Clube do Pai Rico
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Como “fugir da Poupança”

Naturalmente, estamos falando aqui do produto financeiro “Caderneta de Poupança”, o (inexplicavelmente) mais popular investimento do Brasil, e não da “poupança” que vem do ato de poupar (“guardar dinheiro”, que é um pré-requisito para se investir).

Vamos começar falando sobre essa “popularidade” da Caderneta de Poupança. Não há um motivo logicamente aceitável para justificar essa preferência do brasileiro pela Caderneta de Poupança. É um investimento rentável? Definitivamente não… É um investimento líquido? Sim, muito líquido, mas existem outros similares e mais rentáveis. É um investimento seguro? Sim, ela tem o mesmo grau de segurança dos demais depósitos bancários, mas é MENOS segura que, por exemplo, os títulos públicos (negociados no Tesouro Direto). É um investimento “fácil de entender”? Bem… desafio qualquer um a explicar, de forma objetiva, num linguajar acessível para leigos, sem gaguejar e sem “enrolações”, o que é e para que serve a infame “T.R.”…

A única explicação plausível para essa preferência é a cultural. Nós fomos “acostumados” com a Caderneta de Poupança e acreditamos que é um “porto seguro” (o que não deixa de ser verdade, mas nem de longe é o “mais seguro dos portos”).

E a única forma de fugir de uma arapuca criada por nossos hábitos, condicionamentos e crenças, é trabalhando nesses mesmos hábitos, condicionamentos e crenças para deixarmos de ser escravos deles.

Uma forma de (tentar) criar um hábito é ir fazendo aquilo que se está tentando condicionar “aos poucos” e gradativamente. Isso é válido, também, nos investimentos.

Do ponto de vista lógico, o “caminho natural” para um investidor que quer fugir da Poupança seria o Tesouro Direto, então vamos usá-lo como exemplo para ilustrar algo:

Eu conheço muitas pessoas que têm “medo” do Tesouro Direto, mas a maioria dessas pessoas tem menos medo do investimento “em si” e mais medo do processo de investir. Têm medo de se “enrolarem” com corretoras, escolhas de títulos e outras coisas do gênero. Dentro da linha de estabelecer um novo hábito “aos poucos”, por que não abrir uma conta em uma corretora (qualquer uma!) e mandar a quantia menor possível (podem ser até mesmo os 30 reais mínimos exigidos para se investir no Tesouro Direto)?

Aí, investe-se esse valor irrisório apenas para “descobrir o processo” e adquirir segurança nele. A mesma coisa vale para os tão festejados títulos de bancos menores (mais rentáveis e tão seguros quanto os dos grandes bancos). Porém, esses títulos bancários costumam ter um “ticket de entrada” um pouco maior (seriam mais indicados para um “segundo passo”).

De qualquer forma, a melhor maneira de fugir (de vez) da Caderneta de Poupança é aos poucos, de uma forma que se vá ganhando confiança e desenvoltura, especialmente com os agentes financeiros “menos tradicionais” (como corretoras, distribuidoras e bancos pequenos) envolvidos e com as plataformas de investimento.

André Massaro é criador do curso Blueprint, professor de finanças do Instituto Educacional BM&FBOVESPA, autor do blog “Você e o Dinheiro” do Portal EXAME (Editora Abril), apresentador do canal “Seu Dinheiro na TV” do Portal EXAME (Editora Abril), consultor de Economia e Finanças da Rádio Jovem Pan, autor publicado de três livros sobre finanças pessoais e investimentos.

Tesouro Direto para o longo prazo

Quando se fala em investimentos de prazo mais longo, atualmente é difícil não pensar, logo de cara, nos títulos públicos de longo prazo indexados ao IPCA.

Esses títulos são as conhecidas NTN-B do mercado secundário de títulos públicos, que, no Tesouro Direto, recebem o nome de “Tesouro IPCA” e estão disponíveis nas versões com e sem juros semestrais (diferentemente do mercado secundário, onde só há a opção que paga juros semestralmente).

Esses títulos pagam uma taxa de 6% ao ano acima do IPCA (mas a taxa efetiva pode variar, por conta de ágio ou deságio no momento da negociação) e podem ter prazos de até 40 anos, o que, bem… tecnicamente, os enquadra como “longo prazo”.

Atualmente, o vencimento mais longo disponível é 2050 e a grande vantagem de adquirir esses títulos agora é ficar com essa taxa de juros “travada” até o vencimento. Diga-se de passagem, as taxas que esses títulos oferecem atualmente, mesmo com as perspectivas de queda no futuro, são consideradas excepcionais para os padrões internacionais.

O que temos é uma oportunidade única de ficar até 34 anos recebendo uma taxa de juros que pode chegar a 6% ao ano acima do IPCA – algo que, nas economias desenvolvidas, não existe nem em sonho.

Como um investidor iniciante pode montar uma carteira de títulos públicos pensando no longo prazo? A primeira coisa a considerar é que o “Tesouro IPCA”, apesar de ser considerado “pós-fixado”, tem um comportamento de mercado muito mais parecido com um título prefixado. Ou seja, ele pode apresentar grandes oscilações (para cima ou para baixo) antes do vencimento e, por isso, pode acabar dando alguns “sustos” no investidor.

Por isso, a primeira coisa a definir é quanto (em valores) da carteira pode ser alocado para investimentos de longo prazo, para que o investidor deixe esse dinheiro “quietinho” o máximo de tempo possível e não se preocupe com essas oscilações (lembrando que, no vencimento, os valores não sofrem qualquer alteração). O investidor também pode atribuir uma parcela do capital a uma expectativa de prazo médio e deixar uma terceira parcela para liquidez imediata.

A primeira parcela (aquela que, de fato, é de longo prazo), pode ser alocada em títulos realmente longos, com vencimentos como 2035, 2045 e 2050. É aquela parcela do capital “para não mexer”.

A parcela de médio prazo fica com títulos de vencimento até 10 anos, que oscilam menos caso tenham que ser vendidos antes do vencimento. Esta parcela vira uma “segunda linha de defesa”, caso o investidor precise de dinheiro.

Por fim, a parcela de liquidez imediata, que pode ser usada em emergências, fica concentrada totalmente em títulos pós-fixados indexados à Selic.

E nunca é demais falar da acessibilidade. Com investimento mínimo de 30 reais, fica fácil fazer investimentos subsequentes mantendo a mesma proporção.

Com as atuais taxas de juros e com os baixos custos do Tesouro Direto, poucas são as opções mais vantajosas para o longo prazo.

André Massaro é criador do projeto Investidor em Renda Fixa, professor de finanças do Instituto Educacional BM&FBOVESPA, autor do blog “Você e o Dinheiro” do Portal EXAME (Editora Abril), apresentador do canal “Seu Dinheiro na TV” do Portal EXAME (Editora Abril), consultor de Economia e Finanças da Rádio Jovem Pan, autor publicado de três livros sobre finanças pessoais e investimentos.

Ferramentas que vão mudar a forma como você gerencia sua empresa

 

Gerenciar uma empresa nunca é fácil, entretanto você precisa saber que existem ferramentas capazes de te auxiliar nessa difícil tarefa. As opções são inúmeras, mas separamos alguns modelos para você conhecer e mudar a realidade da sua empresa.

São inúmeras funcionalidades, desde gerenciamento de documentos, até organização e-mails e tarefas, para manter a organização você precisa de um software que guarde, gerencie e mensure tudo que está acontecendo ao seu redor.

Pensando nisso, nossa equipe separou três tipos de software indispensáveis para gerenciamento de empresas.

Software ERP

Um velho conhecido das indústrias de médio e grande porte, agora esse modelo foi adaptado também para as microempresas e empresas individuais. Esses softwares organizam e integram tudo na sua empresa, dados e processos em um único sistema, essa forma de gerenciamento ajuda muito na hora de tomador decisões estratégicas para o futuro da empresa, é possível com ele visualizar a empresa como um todo, facilitando na hora de fazer alterações, corrigir erros e melhorar setores.

Algumas vantagens da utilização do ERP são:

– Redução de custos;
– Otimização dos fluxos de informação;
– Redução do tempo dos processos gerenciais;
– Melhoria do controle das operações da empresa;

Para mais informações acesse: http://sistemaserp.org

Software financeiro

Os softwares financeiros vão aposentar as suas planilhas no excel. Na maioria das vezes o software financeiro está localizado na nuvem, ou seja, pode ser acessado de qualquer dispositivo, como tablete, telefone e até o notebook em qualquer lugar do mundo com acesso à internet, assim a localização não é importante, várias pessoas podem acessar ao mesmo tempo de diferentes lugares. Este tipo de software vai facilitar a visualização de dados financeiros, emissão de notas fiscais e documentos fiscais em geral.

Com uma boa gestão financeira através deste software você vai organizar melhor a sua emprese, desde as datas para pagamento de contas, até separar melhor os custos fixos de custos variáveis e montar um planejamento de metas financeiras geral para o seu negócio.

Software BPM

Tecnologias de gerenciamento de processos estão cada vez mais acessíveis para micro e pequenas empresas. Este tipo de software vai ajudar você a mapear e monitorar o andamento dos processos da sua empresa do início ao fim.

Com esse monitoramento a sua empresa pode alcançar uma melhoria na entrega de tarefas e projetos, desde a qualidade na execução até a data em que ele é finalizado.

Para mais informações acesse: http://www.heflo.com

O uso de softwares para pequenas empresas ainda é algo novo no Brasil, mas garantem facilitar o gerenciamento da sua empresa, vale a pena conferir e testar!

*Daniel Belalian é especialista em Marketing Digital; SEO; Curadoria de conteúdo; Planejamento; Blogs; Métricas e Inbound marketing

A incrível geração que aprendeu a pensar fora da caixa e não pôde fazer nada com isso

“Empresas adoram falar que querem profissionais que pensem fora da caixa. Mas quando encontram esse alguém, o excluem imediatamente da caixa.”  —  Saulo Mileti via Daniel Padilha

Fonte: http://arquitetosdacriatividade.com.br/acontece/como-pensar-fora-da-caixa-em-15-passos/

Depois de infindáveis textos sobre essa tal geração Y, me sinto como quando olho horóscopo do signo de escorpião; apesar de não acreditar em nada disso, é sempre muito curioso ver o que os astros dizem sobre o futuro, e nesse signo desgraçado nunca tem coisa boa. É sério! Experimente reparar: “cuidado com a saúde”, “seu rancor pode afetar suas amizades”, “um amor pode estar chegando, mas tenha cautela”. Poxa! Será que não tem nada de bom em ser de escorpião ou da geração que tinha tudo para mudar o mundo e aparentemente não fez?

Antes de mais nada, dificilmente consigo gostar ou concordar com textos sobre essa geração, fica parecendo que todo mundo é frustrado e infeliz, quiçá corajosos, mas inquietos demais para ficar em um emprego que não os agrada. Sem contar que falam como se todas as gerações anteriores tivessem sido sinônimo de sucesso e felicidade, quando sabemos que não.

Acredito muito na expectativa em favor da satisfação. Quanto maior a expectativa, maior a necessidade de entrega. Basicamente, a satisfação está diretamente ligada ao que se espera de algo ou alguém. E assim fizeram nossos avós e pais e faremos com nossos filhos, afinal, projetar no outro nossos próprios medos e fracassos é um dos grandes trunfos da humanidade.

De todas as cláusulas que nos fizeram aceitar sem que pudéssemos olhar os termos de compromisso, a mais estranha de todas talvez tenha sido a ilusão de que as empresas precisam de pessoas que pensem fora da caixa. Esse tem sido o slogan do RH para os jovens durante muito tempo:

Procuramos jovens resilientes, pro-ativos e que pensem fora da caixa

Eu fui uma dessas jovens que acreditou na falsa promessa do encaixe perfeito e senti na pele o efeito de as empresas não saberem o que fazer com pessoas que pensam fora da caixa, que entram nas empresas buscando melhorias de processo e resultados acima da média, sendo que, na verdade, somos tidos como jovens mimados que se sentem especiais.

Essas empresas, de uma maneira geral, querem ser dinâmicas, enxutas e inovadoras, mas, no final do dia, acabam tendo processos burocráticos, falta de dinamismo e a inovação passa a ser só mais um grande argumento de comunicação que, na prática, deixa a desejar.

Como é possível pensar fora da caixa se desde o primeiro dia os funcionários recebem uma rotina bem definida e processos complexos a serem seguidos? Tem dado certo até agora, por que mudar? — dizem. E essa é a parte mais frustrante para qualquer um, por que vocês precisam de pessoas que pensam fora da caixa, se na primeira oportunidade as colocam dentro dela?

É natural que isso incomode, a maioria dessas caixas parece um baú trancado com um código mais difícil de decifrar que o Santo Graal do Da Vinci.

 Fonte: http://www.cocagelada.net/como-pensar-fora-da-caixa/

Apesar de o emprego dar o sustento e garantir o leitinho das crianças, isso não foi o suficiente para aprisionar os inquietos e é exatamente por isso que essa tal ‘geração de rebeldes’ começou a criar coisas fora do que estavam acostumados a lidar.

Startups? Empreendedorismo com pouca necessidade de recursos? Pensar em sustentabilidade? Tecnologias disruptivas? Parcerias e empresas colaborativas? Imagina! Isso seria morte na certa para empresas tradicionais.

E o que parecia impossível aconteceu: incentivaram tanto os jovens a pensar fora da caixa que, para muitos deles — me incluo nessa cesta –, ficou quase impossível se alimentar de um sistema convencional, mas a boa notícia é que não são todos que pensam e agem assim.

Nem todo mundo se encaixa no “faça o que ama e tenha sucesso” e, apesar da maré contrária, a maioria vive muito bem com isso. Substituindo o padrão pela liberdade, poucos conseguem encontrar um caminho de satisfação e retorno disso; sendo bem honesta, é bem raro encontrar o tal caminho.

Muitas pessoas dessa geração mantêm o mesmo emprego desde que começaram suas jornadas profissionais, não são todos que ficam pulando de emprego e empresa, trocando de objetivo todas as vezes que trocam de roupa. Tem perfil para todos os gostos e tamanhos. Não precisamos classificar todo mundo com o mesmo estereótipo, certo?

Assim como, de alguma forma, as empresas começaram a perceber que o que elas precisam mesmo é de pessoas que executem as coisas perfeitamente e que sejam excelentes em seguir os rituais e processos morosos que essas próprias empresas criaram. O que elas ainda não descobriram é o caminho para que, apesar disso, consigam se tornar mais dinâmicas e inovadoras.

Talvez a próxima geração consiga esse feito, ou apenas seja mais uma a tentar fazer o que esperamos dela sem que ofertemos ambientes favoráveis e férteis para isso.

Muitos podem dizer que essa geração não deu certo, e talvez não tenha dado sob as expectativas que criaram para ela. Dizer que uma geração deva ser capaz de mudar o mundo traz, sim, um peso muito grande e uma sensação de que eles sejam especiais. Contudo, é preciso sempre lembrar da complexidade do ser humano, do individualismo de suas escolhas e das próprias limitações.

Ainda assim, para quem consegue olhar de fora da caixa, já é possível ver as transformações que estão ocorrendo. Talvez o ambiente não tenha sido favorável e muitos tenham desistido de fazer melhorias. Mas se essa geração realmente aprendeu a ser resiliente, vai continuar tentando.

Afinal de contas, pensar fora da caixa nada mais é do que ver as coisas a partir de outras perspectivas e procurar criar novos caminhos.


Brunna Paese é consultora de negócios e estratégias e empreende na Vicky & Bardot, Formada em Administração pela Unioeste com MBA em Gestão Estratégica na ISAE/FGV

1% dos ricos

Nessa semana, os principais veículos de comunicação do país publicaram uma reportagem que fala da concentração de riqueza no mundo. Todos citam a ONG britânica Oxfam, quase todos fazendo a mesma análise sobre o cenário, dando a impressão de Ctrl c + Ctrl v da pauta sugerida pelo próprio órgão.

O estudo da Oxfam, fala que de 2010 para cá, a concentração de renda aumentou e que, 62 pessoas detém um acumulo de capital de 1,9 Trilhões de dólares que equivalem ao capital de 50% mais pobres da população mundial, aproximadamente 3,5 bilhões de pessoas. Em 2010, 388 pessoas detinham todo o capital necessário para fins desta comparação.

Mas antes de seguirmos em frente com as muitas conclusões que as pessoas chegaram à partir dessa reportagem, sem ao menos questionar se isso realmente fazia sentido, vamos entender um pouco o que esses números significam e representam em nossa sociedade. Porque toda, toda base de pesquisa, para avançar para o ponto de análise é preciso olhar para a metodologia e para as variáveis.

O que é levado em consideração nesse Ranking?

A Forbes publica diversos rankings contendo estimativa de riqueza através de uma expectativa do balanço patrimonial das pessoas mais ricas do mundo, assim como publica rankings das empresas mais valiosas do mundo, entre outros.

Mas como esse dado é feito? É utilizado para fins de avaliação, o patrimônio declarado por esses indivíduos e uma estimativa de valor de bens, como por exemplo, utiliza-se o valor de uma empresa e fraciona na proporção de ações que o seu sócio-fundador possui, estimando um patrimônio de XBilhões de reais. Além de considerar valorização de imóveis, quadros, iates, entre outros. Algumas pessoas do Ranking confirmam os valores, outras não.

Porém, trabalhamos aqui com expectativas e aproximação, sendo impossível prever o real patrimônio de uma pessoa.

Por que essa informação é importante? Porque de 2010 para cá houve um aumento significativo no valor de mercado da maioria das empresas listadas no Ranking e consequentemente, no impacto dos seus sócios no Ranking de Bilionários. E isso vai fazer diferença na nossa análise lá na frente.

Como é feito o cálculo da base da pirâmide?

Essa questão é até mais interessante do que o valor estimado de um bilionário. A população mais pobre não declara imposto e praticamente não possuem bens para fim de especulação em torno do patrimônio. Então no que essa informação é baseada?

Essa pergunta me intrigou, e fui procurar de onde vem essa informação e para a surpresa, utilizaram uma base de dados da Credit Suisse que considera o patrimônio líquido das pessoas, isso quer dizer que pessoas endividadas contribuem negativamente para esse cenário.

O dado também não considera a informalidade, logo, fica difícil de fato saber se essa base de informação é tão confiável quanto a Oxfam afirma ser.

Quantas pessoas se endividaram de 2010 para cá? Quantas pessoas vivem de forma informal?

Como se utiliza a expressão “população mais pobre do planeta” fica difícil dizer quantos estavam nesse índice e quantos entraram para o índice. Sendo estatística e não indivíduo, é difícil direcionar uma análise para a situação.

Exemplo, a população da Venezuela ou da Grécia ficaram consideravelmente mais pobre de 2010 para cá, o quanto desse fator contribuiu para o índice?

Desigualdade é o suficiente para fins de comparação?

Quando olhamos para o topo e a base da pirâmide vemos um gap, que representa a distância entre o mais pobre para o mais rico. Muitos acreditam que o enriquecimento é fruto do empobrecimento da base da pirâmide, é como se 1 dinheiro passasse para a mão de outra pessoa, e essa por sua vez acumulasse o 1 dinheiro em toda a sua fortuna. Em outras palavras, para o rico ser mais rico, alguém tem que ficar pobre e ser explorado pelos mais ricos.

Se fizéssemos um balanço patrimonial do mundo, o valor deveria ser 0, somando todos ativos e diminuindo de todos os passivos, não poderia haver nem positivo, nem negativo, só se enviássemos nosso dinheiro para Marte, o que não é o cenário, ainda.

O que acontece de fato é que essa conta não fecha faz tempo, existe muito mais dinheiro virtual do que deveria ter. Boa parte disso vem da valorização de bens e empresas, como por exemplo, o Facebook, se a empresa fosse vendida hoje estima-se um valor de mercado, e a partir dele forma-se uma base de cálculo. Mas o Facebook não foi vendido, portanto esse valuation é uma expectativa, diferentemente de faturamento, o quanto de fato a empresa recebe anualmente ou, para fins de avaliação, lucra todo ano.

Por um outro lado, a qualidade de vida do pobre também melhorou com o passar do tempo, há uma evolução em questões primárias e de subsídios de saúde e alimentação que permitem que o pobre de hoje viva melhor que o pobre de ontem.

Segundo o economista Max Roser, o número de pessoas que vivem em situação de extrema pobreza estão diminuindo como mostra o gráfico abaixo:

grafico global da pobreza

A ONU direcionou seus esforços nos últimos anos para contribuir positivamente com esse resultado. Que reconhece o avanço que tivemos nos últimos anos.

Análises

A reportagem trouxe muitas repercussões nas redes sociais, principalmente em relação ao Capitalismo. Tanto da vertente que condena veemente esse sistema, quanto os que o defendem mas questionam a forma de enriquecimento dessas pessoas.

Para isso, precisamos entender outras coisas.

O mal do Capitalismo

Quem são as pessoas mais ricas dessa lista? Analisando os TOP 10, temos fundadores de marcas e empresas de alguns setores da economia, tecnologia, bens consumo, energia + petróleo + gás e um investidor.

Essas empresas, enriqueceram a partir de modelos de negócios que de alguma forma, agregam valor para a sociedade. Mas antes disso, em relação ao questionamento que muitos fazem sobre a exploração, seja de recursos naturais ou de exploração de mão de obra, acreditam que só é possível enriquecer se parte da mão de obra e recursos naturais forem explorados e isso descaracteriza o resultado alcançado.

No total da lista de bilionários, mais de 65% fizeram sua própria fortuna, o que quer dizer que não herdaram suas riquezas e a conquistaram através de seus esforços.

Quando falamos esforços, é preciso salientar e DEIXAR EM CAIXA ALTA E EM NEGRITO, que esforço não é medido pelo tempo ou pela quantidade de desgaste em uma determinada tarefa. Esforços estão relacionados a entrega que essas pessoas fizeram em troca de sua riqueza.

Falando no Bill Gates, o número 1 da lista, que tem seu patrimônio basicamente fruto da empresa Microsoft, podemos dizer que essa empresa ajudou na construção da sociedade que temos hoje e também no impacto que exerce na vida do pobre.

Veja, quando falamos em tecnologia, falamos também de promover o avanço na busca por diagnósticos de doenças, na otimização de trabalho, na acessibilidade, na expansão do conhecimento, entre outros. Mas principalmente, o grande fator dessa riqueza existir é proveniente do quanto o mercado depende dessa solução. Seja por demanda natural ou influenciada, no caso dos Ipads da Apple, por exemplo. O que conta, e o que torna algo valioso monetariamente, é a necessidade de consumo e a eficiência da entrega e do atendimento a essa demanda existente.

Meu amigo, nós financiamos isso. É através do nosso consumo e dos nossos recursos que as empresas mais valiosas do mundo enriquecem.

Parece simples, não é verdade? Acontece que muita gente acredita que ser empresário, ser rico, se bilionário, só é possível se tiver exploração e favorecimento no processo.

Se falarmos de um modelo de negócio mais antigo, e isso se enquadra nos últimos 30 anos, temos sim, cenários onde essas empresas se utilizaram indevidamente de recursos, exploração de mão de obra, favorecimento e afins. Mas muitas dessas empresas passaram a melhorar seus processos e a minimizar o impactam negativo que causam na sociedade.

E aqui cabe a seguinte reflexão: Seria o mundo da forma como conhecemos se não fosse a ganância ou a ambição dessas pessoas? Sem o capitalismo, sem a necessidade do ganho sobre o esforço, teríamos tantos avanços tecnológicos e mudanças positivas na vida das pessoas?

Quantas empresas sem fins lucrativos lançaram produtos ou serviços que impactaram grandiosamente a humanidade?

Seria o capitalismo um mal necessário ou uma necessidade com falhas que precisamos tratar?

Se você tivesse a oportunidade de enriquecer, mas para isso, outra pessoa, consequentemente, enriquecesse 300 vezes mais e fosse passear em Marte, comesse caviar e bebesse champanhe todo dia, você deixaria de buscar a sua própria riqueza, mesmo considerando que você estaria mais distante da base da pirâmide?

É assim que o sistema capitalista funciona. Esse desejo de buscar coisas e formas de financiar melhores oportunidades, saírem de suas condições primárias é que fazem pessoas ganharem mais.

Isso pode ser melhorado? Conseguimos diminuir o estado em que vivem os pobres?

A Oxfam sugere que aumente a taxação de grandes fortunas, acabem com o favorecimento e o envio de dinheiro para paraísos fiscais (eles acreditam que pelo fato do dinheiro ser enviado para esses lugares, os governos perdem por não arrecadarem impostos sobre o montante).

Eu sugiro nesse texto uma mudança na forma como organizamos nossas empresas através da sustentabilidade.

E acredito piamente numa sociedade mais evoluída e com melhores condições de vida para as pessoas. Não numa mudança radical de sistema ou na morte do Capitalismo.

Agora, convido-o a analisar um outro dado dessa lista

Os mais jovens figurantes do seleto grupo de bilionários da Forbes e o grupo dos 10 primeiros bilionários do setor Tecnológico.

top 10 mais ricos idade

Lista dos jovens mais ricos do mundo. (Forbes)

Dos 10 mais novos bilionários da lista, apenas 2 irmãos herdaram suas heranças, os outros 8 construíram seu patrimônio do 0, e o que chama a atenção mas não traz grandes novidades é que essa lista é formada por fundadores de empresas de tecnologia e biotecnologia que em 2010 era praticamente impossível prever. Empresas como Snapchat, Facebook entre outros.

top 10 mais ricos tecnologia

Lista dos 10 mais ricos na área de tecnologia. (Forbes)

Essas empresas trouxeram uma grande expectativa para o mercado, não só na estrutura organizacional enxuta, como no valor de mercado. Empresas como essas hoje valem bilhões de reais sem nem mesmo terem a mesma proporção em termos de faturamento.

Nesse texto, questiono a forma como as startups vem mexendo com o mercado.

Assim como as startups, se observar o cenário, é possível encontrar empresas como o Alibaba, Amazon, Facebook, empresas que mudaram a forma de consumo e de comportamento de boa parte da humanidade. Todos estão entre os 50 mais ricos do mundo. Há uma razão dessas pessoas estarem ali de alguma forma.

E uma coisa não podemos negar, de fato o mundo está mudando, e esse cenário será cada vez mais comum em nossas vidas.

O que posso afirmar é que a Oxfam fez muita gente se questionar, mesmo utilizando-se de estatística e favorecimento de ideias para contemplar sua causa. Verdades averiguadas, não podemos ignorar essa demanda. Mas como utilizá-la?

Será que o capitalismo precisa mesmo morrer para que mais pessoas tenham acesso aos prazeres da riqueza?


Brunna Paese é consultora de negócios e estratégias e empreende na Vicky & Bardot, Formada em Administração pela Unioeste com MBA em Gestão Estratégica na ISAE/FGV