Para ganhar dinheiro no mercado de ações, é preciso aprender a perdê-lo antes. É preciso ver R$ 10.000,00 investidos se transformarem em R$ 8.000,00 e não fazer nada — e, se possível, comprar ainda um pouquinho mais. Se você tem R$ 100.000,00 investidos, tem que ter sangue frio para ver R$ 30.000,00, R$ 40.000,00 irem embora rapidamente, em questão de semanas.
Vimos como isso pode acontecer em 2008. Naquela época, eu estava começando a investir em ações, e decidi apostar no longo prazo, adotando, desde o início, a estratégia Buy and Hold – comprar empresas boas a preços módicos, e mantê-las em minha carteira de investimentos pelo maior prazo possível. Comecei a comprar, todo mês, faça chuva ou faça sol, um pouquinho de ações. Nesse processo, acabei me saindo bem na crise: fiz um preço médio baixíssimo e, quando as ações começaram a se recuperar no final daquele ano e em 2009, tive um bom lucro. Não vendi uma única ação na pior crise das últimas décadas e ainda tive lucro muito superior à renda fixa, no fim das contas! Me saí melhor do que muitos investidores que se assustaram com a crise e saíram do mercado. Descobri que pior do que ficar no mercado no meio de uma crise, é sair dele por causa da crise.
Aprendi a perder dinheiro e só por isso comecei a ganhá-lo. Enfrentei a crise de 2008 com muita serenidade, e hoje me sinto como um monge japonês: mesmo que a crise atual leve a alguns anos de recessão em todo mundo, estou absolutamente tranquilo. Continuo sem vender nenhuma ação e compro um pouquinho todo mês. O objetivo é me tornar sócio de algumas das melhores empresas do Brasil, com a certeza de que elas me darão retorno no futuro, porque confio na sua administração. Confio no futuro da economia, por mais bobagem que os governantes, bancos centrais e economistas possam fazer.
Essa tranquilidade me fez projetar meu futuro financeiro a longo prazo: não importa o que aconteça no curto prazo (1, 2, 5, 10 anos). Quero retorno daqui a 30 anos! Se os preços de ações de boas empresas for ao chão, tanto melhor, pois as comprarei, aos poucos, e a preços baixos — e isso fará toda a diferença no futuro.
Acompanhe meu raciocínio: vamos projetar o que aconteceria com alguém que investe em uma empresa cujos preços estão sempre caindo, apesar de seus lucros estarem sempre em crescimento pequeno, por conta da conjuntura econômica pessimista. Digamos que R$ 10.000,00 são investidos por ano, mas por 10 anos os preços caem. Digamos que as cotações caiam a uma taxa de 10% ao ano, e que os lucros cresçam a uma taxa modesta, de 8% ao ano. Se considerarmos que no primeiro ano a cotação média da ação é de R$ 10,00 e o lucro por ação é de R$ 1,00, teríamos a seguinte projeção:


Com a frase acima Elvis Pfutzenreuter, autor de
Muitos corretores de imóveis angariam clientes com a promessa de que esse investimento é seguro, isento de riscos, e tem a rentabilidade garantida. Com a crescente oferta de crédito a juros mais baixos que tem ocorrido no país desde 2003, o preço dos imóveis disparou a taxas “chinesas”, como é costume dizer hoje em dia. Com o aumento do crédito, as pessoas têm a disposição mais dinheiro para adquirir a tão sonhada casa própria. Com mais dinheiro no mercado, a demanda cresce mais forte do que a oferta, o que leva a uma escalada de preços. Esse panorama levou a uma valorização expressiva em várias cidades do país, cujos imóveis chegaram a ter uma rentabilidade de 20% ou 25% ao ano durante 4 ou 5 anos seguidos. À taxa de 25% ao ano, um imóvel que custasse R$ 100.000,00 em 2006 estaria valendo, hoje, aproximadamente R$ 244.000,00.
A primeira coisa que um gerente de banco pergunta a alguém que pretende investir é: “Você é agressivo, moderado ou conservador?” Segundo o manualzinho que eles seguem, você deve investir em ações apenas se tiver um perfil moderado ou agressivo; se você é conservador, invista apenas em renda fixa.
Uma resposta possível para esta pergunta é “NUNCA”! Digamos que você tenha comprado ações de uma empresa excelente, recebeu bons dividendos durante o período em que ela esteve em sua carteira e os reinveste para adquirir novas ações. Além disso, já tem a ação em sua carteira de investimentos por um bom tempo e lucros fantásticos com a valorização da ação. É natural que você comece a pensar em vendê-las. Um pensamento de “acho que ela já deu o que tinha que dar” pode passar pela sua cabeça.


