E a diferença entre o à vista e o futuro ?
Você está lembrado que há algumas semanas abordei num post um assunto tanto quanto incomum ? (para não dizer inédito …) Nele falava sobre a diferença – enorme, diga-se de passagem – entre a cotação do índice futuro e do índice bovespa. Se não está lembrando, leia-o. 😉
De praxe, a diferença é positiva – a favor do índice futuro -, e de aproximadamente 200 pontos (na atual situação de juros e de pontos do índice) no início de um novo vencimento. Pois bem … em meados de agosto (quando começava a vida da série V) a diferença fugiu um pouco desta regra, a diferença estava próxima a 1.000 pontos, com o à vista valendo mais do que o futuro. Mas como ? 😯
Como disse no outro post, esta diferença é decorrente da taxa de juros embutida no contrato futuro, por causa do seu tempo de vida, entre outros. +- como a gordura existente em uma opção, sabe ? Você aceita pagar um preço mais alto hoje, para ter a garantia de que receberá no dia do vencimento do contrato pelo valor pago, independente do valor que o produto (no caso produto financeiro) esteja no dia. Esta é a diferença – uma delas – de um contrato futuro e de uma opção. No contrato futuro você tem que aceitar o negócio, não importa o valor do ativo “mãe”. Já nas opções você tem um direito de escolha, só dá continuidade caso a cotação do ativo no mercado mostre vantagem para o exercício. Se quiser aprender um pouco mais sobre o funcionamento do mercado de futuro indico a leitura do livro “Mercados futuros“.
Voltando ao post, a “pergunta que não quer calar” é: como anda esta diferença hoje ?
Falei anteriormente, no post indicado no começo deste, que a diferença era estranha, nunca antes tendo sido vista por mim … e que poderia sinalizar algo de muito errado vindo em nossa direção. Como bom curioso que sou, comecei a procurar mais informações sobre o fenômeno. Mas infelizmente não consegui encontrar muita coisa … (para não dizer NADA)
Já que não havia material sobre o assunto, que tal tentar falar com outras pessoas do mercado ? Pessoas com experiência, que já pudessem ter presenciado situação semelhante, o pessoal das corretoras … afinal de contas, quem tem boca vai a Roma. 🙂
De início todos se mostraram espantados com o fato. Diziam que também não tinham lembrança de ter visto algo parecido … e tinham impressão parecida com a minha: algo de muito errado a caminho …
A sensação que isso nos passava era a de que uma queda se aproximava. Porém … o mercado repicou justamente neste momento. “Estranho”, não ? Quem sabe … mas nem tanto. O motivo parecia ser muito maior do que apenas uma “queda” a caminho.
Falando com Flavio Cesar Rosa Lima, da rico.com.vc, algumas teorias foram levantadas e aprofundadas. Em algumas conversas muitos citaram como motivo da diferença a dificuldade do mercado de montar uma operação chamada Carry Cash, que consistia em comprar índice futuro e vender as ações formadoras do índice bovespa. (o mais comum é comprar as ações para depois vender o futuro e desta forma proteger a carteira e embolsar a taxa de juros do contrato futuro …)
A dificuldade em montar a operação vinha do aluguel das ações envolvidas. Ou por estarem “raras” ou por apresentarem taxas de aluguel acima do normal. Ok … algumas ações realmente estão apresentando estas características, com uma em especial: OGXP3




