Clube do Pai Rico
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Você tem alguma grana na poupança ? Talvez tenha uma “mina de ouro” nas mãos …

Não, não estou sendo alarmista.

Não, não estou sendo sensacionalista.

Não, não estou sendo … tá, você entendeu que não estou querendo te enrolar. 🙂

Você leu esse título “Você tem alguma grana na poupança ? Talvez tenha uma “mina de ouro” nas mãos …” e certamente pensou: “Caramba … o Zé endoidou de vez !”, ou algo parecido. Não ?

Se não, agradeço pelo crédito e confiança. Se sim, eu confesso que lhe entendo … mas neste caso é apenas uma constatação de algo que pode vir a acontecer em um futuro nem tão distante (ou utópico) assim …

Você tem uma caderneta de poupança ? Não “se livre” dela hoje …

Vamos por partes.

A caderneta de poupança, a queridinha dos brasileiros, vem levando uma surra de todos os investimentos do tipo renda fixa disponíveis no mercado. Isso é um fato. Com seu rendimento de TR+6% ao ano, ela perde para todos os investimentos oferecidos ao investidor comum. Ok … talvez aquele título de capitalização ou fundo de renda fixa com taxa de administração anual de 5% percam para ela. Mas, isso lá é investimento ? (tá, o fundo é …)

A poupança perde de todo mundo. Apanha feio. Mas … já parou para pensar que estamos próximos de um momento em que ela pode voltar a “brilhar” ? Para explicar isso precisarei entrar na máquina do tempo e voltar ao longínquo ano de 2012.

O que aconteceu em 2012 ? Graças às mudanças na taxa de juros por ordem da Dona mandioca pelo COPOM, quando chegamos a 7,25% ao ano (histórico da SELIC), o governo precisou alterar as regras de rentabilidade da poupança. Afinal, como poderia um investimento isento de IR, “sem risco”, etc etc etc, oferecer um retorno superior ao dos títulos do governo ?

Você está lembrado ? Foi criada uma regra, uma “nova poupança” (indico a leitura do post: “Dê boas vindas à “nova poupança” !“) que ofereceria um rendimento atrelado à SELIC. Quando ela estivesse abaixo de 8,5%, a poupança passaria a oferecer 70% da SELIC + TR. Justamente para manter a atratividade dos outros investimentos de renda fixa …

Pois bem. A alegria durou pouco, a situação complicou, a redução da taxa de juros, na marra, surtiu efeito e a inflação voltou a aparecer. A SELIC subiu, a poupança deixou de oferecer atratividade, e tudo voltou a ser como sempre foi … Como hoje ainda é …

Mas aquela mudança criou uma regra interessante: as cadernetas de poupança criadas antes do dia 04/05/2012 manteriam a rentabilidade tradicional: TR+6% ao ano. As criadas após essa data, 70% da SELIC + TR, quando a SELIC fosse inferior a 8,5% ao ano, e TR+6% com ela acima disso. (sério, leia o post “Dê boas vindas à “nova poupança” !” para entender melhor isso)

TR+6% ao ano … só ?

Só … Em um universo onde as aplicações de renda fixa nos oferecem 12%, 13% ao ano … os 6% da poupança parecem “piada” … Não ?

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A verdade por trás da manchete: Poupança tem retirada recorde para o mês de maio

 

porquinho quebrado

Ontem fomos agraciados com uma notícia interessante e agradável do ponto de vista da Educação Financeira: Poupança tem retirada recorde para o mês de maio. A maior desde 1995. (que foi quando iniciou a série histórica)

#TodosComemoram #SQN

Mas por que esta notícia tão boa não me agrada ? Simples: a comemoração acontece pelo motivo errado. Simples assim.

Por que estão tirando o dinheiro ?

A comemoração ocorre por causa de uma “possível” mudança de mentalidade do brasileiro. Ele estaria saindo da poupança por causa do baixo rendimento oferecido por ela. Com um retorno real negativo no último ano (8,5% contra 10,67%), os poupadores teriam despertado e agora estariam direcionando suas economias para outras modalidades de investimento.

Tesouro Direto, CDB, fundos de renda fixa, são tantas as opções que existem agora … Claro, CDBs de bancos “pequenos”, com rentabilidade acima de 100% do CDI e aporte inicial de “apenas” R$1.000, fundos de renda fixa com taxas abaixo de 1% (quase inexistentes para valores mais baixos), são alternativas viáveis para alguns. Porém ainda não passam de um desejo para outros. Muitos para falar a verdade …

A mudança é natural em uma economia que começa a ganhar mais investidores instruídos. Mas … será que esta é realmente a nossa realidade ? Sinceramente ? Eu não acredito nisso …

Você, que investe nestas outras modalidades de investimento, sabe que a aplicação nelas não é tão trivial quanto ao de uma caderneta de poupança. A mais tradicional forma de investimento dos brasileiros não exige conhecimento algum, apenas o depósito puro e simples em uma “conta do banco”. No caso dos CDBs e dos fundos de investimento, é necessário pelo menos a solicitação de aplicação.

Já para o Tesouro Direto … Infelizmente, por mais simples que a aplicação se mostre atualmente, para uma enorme parcela da população brasileira, o uso da ferramenta ainda é um sonho distante. Abre conta em corretora, acessa o site, escolhe qual o melhor título, o vencimento, etc etc etc … Para esta parte da população (que se bobear é superior a 50%), a coisa é tão “complicada” que tudo torna-se inviável.

Tanto é verdade que existem ~”experts”~ que se aproveitam disso para vender cursos que ensinam como utilizar a ferramenta por quantias módicas. Coisa de “apenas” R$500 … 😯

Se grande parte da população se atrapalha na hora de usar um simples caixa eletrônico, como imaginar que façam uso de ferramentas de investimento mais atrativas ? Não … por enquanto não é este o motivo da “mudança” sugerida pela saída de recursos da poupança. O problema é muito pior … Infelizmente.

É falta de dinheiro, nada mais do que isso

Sim, a falta de dinheiro é o que vem motivando grande parte da população na hora de retirar dinheiro de suas cadernetas de poupança.

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A poupança teve em 2015 o maior volume de recursos sacados da história

E os dados que vínhamos acompanhando durante todo o ano de 2015 se confirmaram no final do ano. É oficial: 2015 entra para a história como sendo o ano onde a poupança apresentou a maior saída líquida de recursos. O valor é impressionante: R$53,5 bilhões

O que estaria por trás disso ? A crise ? A Educação Financeira ? O medo?

Vamos analisar ? 😉

A culpa é da crise

2015 foi um ano difícil. Daqueles que gostaríamos de esquecer. Praticamente todas as áreas que forem analisadas mostrarão resultados decepcionantes. Não é a hora de apontarmos culpados ou de tentarmos encontrar soluções … O que queremos é apenas encontrar algum paralelo disso com a saída da poupança. Certo ?

Desemprego. Inflação. As coisas ficando mais difíceis a cada dia … Isso reflete, na maioria das vezes, onde ? No bolso … 🙁

Sei que são poucos que têm um colchão de segurança, pleno, formado. Mas quem não tem, normalmente tem uma pequena reserva guardada na caderneta de poupança. Por menor que seja … Lembremos que ela é o “investimento” mais usado pela população brasileira. Os motivos são os mais variados, e já falamos sobre isso inúmeras vezes. Está lembrado que até mesmo indicamos o uso da poupança em algumas situações ?

São “apenas” 135 milhões de cadernetas espalhadas pelo país … “Só”. Confesso estranha este número. Afinal isso atinge quase 70% da população (sim, sei que muita gente tem mais de uma, para propósitos diferentes – ex: uma pra viagens, outra pro carro, etc etc), e sabemos que a parcela das pessoas que têm algum capital disponível para aplicar nela está bem longe disso.

Voltando. A coisa aperta, o que você faz ? Vai lá e saca aquele recurso que estava destinado para emergências. Afinal de contas esta é uma emergência. Você precisa recompor seu poder de compra de alguma forma. Sim, primeiro realizamos cortes no orçamento doméstico, mas chega um ponto onde isso não é mais possível e você precisa de outra fonte de recursos para tapar os buracos.

Pronto: a pessoa se dirige ao banco para sacar o que precisa (ou pode) para aliviar as coisas.

A população está mais educada, financeiramente falando

2015 foi caracterizado pelo “despertar”, de certa parcela da população, para o fato de que a poupança é um péssimo negócio. Que deixar seu dinheiro “aplicado” nela é sinônimo de perda. O rendimento dela é menor do que a inflação e, como você sabe, o dragão não perdoa.

Muitos foram o que retiraram dinheiro de suas cadernetas para migrarem para outras oportunidades. A mais alardeada foi o Tesouro Direto e seus benefícios reais, como títulos que te protegem da inflação e ainda garante um ótimo resultado anual. (tivemos títulos pagando IPCA + 7,5% durante o ano)

Eu juro que gostaria de dizer que este é o principal motivo para o péssimo resultado apresentado … Mas confesso que é muito difícil de acreditar que este seja realmente o principal motivo. 🙁

Você imagina quantas contas existam no Tesouro Direto ? Apenas 600 mil … (praticamente o mesmo número de pessoas que investem em ações) Uma parcela muito pequena da população … Ok, anda impede que seja uma parcela do “topo da pirâmide” … Mas isso – na minha opinião – não explicaria a história toda.

Um dia, quem sabe, poderemos dizer isso. Mas acho que ainda não é o momento …

O medo do confisco

No começo do ano um boato surgiu com força em todos os cantos: o governo federal realizaria um confisco da poupança. Adotariam a estratégia usada por Collor, para tentar segurar a inflação.

Sim, muita gente se preocupou com esta possibilidade. Muita gente mesmo … Muitos foram os que sacaram seus recursos e partiram em busca de outra oportunidade de investimento. Não foram pela desvantagem que a poupança apresenta, mas sim por medo de “perder” o que tinham ali.

Sério ! O boato foi forte. Vi gerentes de bancos estatais e confirmando a possibilidade e tirando seu dinheiro. Não sei se fizeram isso numa tentativa de influenciar seus clientes para retirar o dinheiro da poupança, migrando-o para alguma outra oferta (de preferência que ajudasse a atingir suas metas …), ou se foi realmente por medo do confisco.

Não consigo imaginar uma reprise daquilo acontecendo. A experiência foi ruim e muitos creditam parte do processo de impeachment de Collor a isso. Estando a Dilma com a corda no pescoço, ousaria ela adotar estratégia tão controversa ? Duvido …

Mas alguma coisa deixou a poupança por isso …

Resumindo

Então, com 3 possíveis causas apontadas digo: a saída líquida de capital se deve ao conjunto das coisas. Um pouco de cada. Não existe um motivo único e exclusivo.

Agora, surpreendentemente, em dezembro, tivemos uma entrada líquida de quase R$5 bilhões. 😯

Motivo para reacender as chamas da esperança ? Isso seria um sinal de que ao menos a saída estancou um pouco ? (do bolsa da população) Ou de que a galera segurou os gastos no final do ano e conseguiu destinar parte do 13º para ela ?

Quem sabe o dado referente a janeiro/16 nos ajudará a entender um pouco melhor essa informação ? 😉

Contrariando a tudo e a todos, eu digo: USE a poupança !

Não, não fiquei louco. Não, não quero que você perca dinheiro. Não, não quero que você veja seu dinheiro sendo devorado pela inflação … O que eu quero ? Quero falar com aqueles que veem na caderneta de poupança a sua única alternativa de investimento.

Sim meus amigos … vivemos num país rico, com uma enorme falha na distribuição de renda. Muitos têm pouco (ou nada), e alguns sortudos têm muito. Para você ter uma ideia, apenas 2% da população tem um patrimônio superior a U$100 mil dólares. (por que em dólares ? não sei … foi assim que fizeram a pesquisa)

Você consegue imaginar quantas são as pessoas que conseguem destinar R$500,00 mensais aos seus investimentos ? Vou ainda mais fundo: quantas são as pessoas que conseguem direcionar R$100,00 do seu orçamento para investimentos ? Sim, um grupo restrito … por menor que esta quantia possa parecer pouco para você. R$100,00 é mais do que 10% do salário mínimo !! Sabia que 60% da população vive com menos de um salário mínimo ? 😯

Alternativas ao investimento em poupança

O universo de alternativas é grande: CDB, Tesouro Direto, fundos de investimento, LCI, LCA, ações, etc etc etc. Mas destes, quais são os que permitem que alguém que deseje investir menos de R$100,00 tenha acesso ? Somente o Tesouro Direto (aplicação mínima de R$30,00) …

O que é preciso para investir em um título do Tesouro Direto ? Uma conta em um banco, uma conta em uma corretora (pois não é todo banco que tem corretora própria, e pior … não é todo banco que “permite” que a sua corretora seja usada por seus clientes, muitas dificultam ao máximo o acesso), um conhecimento básico de como se usa um computador, um conhecimento um pouco maior sobre o uso da internet, um conhecimento sobre uma parte da matemática … Convenhamos: se muita gente que faz parte daqueles 2% que citei acima, que tem alto nível de escolaridade, familiaridade com computadores, possuiu “amplo acesso” a um banco, nunca nem cogitou investir no Tesouro Direto, como podemos “exigir” que alguém que teria essa barreira de acesso o usasse ?

Não, não estou dizendo que os 60% da população que vive com menos de um salário mínimo seja menos capaz do que o restante da população. O que estou dizendo é que a coisa é muito mais difícil para que ele tenha acesso às ferramentas necessárias para dar um passo adiante. Sim, podemos culpar a falta de educação, em “especial” a financeira … Mas não é hora de tentar apontar os culpados.

Veja bem, para quem ganha R$800,00 por mês, fazer sobrar R$50,00 é um verdadeiro martírio. Consegue imaginar como dar conta de tudo o que precisa ser feito durante um mês, com apenas R$750,00 ? Com R$800,00 já me parece “impossível” … Quem consegue fazer sobrar (por melhor administrador que seja !) qualquer coisa, ganhando apenas R$800,00, já é considerado um herói.

Pois então, me diga: como não posso indicar a poupança para essa pessoa ?!

Dizer que “não coloque seu dinheiro na poupança, de maneira alguma”, não estaria passando o recado errado para uma grande parte da população brasileira ? Não estaria dando a entender que ela, por ter pouco dinheiro disponível, e com acesso a apenas este investimento, não deveria se preocupar em investir, em formar uma reserva, em ter um colchão de segurança ?

Sim ! A caderneta de poupança é um investimento !

Não há o que discutir: por menor que seja a rentabilidade da poupança, por mais que existam alternativas a ela, para muitos esta é a única possibilidade, a única alternativa disponível. Não adianta dizermos que ela perde da inflação, que ela remunera mal o dinheiro ali aplicado, que existe uma “janela de rentabilidade” (os aniversários mensais) … Ela é a única chance de que uma grande parcela da população brasileira veja seu dinheiro “acumular e crescer”.

Portanto, sim … eu, Zé da Silva, indico a poupança para que você aplique seu dinheiro. Mas claro, indico apenas se você está incluído neste universo que citei. Se você é um dos 120 milhões de brasileiros que vive com menos de um salário mínimo por mês … Se você é um dos que consegue fazer sobrar R$10,00 … R$15,00 por mês de uma fortuna tão grande quanto R$800,00 …

Você DEVE usar a poupança, com orgulho. Você é um abençoado ! Você consegue fazer uma coisa que muita gente que ganha R$10.000,00, R$20.000,00 por mês não consegue. Sim, muita gente que ganha muito não consegue economizar um único centavo do que ganha, e ainda vive afundado em dívidas …

Mas … (sempre tem um mas, né ?) use a poupança do jeito certo ! Use-a para direcionar os valores que você consegue poupar todos os meses, por menores que sejam. R$5,00 ? R$10,00 ? Sem problema ! Deposite estes valores na poupança, sua segurança financeira agradece. 😉

Mas (esse é um mas do tipo “bom”, hehehe) assim que o valor acumulado em sua poupança for um pouco maior, parta em busca de algum investimento mais interessante, mais rentável. Você encontrará alternativas (aquelas que citei no começo do texto), provavelmente, dentro do seu próprio banco. Outros tipos de investimento, com aplicação mínima de R$100,00, R$500,00. Podem não apresentar o melhor rendimento do mundo, mas se for um pouco superior ao ofertado pela poupança, já se justifica a migração.

Lembre-se: a melhor função da poupança é servir como ponto de acumulação para uma futura migração para modalidades mais interessantes (e rentáveis) de investimento.

E de novo, se você faz parte deste grupo que citei: meus parabéns ! Você é um herói !! 😀

Governo lutando pelos bancos ! Isso dá gosto de ver ! #SQÑ

É … acredite. O governo federal levantou a bandeira da defesa (aparentemente a “todo custo”) dos bancos no caso onde eles podem ter de arcar com um custo de R$149 bilhões. 😯

Leia a matéria abaixo e depois responda à seguinte pergunta: O dinheiro não é dos poupadores ? Não foram eles os prejudicados na história ? Os bancos não permaneceram com o dinheiro trabalhando para eles ? Então …

Agora querer argumentar que o contribuinte terá que arcar com as custas, pois a Caixa tem “direito” a quase R$50 bilhões deste rombo ? Mas se a grana virá para o poupadores o “ciclo” acaba fechando. Não ?

Mas tudo bem … se acham certo apoiar uma empresa que teve lucro com o dinheiro alheio, deixando que quem tem real direito ao dinheiro ficar a ver navios … fazer o quê ?

🙁

GOVERNO TENTA EVITAR NO STF DERROTA BILIONÁRIA DE BANCOS

Brasília, 22/11/2013 – A equipe econômica do governo faz, desde a semana passada, uma romaria ao Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de evitar uma derrota bilionária dos bancos nos processos que contestam a correção das cadernetas de poupança após a implantação de planos econômicos de combate à inflação nas décadas de 1980 e 1990, uma conta que pode chegar a R$ 149 bilhões.

O cenário descrito aos integrantes do STF pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e por outros ministros do governo é catastrófico para o setor financeiro: redução drástica na concessão de crédito, quebra de bancos e a possibilidade de que sobre para o contribuinte cobrir o rombo que será criado na Caixa Econômica Federal – pelos cálculos do BC, um terço do impacto da decisão acabaria sendo pago pela Caixa, banco com forte atuação na poupança.

O quadro preocupa ainda mais o governo porque a medida seria implementada em 2014, quando Dilma Rousseff tenta a reeleição. Evitar a vitória dos poupadores é algo extremamente impopular. Num ano de eleição, pode ser fatal.

O julgamento do Supremo, que começa na próxima semana, encerrará uma disputa de duas décadas envolvendo milhares de poupadores e as instituições financeiras. No centro da discussão está a aplicação de novos índices de correção das cadernetas de poupança em razão de planos econômicos que se sucediam numa tentativa de conter a hiperinflação que marcou o período. O governo fixava a remuneração da caderneta nos pacotes que baixava para conter a alta dos preços.

Em todas as instâncias judiciais, até o momento, o poupador obteve vitórias. Agora, 10 ministros do STF devem dar um desfecho ao caso – o ministro Luís Roberto Barroso não deve participar do julgamento, pois atuou como advogado antes de ser nomeado para a Corte.

Nas conversas reservadas, de acordo com ministros do STF e integrantes do governo, a equipe econômica afirma que a vitória dos poupadores pode acarretar a quebra de bancos, queda da arrecadação federal, seca no mercado de concessão de crédito e até a necessidade de elevar a carga tributária para capitalizar a Caixa.

Argumento

Os ministros do STF têm recebido visitas e telefonemas com esse discurso afinado. E, nas conversas, emissários do governo Dilma asseguram que não se trata de terrorismo. “É uma fala serena. O resto é o jogo da tribuna”, comentou uma fonte do governo.

Os titulares dos ministérios da Fazenda e da Justiça, do Banco Central e da Advocacia-Geral da União (AGU), além de técnicos das áreas jurídicas desses órgãos e da Casa Civil, passam ainda a avaliação de que, confirmada a derrota dos bancos, a lenta retomada do crescimento econômico ficará ainda mais distante. “Com a diminuição de crédito, a atividade econômica atingida, geração de emprego e renda atingidos, vamos ter um pibinho da Dilma… é sério”, disse a fonte.

O temor é o de que alguns bancos acabem não suportando o valor que terão de pagar aos correntistas caso o STF julgue que os poupadores tinham direito a porcentual acima do que definido pelos planos econômicos. Essas perdas, conforme o BC, ainda não foram provisionadas. A autoridade monetária só determinará o provisionamento quando o Supremo decidir. A conta equivale a um quarto do capital dos bancos do País. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.