Clube do Pai Rico
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Pago minhas dívidas ou uso o dinheiro para investir ?

Pergunta:

Olá,
tenho 26 anos e depois de 5 anos morando sozinha e ganhando bem voltei a morar com meus pais pois fiquei desempregada e as dívidas só foram se acumulando, já que não investi em nada nesse período.

Hoje trabalho no comercio, ganho 1000,00 reais por mês, e separei 200,00 reais esse mês, mas não sei onde investir. Tenho uma divida no banco de +ou- 8000,00, uso esse dinheiro para pagar a divida ou invisto? E qual a melhor forma de aplicar esse valor? (ou um pouco mais, visto que ainda não fiz grandes cortes no meu orçamento).

Desde já obrigada pelo excelente blog e por todo conhecimento que podemos tirar dele.

Resposta:

Bom dia Loirys,

Situação complicada, e que vejo se tornando muito frequente nos últimos tempos. 🙁

A situação está bem apertada para muita gente, e o caminho de volta para a casa dos pais acaba sendo uma das alternativas mais “tranquilas” e seguras a se escolher. O motivo do “tranquila” nem precisa de muita explicação, não é mesmo ? 😉

Uma dúvida MUITO importante a sua. Quitar parte da dívida ou investir … Para muitos a resposta é imediata. Para outros é preciso um pouco de reflexão. A resposta instantânea é: abata a dívida !

Por que abater a dívida ? Simples: a taxa de juros atrelada a ela (ou elas) é, na grande maioria das vezes, muito superior a de qualquer tipo de investimento que esteja disponível para nós investidores comuns. Portanto, se você não usar esse dinheiro que sobrou para quitar parte dela, verá o valor da dívida aumentar e aumentar.

– “Ah, mas pelo menos estarei investindo … e meu dinheiro também crescerá !“. Sim, crescerá. O problema é que crescerá num ritmo MUITO mais lento que o da dívida. Não existe muita lógica nisso …

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Comece com o pé direito: defina suas prioridades !

Muita gente, que costuma dizer estar em busca de Educação Financeira, insiste em se esquecer de um dos aspectos mais importantes e fundamentais daquilo que realmente pode ser chamado como tal. Elas se esquecem que um processo de Educação Financeira só é sólido e verdadeiro, quando teve como base a definição de prioridades como ponto de partida.

1) Por que quero me educar financeiramente ?

2) Quais os benefícios que pretendo obter ao final do processo ?

3) Será que isso é realmente uma coisa que se enquadre no meu perfil ?

São somente algumas das perguntas que você deve se fazer ao iniciar sua jornada em busca da Educação Financeira perfeita. (se é que existe isso …)

Infelizmente a maioria, pelo desejo de tirar o atraso, acaba pulando etapas importantes do processo e, com isso, acaba deixando “buracos negros” em sua formação. Por que buracos negros ? Simples: eles exercem um papel semelhante aos dos reais, eles têm o poder de atrair tudo o que estiver ao seu redor. E uma vez que a força de atração deles começar a atuar sobre você, pode ser impossível de fugir da espiral …

Por que desejo ser uma pessoa financeiramente educada ?

Já parou para pensar nisso ?

Porque é preciso, você poderia dizer. Sim, é preciso. Mas por quê ? Para não cometer os mesmos erros que você viu seus pais cometerem ? Para saber sobre tudo o que é preciso para cuidar de seu patrimônio ? Para fazer com que a sua renda seja capaz de atender as suas necessidades mensais ? Para planejar uma aposentadoria tranquila ? Ou ainda melhor, uma aposentadoria confortável ? É para garantir o futuro dos seus filhos ?

Pode até ser que o seu desejo seja atender a todas essas necessidades, e ainda outras. É natural, afinal de contas somos uma raça que tem a ambição como motor da nossa evolução. Mas acredite: quanto mais restrito for o seu principal motivo para ir em frente, mais fácil será atingir o objetivo.

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Margem dos bancos com crédito cresce 60% em 2 anos e BC pede redução

Você que já é de casa, deve ser conhecedor da minha posição em relação aos valores cobrados pelos bancos na forma de juros pelos empréstimos. Errados ? Demônios ? Ladrões ? Não, longe disso … Apenas atuam em um mercado com um excesso de demanda, e graças a isso podem cobrar o quanto querem … (literalmente)

O problema é que as vezes a coisa complica de um jeito tal que fica difícil para “defendermos” o outro lado da moeda.

Veja bem: não defendo a ideia de tirar proveito de quem está envolvido em uma situação catastrófica. Por exemplo, abomino quem dobra, triplica os preços em uma situação de emergência, como em terremotos, inundações, furacões, etc. Quantas vezes vimos reportagens apresentando o salto nos valores cobrados por alimentos e água em regiões afetadas por desastres naturais ? E, ao menos na minha opinião, parece que os bancos estão fazendo coisa parecida. 🙁

Cobrar caro pelo dinheiro emprestado, se existe uma multidão em busca dele ? Oferta VS demanda e ponto final … A demanda é enorme, naturalmente. Imagine então em um cenário de crise como o que enfrentamos nos últimos meses ? Não seria a mesma situação da cobrança excessiva por uma garrafa d’água ?

Infelizmente falta Educação Financeira para a população, poucos são os que abrem mão do consumo instantâneo em troca de uma maior segurança no futuro. Poucos são os que se planejam, que vivem dentro do orçamento. E não é nem por ganharem mal … Muita gente que ganha muito bem (especialmente servidores públicos) consome o crédito consignado como se não houvesse amanhã.

Cobrar caro se existe demanda ? Vemos isso acontecendo em todos os mercados, em todo tipo de produto e serviço. Por que seria diferente no sistema bancário ? Por que seria diferente quando o produto ofertado é o próprio dinheiro ? O problema é tirarem proveito de uma situação complicada como a que passamos …

Perceba que não adotam outras estratégias que evitem o empréstimo aos maus pagadores. Apenas elevam a taxa, na tentativa de equilibrar a balança, tentando repor o que possa vir a se tornar calote. E o cadastro positivo ? Não está servindo para nada ? …

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Tenho 15 anos e quero começar a investir. Portanto, por onde devo começar ?

Pergunta:

Fala cara,

Então, acompanho seu trabalho espetacular por um tempo e me interesso muito com seus artigos, o problema e que tenho 15 anos. Eu gostaria muito de receber umas dicas suas sobre quais podem ser meus primeiros investimentos, macetes básicos, e etc, mas gostaria principalmente de uma real, por exemplo: até onde posso chegar?

Eu tenho uma boa base em relação a network e a bolsa por causa dos meus pais e tenho dinheiro para investir desde que seja uma aplicação segura e que justifique.

Abraços,
Pedro Henrique

Resposta:

Bom dia Pedro,

O problema é você ter 15 anos !? Nãnaninanão !!!! Essa é a maior vantagem que você tem ! Você nem imagina como isso pode ser importante para você e quão na frente dos outros você está por causa disso. 😀

Sério ! Ter a oportunidade de começar cedo, muito cedo, como é o seu caso, é uma vantagem competitiva muito, mas muito boa. O fator tempo é muito importante quando o assunto é finanças. E se for usado do jeito certo, isso pode te colocar a milhas de distância dos outros “competidores”. 😉

Graças ao fator tempo, você terá a oportunidade de ver os juros compostos trabalhando a seu favor no modo turbo. 😉

Até onde você pode chegar ? Olha … não existe um limite para isso. Tudo dependerá da forma com que você cuida do seu dinheiro, tanto em relação aos gastos quanto em relação à forma com que rentabiliza sua carteira. Se conseguir gastar “pouco”, terá uma maior sobra de caixa, permitindo desta forma aportes mais parrudos, o que pode auxiliar bastante no começo da jornada.

adolescentes

Este é outro ponto muito importante que você tem a seu favor. Começar cedo, enquanto mora com os pais, é uma oportunidade de ouro. Afinal de contas você não tem todas as obrigações financeiras que a vida adulta nos impõe. 🙂

Já que não tem estes gastos naturais de um adulto, você poderá direcionar praticamente tudo o que gasta para seus investimentos. Praticamente tudo, pois você precisa gastar um pouco com você também. É uma boa hora para ir treinando a balança entre ser econômico e ser pão duro. 😀

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Tesouro IPCA não protege completamente o investidor contra a inflação !

Ao escrever a resposta no post de ontem aqui do Clube do Pai Rico, dei total destaque aos investimentos de renda fixa disponíveis no mercado e que atendem a esta necessidade: proteção contra à corrosão da inflação.

Não há o que se discutir: para o atual cenário de inflação alta, mas não galopante, longe daquilo que víamos nas décadas de 80 e 90, antes da criação do plano real (assista ao excelente documentário “O Brasil deu certo. E agora ?” para se lembrar, ou saber do que estou falando), a melhor forma – ao menos uma das mais fáceis e seguras – de investir com proteção contra o dragão, são os títulos do Tesouro IPCA e CDBs atrelados a algum índice inflacionário.

Como bem lembrou o Douglas, em um comentário do postpara valores de inflação ‘fora do controle’, estes títulos deixam de apresentar a devida proteção, passando a oferecer um rendimento negativo“. Resumindo: com o IPCA acima de 34% ao ano, os títulos atuais, que oferecem IPCA + 6% ao ano, passam a oferecer rendimentos reais negativos. A conta é simples: o IR sobre o lucro é de 15% para os prazos mais longos, portanto com 40% (IPCA de 34% + os 6% ofertados atualmente) de rendimento total, restariam limpos 34%. Apenas o IPCA … Acima disso passaria a trazer prejuízo real (perda contra a inflação) para o investidor.

Então o Tesouro IPCA não é 100% seguro contra a inflação ? Não sei se o problema seria tão grave assim … A partir do momento em que o IPCA começar a atingir níveis mais elevados, a parte fixa e conhecida do rendimento do título também passará a oferecer retornos mais elevados. Justamente para equilibrar esta conta que apresentei. Não custa lembrar que há alguns meses este mesmo título oferecia IPCA + 7% … 😉

O que eu quero dizer com “não é tão grave” ? Me refiro à montagem da carteira do título. Como você fará aportes constantes, irá comprar mensalmente novos títulos, com novas taxas. No final das contas poderá conseguir equilibrar melhor as coisas. Neste caso, com este pensamento em mente, talvez seja MUITO interessante efetuar a montagem da sua carteira Tesouro IPCA com títulos de vencimento mais curto. Você consegue encontrar duas fontes de equilíbrio: os aportes frequentes e a reconstrução da carteira em si, por causa do vencimento.

Dificilmente conseguiremos encontrar uma ferramenta 100% eficaz contra todas as angústias que nós, investidores, temos. Liquidez, segurança contra calote, proteção contra a inflação, um bom rendimento, valores de aporte “dentro da realidade da população”, etc etc etc. São muitos …

falei em outro post sobre o desejo de encontrar um único investimento que nos permita encontrar todos os nossos desejos ao mesmo tempo. Infelizmente isso não existe … É preciso abrir mão de alguma coisa em detrimento de outra. Infelizmente …

Diversificação, já !!

Acredite se quiser: este é um dos casos onde sou do time dos que defendem a diversificação. (e olha que sou contrário ao uso dela do jeito que muitos a vendem …)

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