Clube do Pai Rico
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Como funciona o limite de R$20 mil para a isenção de IR na Bolsa ?

Pergunta:

Zé, boa noite!

A necessidade de recolher IR se dá quando a venda acima de 20k ocorre na soma das suas operações ou quando ocorre com base em um único papel?

Exemplo 1:

Em determinado mês, as vendas dos papéis A, B e C somaram 21k, mas nenhum deles sozinho foi maior que 20k, ou seja, é necessário recolher?

Exemplo 2:

Em outro mês a venda somente do papel D foi superior a 20k. Seria somente neste caso o recolhimento do IR?

Resposta:

Bom dia Jorge, tudo certo ? 🙂

A regra é BEM simples. 😉

Houve um valor superior a R$20 mil registrado em vendas na sua carteira de ações em um determinado mês ? Se sim, pronto … o recolhimento do IR se torna obrigatório.

A regra atinge tanto o exemplo 1 quanto o 2.

Somou mais de R$20 mil, o procedimento do IR é “acionado”. Ou seja: é levantado o lucro obtido no mês, se verifica se há um prejuízo a ser abatido de meses anteriores. Sobrando algum lucro, calcula-se o IR – 15% sobre esse lucro – e esse é o valor a ser pago via DARF. 🙂

Um ponto que merece destaque é: é venda, e não o encerramento de uma operação … Repetindo: é VENDA.

Por que falei isso ? Simples: você pode ter iniciado uma operação do tipo short (aquela em que você aluga uma ação, vende para recomprar por um preço mais baixo). Você pode não encerrar a operação no mesmo mês, mas o ato da venda, dando início a operação, sim.

O evento que gera a contagem do limite dos R$20 mil, o “gatilho”, que a Receita olha é a ordem de venda. Tanto que você pode perceber que existe uma imposto retido na fonte na sua nota de corretagem em dias que ocorrem venda de ações. É um valor bem pequeno, 0,005% do valor da venda, e tem a função de servir de “alarme” para a Receita. (e sim, você pode abater esse valor retido na fonte do pagamento do IR quando ele ocorrer)

Não importa o número de negócios realizados no mês. Não importa o número de ações negociadas no mês. Só importa isso: superou os R$20 mil … a Receita tá de olho. 😉

Viu, falei que era simples. 😀

Espero ter te ajudado. 🙂

Abraços !

Tributação nos Investimentos – o guia completo (e prático !)

Se tem uma coisa que dá um belo nó na cabeça de muita gente, especialmente de quem está começando, são as regras de tributação para investimentos. São diversas, cada investimento tem a sua, uma hora é uma coisa, na outra é uma coisa diferente … que a pessoa se sente perdida na hora em que começa a se aprofundar um pouco no assunto.

O problema é que você precisa entender direito como funciona o Imposto de Renda para seus investimentos. Você não tem escapatória … Além de poder manter as coisas em dia com o leão, você precisa ter esta informação em mãos na hora de comparar a rentabilidade oferecida pelas diversas modalidades de investimento disponíveis. Se não tiver … estará comparando maçãs com laranjas, e isso não é algo recomendado neste universo.

São tantas alíquotas … Tantas regras específicas … Tantas particularidades … Por onde começar ?

Tipos de Tributação

Antes de qualquer coisa: você precisa saber quais são os tipos de tributação que incidem sobre seus investimentos.

Existem algumas formas de tributação: isento, renda fixa, ações e IRPF. Separei nestes quatro grupos para facilitar a compreensão e até mesmo a apresentação. 😀

Cada tipo incide sobre um determinado tipo, ou grupo, de investimento e tem suas regras regulamentadas pela Receita. São regras relativamente estáveis, sem alterações frequentes (como estamos acostumados aqui na terrinha), e de fácil identificação/aplicação.

Isentos: Como a própria identificação aponta, são os investimentos livres da incidência do Imposto de Renda. Recebem esta vantagem justamente para atrair mais investidores para eles. São exemplos de investimentos isentos de tributação: caderneta de poupança, LCI, LCA e algumas debêntures.

Renda Fixa: São os investimentos mais tradicionais do mercado. O porto seguro de quem deseja botar seu rico dinheirinho para trabalhar. Neste tipo de investimento a tributação incide sobre o lucro de acordo com o tempo decorrido entre o início e o resgate.

Para saber qual será a alíquota que incidirá em sua aplicação, veja a tabela abaixo:

Tabela de Imposto de Renda para Investimentos de Renda Fixa
Prazo de Aplicação Alíquota de IR
Até 181 dias 22,5%
de 181 dias até 360 dias 20%
de 361 dias até 720 dias 17,5%
Acima de 721 dias 15%

 

Por exemplo: você realizou um investimento em um CDB no dia 23/03/2016 e fará o resgate no dia 18/09/2017. Isso é o equivalente a 1 ano e meio, ou 544 dias. Pela tabela, vemos que a alíquota referente a esse período é de 17,5%. Portanto este será o valor destinado ao Importo de Renda, 17,5% do lucro auferido no período.

São exemplos de investimento que adotam esta tabela: CDB, Tesouro Direto, Fundos de Renda Fixa, Fundos Multimercado, Fundos Cambiais.

Ações: este tipo de tributação é usado para … ações ? 😉

Sim, ações, FII (Fundos de Investimento Imobiliário), ETF (Exchange Traded Funds). Ou simplificando: aqueles investimentos negociados na Bolsa de Valores. 🙂

A tributação para esse tipo de investimento é bem simples. A alíquota incide também sobre o lucro auferido na operação e é dividido em dois “subtipos“: normal e daytrade. A modalidade normal é toda aquela operação que tem mais do que um dia de “vida”. Ou seja, você compra hoje e vende amanhã, depois de amanhã, semana que vem, mês que vem, ano que vem, etc etc etc. Para o caso de compra e venda no mesmo dia, damos o nome de daytrade.

Para operações “normais”, a alíquota do Imposto de Renda é de 15% sobre o lucro. Para as do tipo “daytrade” ela é de 20%. Sobre o pagamento do imposto de renda para ações indico a leitura deste post, onde uma enorme quantidade de participações dos leitores mais do que completou as informações sobre o assunto. 😀

IRPF: esta é a forma de tributação mais conhecida por todos. É aquela que você sente mensalmente, em seu salário. É literalmente o Imposto de Renda, na renda. 😉

Que tipos de investimento são afetados por esta alíquota ? Seu investimento direto em imóveis de aluguel, por exemplo. O valor obtido mensalmente pelo pagamento entrará em sua renda mensal e deverá respeitar à tabela do IRPF.

Tabela de Imposto de Renda Pessoa Física – 2020
Base de cálculo mensal Alíquota Parcela a deduzir do imposto
Até R$1.903,98
De R$1.903,99 até R$2.826,65
7,5% R$142,80
De R$2.826,66 até R$3.751,05
15% R$354,80
De R$3.751,06 até R$4.664,68
22,5% R$636,13
Acima de R$4.664,68
27,5% R$869,36

 

Os que pagam menos IR são os melhores ?

Não necessariamente … 🙂

Se um investimento paga mais ou menos IR “não importa”. O que realmente conta na hora de escolhermos o melhor investimento é o resultado final proporcionado por ele. Você precisa fazer uma comparação justa, levando em consideração o retorno “limpo” de cada investimento.

Por exemplo, comparando um investimento em CDB (tributado) com um em LCI (não tributado), precisamos incluir em nossas contas o desconto do IR do CDB. Digamos que a oferta que você viu de um CDB tinha um rendimento de 100% do CDI, enquanto a LCI era ofertada por 88% do CDI.

Qual dos dois vale mais a pena para um período de investimento de 9 meses ? (assumindo que todas as outras variáveis – aporte mínimo, tempo de permanência, etc etc etc – sejam iguais)

Como vimos, o investimento em LCI é isento de IR, portanto o seu ganho com esta aplicação será de 88% do CDI no período. Já no CDB incide a tabela de renda fixa, e para o período em questão, o IR para este tipo de investimento é de 20% sobre o lucro. O que joga o rendimento dele para 80% do CDI neste período …

Neste caso, qual dos dois é mais interessante do ponto de vista do rendimento ? 😉

E se ao invés de 88% do CDI para o LCI tivéssemos 82% do CDI e para o CDB 105% do CDI ?

Para lhe ajudar, uma fórmula simples que ajuda na comparação:

Taxa LCI/LCA = Taxa do CDB x (1 – imposto de renda)

Taxa LCI equivalente = 105 * (1-0,2) = 84%

Conseguiu enxergar este importante detalhe ? Não é porque um investimento é isento de tributação, ou porque paga uma tarifa mais alta, que ele é um investimento melhor ou pior do que um outro. A tributação é apenas mais um dado a ser levado em consideração em nossa tomada de decisão. 🙂

Como funciona o Imposto de Renda nas Opções ?

Pergunta:

Oi!!! E o imposto de renda das opções??? Como funciona??? To perdidinha nesse ponto

 

Resposta:

Opa ! Tudo certo Karina ?

Praticamente da mesma forma que com as Ações. 🙂

15% sobre o lucro em operações normais. 20% sobre o lucro em operações daytrade. Podemos compensar prejuízos passados com lucros futuros (daytrade com daytrade, normal com normal)

Mas como disse, praticamente …

Lembra do limite de isenção do IR para vendas mensais de até R$20 mil ? Pois então … no mercado de Opções não temos. O lucro de Opções é 100% tributável. 🙂

Além disso, existem algumas particularidades em relação ao exercício de Opções, onde são misturadas a negociação de Ações e Opções em “uma mesma operação”. Falei sobre o assunto em dois posts:

– Fui exercido em uma opção CALL que vendi, como fica o cálculo do imposto ?
– Fui exercido em uma opção PUT que vendi, como fica o cálculo do imposto ?

Também precisamos lidar com o fato de que as Opções viram pó … Quando você está comprado, e ela virá pó (perde 100% do valor), você tem a perda integral do valor aplicado neste compra. Comprou R$100 ? Perdeu R$100 …

Do outro lado, quando fazemos um lançamento e as Opções viram pó, você tem ganho integral na operação. Lançou R$100 ? Lucrou R$100 … 😉

Mais uma informação importante: como acontece nas Ações, o fato gerador de lucro é o encerramento da operação. Comprou em janeiro, revendeu em janeiro, lucro em janeiro. Não importa se é uma Opção que vence em janeiro, fevereiro, março, etc etc etc …

Lançou uma Opção em janeiro, recomprou em janeiro ? Lucro no mês de janeiro. Lançou em janeiro, foi exercido em março (por ser uma opção que vence no mês de março), o lucro (ou prejuízo, claro) é do mês de março.

Em relação ao preenchimento do DARF, não muda nada. 🙂

Viu ? Simples !! 😀

O tema te interessa ? Você tem vontade de investir com Opções ? Te convido a conhecer o Double PUT Double CALL, o meu curso de Opções ! Será um prazer lhe ajudar neste processo de aprendizado !! 😀

Espero ter ajudado ! 😉

Abraços !

Deixei de pagar IR em julho, posso compensar com a perda que tive em novembro ?

Pergunta:

Boa tarde, Zé.

Tive lucro em julho de 2019 e teria que pagar aprox. 500 reais de imposto, mas nao o fiz.

Só que agora, em novembro, meu prejuízo acumulado já passou dos 10k.

Sabe se tenho que pagar o imposto atrasado? Ou quando fizer minha declaração no ano que vem informo o prejuízo e consigo compensar de forma retroativa?

Se tiver, será que consigo gerar a guia só para pagamento da multa de 20%?

Muito obrigado!

Resposta:

Opa ! Tudo certo Luiz ? 🙂

Sim, terá que pagar o IR atrasado … 🙁

Algo muito importante, em relação ao pagamento do IR e compensação de lucros e prejuízos, é que a regra é a seguinte: lucros passados não podem ser compensados com prejuízos futuros. De novo: um lucro hoje não pode ser compensado com uma perda no mês que vem …

Se você teve lucro em um mês, movimentou mais de R$20 mil na venda de ações, ou se o lucro veio de Opções; e não tem nenhum prejuízo anterior a ser compensado, precisará pagar IR. Simples e direto assim. De novo: lucro passado não pode ser compensado com perda futura. 🙂

Sobre o pagamento do valor em aberto, a multa de 20% é apenas uma parte da mordida do leão. Existe também a atualização pela taxa SELIC. Falei sobre esse tema no post “Deixei de recolher o Imposto de Renda no ano passado. Como faço para pagá-lo agora ?

(o programa da Receita te ajuda a calcular tudo automaticamente)

O prejuízo acumulado agora (R$10k) poderá ser usado para abater os lucros que vierem a ocorrer nos próximos meses. Não se esqueça de informar isso na tua declaração anual de IR. 😉

Espero ter te ajudado ! 🙂

Abraços !

“Tive prejuízo no mês, preciso pagar DARF ?”

Pergunta:

Tive mais prejuízo do que lucro no mês 8. Preciso pagar darf?

 

Resposta:

Opa ! Tudo certo Lucas ? 🙂

Criando a resposta definitiva para essa pergunta tão frequente: Não !! Quando temos um prejuízo, não é preciso pagar Imposto de Renda sobre o lucro das ações naquele mês. 😉

Como acabei de falar, o DARF serve para pagarmos o IR sobre o lucro obtido em nossas operações em Bolsa. Se não há lucro, não há motivos para a confecção do DARF, tampouco a necessidade do pagamento do imposto.

O IR só será pago quando houver lucro. Se não tivermos lucro … sem IR, sem DARF. Simples assim. 🙂

“Mas Zé, como a Receita saberá que tive prejuízo ?” Você deverá informar esse resultado na sua declaração anual de IRPF. E sim, deverá informar, para ter direito ao uso do abatimento deste valor (da perda) de um lucro futuro. Ninguém quer abrir mão de pagar menos imposto, hehehe. 😀

Um lembrete importante: na hora de calcular o resultado do mês, devemos separar as operações daytrade das operações de swing trade. Nunca se esqueça disso. Você pode ter lucro nos daytrades realizados num mês, enquanto teve prejuízo nas operações de swing trade. (neste caso precisará pagar o IR dos daytrades e usará a perda dos swing trades para compensar lucros nos próximos meses de operações de swing trade !!)

Então, de novo: Não. Você não precisa pagar o DARF referente ao mês de agosto, pois teve perdas naquele mês. 🙂

Espero ter ajudado. 😉

Abraços !