor é a independência financeira, o que não significa que ele irá deixar de trabalhar, ao contrário, ele irá trabalhar com o que gosta, com o que lhe dá prazer, sem estresse.

Quando se compara a atitude face ao cuidado com as finanças daqueles que são os dois estágios mais opostos – Devedor e Investidor -, verifica-se que existe por parte do Devedor uma maior dependência de recursos de terceiros aonde os juros compostos é o seu principal vilão, ao passo que o Investidor utiliza os juros compostos ao seu favor, usando seu conhecimento para investir em diversas áreas que lhe traga o retorno esperado.

É importante ressaltar que independente do estágio, os objetivos são os mesmos: utilizar a renda para saciar suas necessidades e desejos. É claro que as necessidades e os desejos também são variados e pessoais, mas engana-se quem pensa que o estágio do Poupador e do Investidor é um estágio de privações, ao contrário, isso ocorre sim, no início, mas devido ao controle, tanto o Poupador quanto o Investidor conseguem realizar seus desejos em uma escala bem maior do que o Gastador e o Devedor, porém, com recursos próprios, sem ônus, o que traz mais tranquilidade e um maior universo de satisfações.

A transição entre os estágios não é nada fácil. Contudo, não dá para pular os estágios, ou seja, você não pode passar de Devedor à Investidor, pois terá vários insucessos na vida financeira. Investir quando ainda se está devendo é o pior dos cenários, os juros do capital investido, em geral, são menores do que os juros de uma dívida. É necessário sair da condição de devedor, controlar os gastos, começar a poupar para então investir.

Da mesma maneira, entrar no mercado financeiro sem o mínimo de conhecimento, poderá trazer mais ônus do que bônus. Quanto maior o conhecimento, maior será o entendimento da dinâmica do mercado financeiro.

Silvia Soares é graduando no curso de MBA em Gestão Empresarial, Pós Graduada em Controladoria e Finanças e Graduada em Ciências Contábeis. Atua como Analista de Gestão na maior empresa de saneamento da América Latina. Com experiência prática e acadêmica em finanças de negócios, finanças corporativas, controladoria, empreendedorismo e economia doméstica; utiliza suas experiências empresariais no ramo de Administração e Contabilidade para auxiliar a melhor maneira de dispor os recursos financeiros com a proposta de promover novas perspectivas e alternativas financeiras.