Clube do Pai Rico
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Existe algum investimento que tenha um retorno 100% garantido, de verdade ?

Pergunta:

Prezados,

Existe algum tipo de investimento baixo e com retorno \”garantido\”?
Ou existe algum tipo de curso ou treinamento que ensine os leigos a investir?

Grato,
Walter

Resposta:

Bom dia Walter,

Esta é uma regra básica do mundo dos investimentos: todo e qualquer investimento tem um determinado nível de risco (de perdas) atrelado a ele. É aquela história, aquele ditado que diz que o risco é proporcional ao retorno oferecido, lembra?

Mas … como toda boa regra, existe uma brecha nesta também. Sim, existe um investimento (e somente um único investimento) que é capaz de lhe proporcionar retorno garantido, em 100% dos casos, quando decidimos investir nele. Não, esse não é papo de vendedor, não é conto de fadas, não é nada disso. É apenas a mais pura verdade.

A melhor parte desta história, é que este único investimento 100% livre de risco é um investimento do tipo renda variável. Sim, nada de renda fixa … Ele é do tipo de investimento que lhe permite acessar um nível de retorno muito acima da média. E o melhor, mantendo risco zero.

Outra característica muito interessante dele, é que você tem a capacidade de nunca ficar de fora da “mesa“. É um investimento que lhe permite investir cada vez mais alto, nunca ficando sem “fichas” para continuar “apostando” em uma nova oportunidade. Basta que você queira continuar investindo e tudo está pronto para que você continue lá.

Você duvida ? Não acredita que possa existir tal coisa ? Acha que para ter acesso a ele precisará investir verdadeiras fortunas, pois ele – provavelmente – só está disponível aos investidores com maior poder financeiro, que somente investidores qualificados é que têm permissão para destinar seus recursos para ele ?

Está muito enganado … Este investimento está disponível para todos, independente da situação financeira do interessado. Você consegue imaginar algo que seja tão bom assim ?

Pois bem … este investimento é a EDUCAÇÃO ! Sim, a boa e velha educação. O verdadeiro motor que move todas as coisas, o conhecimento. Quanto mais você investe nele, maiores são as chances de você crescer. Quanto mais você investe, mais ganha. E nunca, nunca mesmo, perderá o que aprendeu. 🙂

Você tenta uma primeira vez. Pode até mesmo não ganhar nada com isso … Mas não perderá o que foi adquirido, ficará lá, guardadinho para um momento mais oportuno. Aquilo que aprendeu poderá ser usado a qualquer momento, basta a situação precisar. Não deu certo ? Volte à “mesa“, estude um pouco mais. Faça um “preço médio” com aquilo que já aprendeu, aumente sua aposta, suas chances aumentarão exponencialmente !

E o melhor de tudo é que as alternativas de investimento nesta modalidade são infinitas e disponíveis para todos os gostos, para todos os bolsos. Não tem muito para investir ? Sem problemas ! Provavelmente encontrará uma “mesa” que não lhe cobre absolutamente nada para entrar naquela “partida“. Tem um pouco mais de grana disponível ? Poderá participar de uma “mesa” um pouco maior, com “jogadores” mais experientes, com possibilidades de ganho ainda maiores.

Não deu certo de novo ? Sem problemas, você continua melhorando o seu “preço médio“. Sua carteira de conhecimento aumentará a cada nova investida. Não há perdas neste caso.

Sério ! Invista, sem medo, em sua educação. Seja ela financeira ou profissional. O retorno é 100% garantido. Pode até não acontecer de forma instantânea … Mas o que você conseguiu acumular será usado a seu favor, em benefício próprio, quando menos você esperar.

Este é um daqueles casos onde o fator sorte fala alto, muito alto. Sabe ?

 

Sorte é estar preparado para a oportunidade quando ela aparece.

Disrael

Espero ter lhe ajudado. 😉

Abraços !

Combater o consumismo é tarefa da Educação Financeira

 

Esta semana vi um documentário muito interessante (e que me deixou estragado) na Netflix: The true cost.

Explore a ligação entre a pressão dos consumidores por alta-costura de baixo custo e a exploração de trabalhadores nas fábricas.

Infelizmente a produtora não disponibilizou o material no youtube, mas o trailer já passa um pouco da ideia do que é apresentado em 1h32min:

 

É aquele tipo de coisa que “sabemos” que existe. Que “combatemos”. Mas que ao mesmo tempo financiamos … 🙁

Não me refiro somente ao valor pago aos trabalhadores das fábricas, mas sim o sistema como um todo. Muitos dizem que devemos boicotar as empresas que adotam tal sistema de produção, mas se o fizermos, não estaremos tirando (em definitivo) a única fonte de renda destas pessoas ?

Eu não sei qual deve ser a melhor atitude a ser tomada nestes casos, pois existem tantos problemas envolvidos … 🙁

A minha parte

Eu tento fazer a minha parte, que é a de não “patrocinar” esse consumismo maluco. Tudo o que compro, compro com a intenção de usar durante um bom tempo. No documentário eles mostram como muitas roupas acabam se tornando descartáveis após 1 ou 2 usos, justamente pelo baixo preço do produto. E se você conhece as consequências do uso de produtos descartáveis sintéticos, sabe muito bem o que acontece com as toneladas e toneladas de roupas que são jogadas fora anualmente …

Mas este não é o único problema. No Haiti, por exemplo, muitas confecções locais tiveram que fechar a porta. Por quê ? Estas roupas descartáveis, ao invés de serem jogadas fora diretamente, são encaminhadas para doação. Atitude louvável, claro. Porém o volume é tão grande, que as pessoas passaram a adotar somente as pilhas (literalmente) de adoção e deixaram de consumir o produto local.

O consumo é importante para manter a roda da economia girando, porém é preciso que tenhamos um certo nível de responsabilidade quanto a isso. Tudo que é exagerado trás problemas, não importa em que área esse conceito for aplicado.

Se você puder, assista ao documentário. Faça com que o máximo possível de conhecidos o vejam. Se possível, discuta o que foi visto. Se conhece alguém que se enquadre no perfil “compro porque tá baratinho e vou usar só uma vez”, reforce um pouco mais o que foi apresentado e fale sobre as consequências (para o bolso da pessoa) de manter tal atitude.

Comprar mais barato é bom, mas não é por isso que vamos comprar já pensando em jogar fora … 🙁

Um texto MUITO ligado ao tema: Por quê que as coisas que compro duram tão pouco ?

Devo quitar minhas dívidas ou formar meu colchão de segurança ?

A bola foi levantada pelos amigos Rodrigo Alcimar nos comentários do excelente artigo de Silvia Soares: tendo alguma dívida, devo quitá-la ou formar meu colchão de segurança ?

Dê uma olhada nos comentários em questão:

Olá,

O texto está excelente, porém uma dúvida apareceu: Tempos atrás fiz um curso de finanças/investimentos onde uma das regras do palestrante era a de guardar os 10% do salário independente da minha situação atual, ou seja, mesmo que eu estivesse devendo cheque especial por exemplo, deveria guardar o dinheiro antes de pagar as contas, pois ele serviria mais tarde para me livrar das dívidas.

Só que sempre ficou a dúvida, se eu guardar na poupança (até se ter suficiente para outra aplicação) 10% de meu rendimento, mesmo que isto signifique ficar devendo cheque especial, no final das contas, o meu rendimento será muito menor do que os juros do cheque. Então, qual é o método mais recomendado?

Abraços e parabéns!
Rodrigo

Não concordo com a ideia de que não se poder guardar ou investir nada enquanto se está endividado, em uma fase ruim, guardei 10% de tudo que ganhava, mesmo deixando de pagar alguma conta no mês, e isso me salvou, quando tive um problema de saúde e precisei de grana, ao invés de me enrolar mais ainda com minhas dividas pude utilizar o dinheiro que estava guardado. Além do mais com dinheiro faltando você consegue diminuir gastos, porque só te resta isso.

As dividas devem ser negociadas, nunca enroladas. Acredito no pagamento das dividas o mais rápido possível, mas sem nunca esquecer de guardar pelo menos 10% para que em caso de emergência não ter que voltar com dividas que já foram pagas ficando num eterno endividamento.

Alcimar

E ai, concorda, discorda ? Ou dá corda ? 🙂

Será que ao destinar 10% para o colchão a pessoa está agindo da melhor maneira ? Está agindo de uma maneira financeiramente inteligente ou apenas criando um escudo “moral” contra problemas de grana futuros ?

Vamos às contas !

Uma pessoa ganha R$ 2.000,00 – portanto “deve” separar R$ 200,00 todos os meses. O dinheiro que é separado vai para um fundo de renda fixa que rende algo perto de 1% ao mês (sim, é um valor alto e raro, mas é um exemplo … ok ?) para formar o colchão de segurança dela. Mas de outro lado ela tem uma dívida de R$ 1.000,00 que cresce numa proporção de 10% ao mês. Vale a pena destinar os R$ 200,00 para o colchão deixando a dívida de lado ? Claro que não ! A dívida crescerá ~R$ 100/mês enquanto o colchão cresce apenas R$ 2,00. A dívida crescerá numa velocidade muito superior ao colchão …

Continue lendo …

Consegui me livrar de todas as dívidas, mereço um prêmio ?

Pergunta:

Bom dia,
Estou fazendo contato estou nervoso e ansioso.

Mas… preciso de ajuda.

Sou um jovem que montou família cedo. Aos 23 anos já tenho esposa e duas lindas filhas.
Como toda história clichê, fechava todo mês no cheque especial, não sabia quanto ganhava muito menos quanto gastava, sempre tinha que pedir dinheiro emprestado para os pais por não ter mais limite no cheque especial.

O destino e a sorte colocou um artigo do site na minha frente, foi onde comecei a ler sobre o assunto de finanças e afins.
E a mágica aconteceu.

E em 8 meses consegui ficar no azul todo mês, não devo mais cartão de credito nem cheque especial e melhor, já juntei metade do meu colchão financeiro.

Agora a pergunta, a duvida que me está deixando em crise existencial…

Gastar o dinheiro do colchão financeiro em uma viagem para praia?

Não é o objetivo desse dinheiro. Mas deixar de viajar?

E agora? O que me diz?

Obrigado pela atenção.

Resposta:

Bom dia,

Obrigado por compartilhar a sua história ! 🙂

Ver que tem jeito, que tem como mudar a situação, é muito importante para que outros deem o primeiro passo na direção de uma solução para os seus próprios problemas. Ver que deu certo para outros, os incentiva a ir atrás do que for preciso para fazer acontecer.

E claro, não poderia deixar de agradecer por ter me permitido (mesmo que indiretamente) te ajudar nesta mudança. 😉

Saber que o Clube tem parcela de culpa nessa história bem-sucedida é muito, mas muito bom mesmo ! 😀

Torço para que o que aconteceu fique enraizado em tua memória. “O que é isso Zé ! Tá pedindo para que o cara fique sofrendo e relembrando uma coisa ruim dessas ?!?” Não é bem isso … O que torço é para que as memórias ruins sirvam como lembrete nos momentos em que a coisa apertar, ou então na hora que possam vir a perder o controle. Lembrando de como era, a pessoa pode se rearranjar e colocar tudo nos eixos, rapidamente.

Parabéns por ter se livrado das dívidas. Podes compartilhar com a gente qual foi o post que te deu o pontapé inicial ?

Agora … sobre o teu questionamento …

Você quer usar o seu colchão de segurança para garantir o seu lazer ? É isso mesmo ?

Você quer fazer uso da sua reserva para emergências, para ir passear na praia, curtir as férias ? … 🙁

Infelizmente não poderei lhe incentivar neste momento. Como sempre digo aqui no Clube: o colchão deve ser usado somente para emergências. Usá-lo para “aproveitar uma oportunidade” é errado. Tira do rumo … Sai do propósito …

Continue lendo …

“Só perde dinheiro quem vende“

Este post foi publicado aqui no Clube em 10 de agosto de 2011, mas como ontem surgiu uma discussão lá no Twitter (já me segue ?) relacionada ao tema, achei importante trazê-lo de volta. 🙂

Para você ter ideia, as duas ações usadas como exemplo nem existem mais …

Leia, e depois deixe sua opinião nos comentários. 😉

—–

Hoje vou falar sobre uma das maiores besteiras que ouvimos no mercado financeiro, especialmente em momentos como o atual, onde tudo cai e o fundo parece não chegar nunca: A pessoa só perde dinheiro num investimento quando vende/zera sua posição.

Antes de qualquer coisa, você concorda com esse pensamento ? Pergunto isso pois você pode estar pensando dessa forma mais por “condicionamento” do que por qualquer outro motivo …

Ok, em termos contábeis a frase é verdadeira, você somente terá um prejuízo contábil a partir do momento em que realizar a venda, em que zerar a posição. Para a Receita Federal você não tem nem lucro nem prejuízo enquanto não zerar posição. Mas e em termos reais, será que a história é assim mesmo ?

Nos últimos dias temos visto muitos investidores (desde sardinhas até TOP 10 da Fortune) alegando estarem “tranquilos” com a queda apresentada até o momento em 2011. (já caiu mais de 26% …)

Alegam estarem tranquilos, pois continuam com as ações em suas carteiras, continuam sendo sócios de empresas reais, que não tiveram prejuízo já que as ações não foram vendidas, que as empresas continuarão gerando dividendos e blá blá blá. Será que é bem assim mesmo ?

Será que alguém que via o extrato de sua carteira de ações apresentando R$ 1.000.000,00 não fica nem um pouco … “afetado” ao ver que ela hoje vale algo próximo a R$ 500.000,00 hoje ? E olha que isso aconteceu com várias ações esse ano … Será que ele não considera a hipótese de ter perdido dinheiro ?

Certo, ele não chegou a ter o R$ 1.000.000,00, afinal de contas ele não vendeu as ações naquele momento. Ou a lógica só vale para quando cai ? “Quando cai eu tenho ações, quando sobe eu tenho dinheiro.” É assim que você pensa ? Ou a coisa vale para os dois casos ou não vale para nenhum deles …

Percebeu como tentamos contornar os problemas criando cenários que nos favoreçam, sempre ? É … essa é a natureza humana, sempre tentando encontrar conforto. Mas … não seria melhor encara-los de frente ?

Quer ver um exemplo de como isso é uma besteira enorme ? Vou dar dois exemplos, que vivi – não exatamente como mostrado no exemplo, ok ? -, quando tive em carteira ações da NET e da VIVO, na época com os códigos PLIM4 e TSPP4. Quem viveu o topo da bolha da internet se lembrará disso.

Hoje a PLIM4 é a NETC4 e a TSPP4 é a VIVO4. Imagine a alegria, e a “fortuna” de quem comprou estas ações no topo – ou próximo dele – e as mantém em carteira até hoje, pensando “Ah, sem problemas, ainda não perdi dinheiro, afinal não vendi as ações.”. Está sentado ? Prepare-se …

O topo da NETC4 foi R$ 464,12 … hoje vale R$ 14,15.

O topo da VIVO4 foi R$ 340,59 … hoje vale R$ 71,80.

Como disse, foram somente dois exemplos que “vivi”, por isso tenho na memória, mas certamente esses não são casos isolados … Será que quem segurou estas ações consegue pensar que “não perdeu dinheiro por não ter vendido” ?

Portanto amigo, assuma: você “perdeu dinheiro” (se preferir amenizar o termo) se o valor da ação no mercado está abaixo do seu preço médio de compra. Não tente se conformar com algo que está conceitualmente errado. Pode até não contar para a Receita, mas o seu bolso sentirá a perda.