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Colunistas ||| Venda Casada

Todos nós certamente já ganhamos algum presente indesejável. Na hora, tentamos disfarçar a insatisfação com um sorriso amarelo e um muito obrigado, sussurrado. Isso para tentarmos não deixar a pessoa que nos presenteou em uma situação constrangedora.

Pior que ganhar é ter que pagar por algo que não queremos. Muitas crianças se obrigam a comer sanduíches em troca de um presente que vem junto com a comida. Uma espécie de surpresinha em chocolate, que às vezes pode ser indigesta.

Talvez este termo “venda casada” tenha alguma coisa relacionada com o casamento. Costumamos brincar que a sogra é o apêndice de um casamento. Em alguns matrimônios o casamento é um exemplo de venda casada. O homem ou a mulher se casam por amor um ao outro e levam de brinde o amor da sogra e do sogro, que nem sempre é desejável.

Brincadeiras à parte, a verdade é que essa prática, no mínimo antiética, vem se tornando cada vez mais frequente nos serviços a nós oferecidos. Às vezes nem notamos, como por exemplo: televisão por assinatura junto com telefone fixo e internet, televisão digital com conversor digital integrado, telefone celular com planos de consumo mínimo…

Até mesmo o governo pratica venda casada. Já tentou pagar o IPVA de um veiculo sem pagar o SEGURO DPVAT? Seguro deveria ser facultativo, mas não, o governo casa a venda do seguro com o imposto. Para estar em dia com seus impostos deverá comprar um “segurinho” do governo.

Essa prática é extremante frequente dentro das agências bancárias. Um cliente ao entrar em um banco e solicitar empréstimo ou financiamento, é recomendado pelo funcionário da instituição que ele faça um seguro de vida para aumentar o seu relacionamento com o banco.

Ora, o risco de crédito é do banco. Eu, você, nós clientes, não temos nada a ver com isso. Quando o banco define a taxa de juros, isto é, o preço pelo qual ele vai vender o dinheiro para os clientes, ele considera entre outros fatores, a inadimplência do segmento, a idade média e a expectativa de vida de seus clientes. Se ele acha que existe um risco grande neste crédito, ele que procure uma seguradora para proteger-se deste risco e não repasse isso aos clientes.

Geralmente, quem precisa do dinheiro, acaba aceitando comprar o tal “segurinho” ou título de capitalização, com medo de não ter o crédito aprovado, se recusar o presentinho.

Bom, caso todos nós negássemos essa “oferta” e o banco negasse todas as solicitações de empréstimos, o banco iria a falência, pois estaria comprando dinheiro e não conseguindo vender. Os funcionários têm metas de empréstimo também, eles estão loucos para te emprestar o dinheiro solicitado, mas a maioria dos funcionários cresce o olho e tentam ganhar um pouquinho a mais, sugar mais o cliente, eles chamam isso de “fidelização de clientes”. E eu que achava que a fidelização trazia vantagens ao consumidor!

No casamento sim, temos que ser fiéis. Mas se fidelizar a um banco por meio de “vendas casadas”, não é uma boa alternativa! Sejam infiéis e não aceitam este tipo de oferta!

Edgar Abreu é mestrando em Economia pela UNISINOS – RS, graduado em Matemática Licenciatura pela PUC-RS, com especialização em Educação a Distância pelo SENAC-RS e especialização em Finanças pela UFRGS. Possui as certificações da Anbid CPA-10 e CPA-20 e também a certificação de Agente Autônomo de Investimento, concedida pela ANCOR. Professor de cursos preparatórios para certificações e concursos públicos no curso Equipe-Exclusiva, em Porto Alegre. Ex. funcionário do Banco do Estado do Rio Grande do Sul, atualmente trabalha como consultor de finanças pessoais e leciona nos cursos de preparação para certificação da Anbid. (www.certificacaoanbid.com.br)

Certificação Anbid CPA-10Nota do Site:
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Certificação Anbid CPA-10
Edgar Gomes de Abreu | Marla Fernanda Caumo de Aguiar
Ano: 2009
Edição: 1
Número de páginas: 208
Acabamento: Brochura
Formato: MédioCompre seu livro no SubmarinoCompre seu livro na Novatec