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“Nova” poupança: e não é que ela está de volta ?!!!

Criada em maio de 2012, por conta da redução nas taxas de juro vivenciada naquele momento, a nova poupança tinha uma regra simples: cadernetas criadas após 4 de maio de 2012 passariam a render 70% da taxa SELIC quando essa viesse para um patamar inferior ao de 8,5% ao ano.

Se você não “viveu” aquele momento, sugiro a leitura do post “Dê boas vindas à “nova poupança” !” para entender melhor o ocorrido. 😉

Pois bem … lembra que em fevereiro deste ano eu aventei a possibilidade de que algumas pessoas teriam em suas mãos “minas de ouro” em um futuro utópico ? Parece que esse momento não está mais tão distante e o primeiro passo foi dado.

Qual foi esse primeiro passo ? A caderneta de poupança voltar a render os 70% da SELIC por termos uma taxa anual de 8,25%. Sim, na última quarta-feira o COPOM reduziu a taxa de juros em 1 pp e isso foi o gatilho para o retorno da regra da nova poupança.

É moooo kiridu, a poupança agora rende apenas 5,78% ao ano. É … praticamente a mesma coisa que rendia até então, mas menos do que antes. 🙂

O que você mais verá neste momento serão pessoas crucificando o investimento em poupança. O quão pouco ela rende, que você perde dinheiro, etc etc etc … Ignorando que, infelizmente, ela é a única opção para MUITAS pessoas.

Lembra que falei sobre isso em um post e em um vídeo ?

Sim, se você tem o capital necessário para ir para outro tipo de investimento “nem cogite” ir para a poupança. Mas se você não consegue destinar um valor necessário para tal, mesmo com o baixo rendimento, ela é uma alternativa para que você possa criar sua reserva. Melhor você ter uma caderneta de poupança, onde cria o hábito de poupar, onde o dinheiro rende alguma coisa, do que deixar na conta corrente parado “lhe implorando para ser usado”. É … muita gente não consegue resistir a isso. 🙁

E agora com a volta da “nova” poupança a coisa fica ainda pior. E como nada que está “ruim” não pode ficar ainda pior … a expectativa é que até o final do ano ela venha a render ainda menos. Muitos já apontam SELIC nos 7% ao ano para dezembro. Com isso a caderneta de poupança passaria a render 4,9% ao ano. 😯

Pouco ? É … Mas de novo: melhor pouco do que nada.

Não, você que consegue separar R$50, R$100 por mês não deve destinar essa grana para a poupança. Existem inúmeras alternativas disponíveis em qualquer banco/corretora para esse patamar de investimento. (eu sei que existem bancos com CDB de 100% do CDI para valores a partir de R$1, mas são raridades !)

A poupança é justamente para aqueles que não conseguem tal quantia.

Repetindo: é ruim ? É … mas é melhor do que nada.

Se você tem um valor acima de R$100 na poupança, e ela já está na regra nova, está perdendo dinheiro. Parta para alguma das n alternativas existentes. Ainda não tem ? Use-a (mesmo rendendo pouco) até chegar neste montante.

E não, eu não tenho vergonha alguma em dizer para que as pessoas mais simples e que só podem poupar valores muito pequenos usem a poupança. É desta forma que elas passarão a enxergar a realidade, que conseguirão ver do outro lado do espelho. É experimentando o que há de “pior” no mundo dos investimentos que ela poderá conhecer os conceitos básicos.

Dê as boas-vindas (de novo) para ela, use-a enquanto for necessária, e fuja assim que possível. 😉

Como “fugir da Poupança”

Naturalmente, estamos falando aqui do produto financeiro “Caderneta de Poupança”, o (inexplicavelmente) mais popular investimento do Brasil, e não da “poupança” que vem do ato de poupar (“guardar dinheiro”, que é um pré-requisito para se investir).

Vamos começar falando sobre essa “popularidade” da Caderneta de Poupança. Não há um motivo logicamente aceitável para justificar essa preferência do brasileiro pela Caderneta de Poupança. É um investimento rentável? Definitivamente não… É um investimento líquido? Sim, muito líquido, mas existem outros similares e mais rentáveis. É um investimento seguro? Sim, ela tem o mesmo grau de segurança dos demais depósitos bancários, mas é MENOS segura que, por exemplo, os títulos públicos (negociados no Tesouro Direto). É um investimento “fácil de entender”? Bem… desafio qualquer um a explicar, de forma objetiva, num linguajar acessível para leigos, sem gaguejar e sem “enrolações”, o que é e para que serve a infame “T.R.”…

A única explicação plausível para essa preferência é a cultural. Nós fomos “acostumados” com a Caderneta de Poupança e acreditamos que é um “porto seguro” (o que não deixa de ser verdade, mas nem de longe é o “mais seguro dos portos”).

E a única forma de fugir de uma arapuca criada por nossos hábitos, condicionamentos e crenças, é trabalhando nesses mesmos hábitos, condicionamentos e crenças para deixarmos de ser escravos deles.

Uma forma de (tentar) criar um hábito é ir fazendo aquilo que se está tentando condicionar “aos poucos” e gradativamente. Isso é válido, também, nos investimentos.

Do ponto de vista lógico, o “caminho natural” para um investidor que quer fugir da Poupança seria o Tesouro Direto, então vamos usá-lo como exemplo para ilustrar algo:

Eu conheço muitas pessoas que têm “medo” do Tesouro Direto, mas a maioria dessas pessoas tem menos medo do investimento “em si” e mais medo do processo de investir. Têm medo de se “enrolarem” com corretoras, escolhas de títulos e outras coisas do gênero. Dentro da linha de estabelecer um novo hábito “aos poucos”, por que não abrir uma conta em uma corretora (qualquer uma!) e mandar a quantia menor possível (podem ser até mesmo os 30 reais mínimos exigidos para se investir no Tesouro Direto)?

Aí, investe-se esse valor irrisório apenas para “descobrir o processo” e adquirir segurança nele. A mesma coisa vale para os tão festejados títulos de bancos menores (mais rentáveis e tão seguros quanto os dos grandes bancos). Porém, esses títulos bancários costumam ter um “ticket de entrada” um pouco maior (seriam mais indicados para um “segundo passo”).

De qualquer forma, a melhor maneira de fugir (de vez) da Caderneta de Poupança é aos poucos, de uma forma que se vá ganhando confiança e desenvoltura, especialmente com os agentes financeiros “menos tradicionais” (como corretoras, distribuidoras e bancos pequenos) envolvidos e com as plataformas de investimento.

André Massaro é criador do curso Blueprint, professor de finanças do Instituto Educacional BM&FBOVESPA, autor do blog “Você e o Dinheiro” do Portal EXAME (Editora Abril), apresentador do canal “Seu Dinheiro na TV” do Portal EXAME (Editora Abril), consultor de Economia e Finanças da Rádio Jovem Pan, autor publicado de três livros sobre finanças pessoais e investimentos.

Você tem alguma grana na poupança ? Talvez tenha uma “mina de ouro” nas mãos …

Não, não estou sendo alarmista.

Não, não estou sendo sensacionalista.

Não, não estou sendo … tá, você entendeu que não estou querendo te enrolar. 🙂

Você leu esse título “Você tem alguma grana na poupança ? Talvez tenha uma “mina de ouro” nas mãos …” e certamente pensou: “Caramba … o Zé endoidou de vez !”, ou algo parecido. Não ?

Se não, agradeço pelo crédito e confiança. Se sim, eu confesso que lhe entendo … mas neste caso é apenas uma constatação de algo que pode vir a acontecer em um futuro nem tão distante (ou utópico) assim …

Você tem uma caderneta de poupança ? Não “se livre” dela hoje …

Vamos por partes.

A caderneta de poupança, a queridinha dos brasileiros, vem levando uma surra de todos os investimentos do tipo renda fixa disponíveis no mercado. Isso é um fato. Com seu rendimento de TR+6% ao ano, ela perde para todos os investimentos oferecidos ao investidor comum. Ok … talvez aquele título de capitalização ou fundo de renda fixa com taxa de administração anual de 5% percam para ela. Mas, isso lá é investimento ? (tá, o fundo é …)

A poupança perde de todo mundo. Apanha feio. Mas … já parou para pensar que estamos próximos de um momento em que ela pode voltar a “brilhar” ? Para explicar isso precisarei entrar na máquina do tempo e voltar ao longínquo ano de 2012.

O que aconteceu em 2012 ? Graças às mudanças na taxa de juros por ordem da Dona mandioca pelo COPOM, quando chegamos a 7,25% ao ano (histórico da SELIC), o governo precisou alterar as regras de rentabilidade da poupança. Afinal, como poderia um investimento isento de IR, “sem risco”, etc etc etc, oferecer um retorno superior ao dos títulos do governo ?

Você está lembrado ? Foi criada uma regra, uma “nova poupança” (indico a leitura do post: “Dê boas vindas à “nova poupança” !“) que ofereceria um rendimento atrelado à SELIC. Quando ela estivesse abaixo de 8,5%, a poupança passaria a oferecer 70% da SELIC + TR. Justamente para manter a atratividade dos outros investimentos de renda fixa …

Pois bem. A alegria durou pouco, a situação complicou, a redução da taxa de juros, na marra, surtiu efeito e a inflação voltou a aparecer. A SELIC subiu, a poupança deixou de oferecer atratividade, e tudo voltou a ser como sempre foi … Como hoje ainda é …

Mas aquela mudança criou uma regra interessante: as cadernetas de poupança criadas antes do dia 04/05/2012 manteriam a rentabilidade tradicional: TR+6% ao ano. As criadas após essa data, 70% da SELIC + TR, quando a SELIC fosse inferior a 8,5% ao ano, e TR+6% com ela acima disso. (sério, leia o post “Dê boas vindas à “nova poupança” !” para entender melhor isso)

TR+6% ao ano … só ?

Só … Em um universo onde as aplicações de renda fixa nos oferecem 12%, 13% ao ano … os 6% da poupança parecem “piada” … Não ?

Continue lendo …

A verdade por trás da manchete: Poupança tem retirada recorde para o mês de maio

 

porquinho quebrado

Ontem fomos agraciados com uma notícia interessante e agradável do ponto de vista da Educação Financeira: Poupança tem retirada recorde para o mês de maio. A maior desde 1995. (que foi quando iniciou a série histórica)

#TodosComemoram #SQN

Mas por que esta notícia tão boa não me agrada ? Simples: a comemoração acontece pelo motivo errado. Simples assim.

Por que estão tirando o dinheiro ?

A comemoração ocorre por causa de uma “possível” mudança de mentalidade do brasileiro. Ele estaria saindo da poupança por causa do baixo rendimento oferecido por ela. Com um retorno real negativo no último ano (8,5% contra 10,67%), os poupadores teriam despertado e agora estariam direcionando suas economias para outras modalidades de investimento.

Tesouro Direto, CDB, fundos de renda fixa, são tantas as opções que existem agora … Claro, CDBs de bancos “pequenos”, com rentabilidade acima de 100% do CDI e aporte inicial de “apenas” R$1.000, fundos de renda fixa com taxas abaixo de 1% (quase inexistentes para valores mais baixos), são alternativas viáveis para alguns. Porém ainda não passam de um desejo para outros. Muitos para falar a verdade …

A mudança é natural em uma economia que começa a ganhar mais investidores instruídos. Mas … será que esta é realmente a nossa realidade ? Sinceramente ? Eu não acredito nisso …

Você, que investe nestas outras modalidades de investimento, sabe que a aplicação nelas não é tão trivial quanto ao de uma caderneta de poupança. A mais tradicional forma de investimento dos brasileiros não exige conhecimento algum, apenas o depósito puro e simples em uma “conta do banco”. No caso dos CDBs e dos fundos de investimento, é necessário pelo menos a solicitação de aplicação.

Já para o Tesouro Direto … Infelizmente, por mais simples que a aplicação se mostre atualmente, para uma enorme parcela da população brasileira, o uso da ferramenta ainda é um sonho distante. Abre conta em corretora, acessa o site, escolhe qual o melhor título, o vencimento, etc etc etc … Para esta parte da população (que se bobear é superior a 50%), a coisa é tão “complicada” que tudo torna-se inviável.

Tanto é verdade que existem ~”experts”~ que se aproveitam disso para vender cursos que ensinam como utilizar a ferramenta por quantias módicas. Coisa de “apenas” R$500 … 😯

Se grande parte da população se atrapalha na hora de usar um simples caixa eletrônico, como imaginar que façam uso de ferramentas de investimento mais atrativas ? Não … por enquanto não é este o motivo da “mudança” sugerida pela saída de recursos da poupança. O problema é muito pior … Infelizmente.

É falta de dinheiro, nada mais do que isso

Sim, a falta de dinheiro é o que vem motivando grande parte da população na hora de retirar dinheiro de suas cadernetas de poupança.

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A poupança teve em 2015 o maior volume de recursos sacados da história

E os dados que vínhamos acompanhando durante todo o ano de 2015 se confirmaram no final do ano. É oficial: 2015 entra para a história como sendo o ano onde a poupança apresentou a maior saída líquida de recursos. O valor é impressionante: R$53,5 bilhões

O que estaria por trás disso ? A crise ? A Educação Financeira ? O medo?

Vamos analisar ? 😉

A culpa é da crise

2015 foi um ano difícil. Daqueles que gostaríamos de esquecer. Praticamente todas as áreas que forem analisadas mostrarão resultados decepcionantes. Não é a hora de apontarmos culpados ou de tentarmos encontrar soluções … O que queremos é apenas encontrar algum paralelo disso com a saída da poupança. Certo ?

Desemprego. Inflação. As coisas ficando mais difíceis a cada dia … Isso reflete, na maioria das vezes, onde ? No bolso … 🙁

Sei que são poucos que têm um colchão de segurança, pleno, formado. Mas quem não tem, normalmente tem uma pequena reserva guardada na caderneta de poupança. Por menor que seja … Lembremos que ela é o “investimento” mais usado pela população brasileira. Os motivos são os mais variados, e já falamos sobre isso inúmeras vezes. Está lembrado que até mesmo indicamos o uso da poupança em algumas situações ?

São “apenas” 135 milhões de cadernetas espalhadas pelo país … “Só”. Confesso estranha este número. Afinal isso atinge quase 70% da população (sim, sei que muita gente tem mais de uma, para propósitos diferentes – ex: uma pra viagens, outra pro carro, etc etc), e sabemos que a parcela das pessoas que têm algum capital disponível para aplicar nela está bem longe disso.

Voltando. A coisa aperta, o que você faz ? Vai lá e saca aquele recurso que estava destinado para emergências. Afinal de contas esta é uma emergência. Você precisa recompor seu poder de compra de alguma forma. Sim, primeiro realizamos cortes no orçamento doméstico, mas chega um ponto onde isso não é mais possível e você precisa de outra fonte de recursos para tapar os buracos.

Pronto: a pessoa se dirige ao banco para sacar o que precisa (ou pode) para aliviar as coisas.

A população está mais educada, financeiramente falando

2015 foi caracterizado pelo “despertar”, de certa parcela da população, para o fato de que a poupança é um péssimo negócio. Que deixar seu dinheiro “aplicado” nela é sinônimo de perda. O rendimento dela é menor do que a inflação e, como você sabe, o dragão não perdoa.

Muitos foram o que retiraram dinheiro de suas cadernetas para migrarem para outras oportunidades. A mais alardeada foi o Tesouro Direto e seus benefícios reais, como títulos que te protegem da inflação e ainda garante um ótimo resultado anual. (tivemos títulos pagando IPCA + 7,5% durante o ano)

Eu juro que gostaria de dizer que este é o principal motivo para o péssimo resultado apresentado … Mas confesso que é muito difícil de acreditar que este seja realmente o principal motivo. 🙁

Você imagina quantas contas existam no Tesouro Direto ? Apenas 600 mil … (praticamente o mesmo número de pessoas que investem em ações) Uma parcela muito pequena da população … Ok, anda impede que seja uma parcela do “topo da pirâmide” … Mas isso – na minha opinião – não explicaria a história toda.

Um dia, quem sabe, poderemos dizer isso. Mas acho que ainda não é o momento …

O medo do confisco

No começo do ano um boato surgiu com força em todos os cantos: o governo federal realizaria um confisco da poupança. Adotariam a estratégia usada por Collor, para tentar segurar a inflação.

Sim, muita gente se preocupou com esta possibilidade. Muita gente mesmo … Muitos foram os que sacaram seus recursos e partiram em busca de outra oportunidade de investimento. Não foram pela desvantagem que a poupança apresenta, mas sim por medo de “perder” o que tinham ali.

Sério ! O boato foi forte. Vi gerentes de bancos estatais e confirmando a possibilidade e tirando seu dinheiro. Não sei se fizeram isso numa tentativa de influenciar seus clientes para retirar o dinheiro da poupança, migrando-o para alguma outra oferta (de preferência que ajudasse a atingir suas metas …), ou se foi realmente por medo do confisco.

Não consigo imaginar uma reprise daquilo acontecendo. A experiência foi ruim e muitos creditam parte do processo de impeachment de Collor a isso. Estando a Dilma com a corda no pescoço, ousaria ela adotar estratégia tão controversa ? Duvido …

Mas alguma coisa deixou a poupança por isso …

Resumindo

Então, com 3 possíveis causas apontadas digo: a saída líquida de capital se deve ao conjunto das coisas. Um pouco de cada. Não existe um motivo único e exclusivo.

Agora, surpreendentemente, em dezembro, tivemos uma entrada líquida de quase R$5 bilhões. 😯

Motivo para reacender as chamas da esperança ? Isso seria um sinal de que ao menos a saída estancou um pouco ? (do bolsa da população) Ou de que a galera segurou os gastos no final do ano e conseguiu destinar parte do 13º para ela ?

Quem sabe o dado referente a janeiro/16 nos ajudará a entender um pouco melhor essa informação ? 😉