Clube do Pai Rico
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Zé, o que você acha da operação “Trava de Alta” em Opções ?

Pergunta:

Zé,

Pelas minhas análises acho que a VALE vai reverter a tendência de baixa e fazer um movimento de alta (uso SAR e HILO). Penso em montar a seguinte operação:

Compro – 1000 opções VALEG15 (strike 45,74) valendo hoje 3,03.
Vendo – 1000 opções VALEG474 (strike 47,49) valendo hoje 1,69.
Com isso desembolsaria R$1340,00.

Caso a VALE tenha um movimento de alta receberia a diferença dos strikes, certo? 1750. Ou seja, lucro de 410.
Caso ela fique entre os strikes, eu receberia o lucro entre o valor dela no vencimento e strike comprado (45,74).
Ficaria no prejuízo caso o valor da ação fique menor que strike comprado mais 1,34, certo?

Grato,
André

Resposta:
Bom dia André, tudo certo ? 🙂

Eu, particularmente, não gosto muito de operar na compra de opções … As regras que regem esse mercado fazem com que as chances de sairmos vitoriosos do trade jogam contra a gente. Para se ganhar na compra, é preciso que suba, e com uma determinada intensidade … Se cair, ficar de lado, ou subir devagar, o comprador perde.

Já para quem opera no lado da venda … 😉

E isso já falei inúmeras vezes. O pessoal do Double PUT Double CALL já está careca de saber. 😀

Mas como também já disse em outras ocasiões, determinadas situações são atraentes para a compra. O straddle (veja um exemplo real de operação realizada) que o diga ! 😉

Além do straddle, que é um tipo de operação que me agrada muito e que faz parte das operações que formam a minha estratégia operacional, a compra seca de opções em casos MUITO específicos também não pode ser descartada. Um pozinho na reta final do vencimento com um sinal de reversão … #quemnunca ? 😀

Confesso que pra mim é algo raro, muiiito raro … mas nem por isso, descartado.

O exemplo de operação que tu apresentou é uma compra de opções “financiada” pela venda de outra com strike superior à primeira. Uma trava de alta clássica. A ideia é comprar uma CALL de um determinado strike e vender, ao mesmo tempo, uma outra CALL de strike superior.

Ao fazermos isso, financiamos parte do valor da compra com o prêmio que foi obtido com a venda.

Usando o teu exemplo:

A compra de 1.000 VALEG15 por R$3,03 e venda de 1.000 VALEG474 por R$1,69 te geraria um desembolso de R$1.340,00 ao invés dos R$3.030,00 originalmente necessários para a compra pura das G15.

A operação em si tem algumas diferenças para a compra seca de CALL. Vamos dar uma olhada ?

Se você tivesse comprado somente a G15, teria perda total do capital com ela abaixo dos R$45,74 no dia do vencimento. Acima disso seria a área de “lucro”, sendo que lucro mesmo só acima dos R$48,77. (que seria o strike da opção + o valor gasto com a compra)

Mas acima disso, o céu seria o limite para o lucro … 🙂

Já na trava de alta, a região de prejuízo máximo permaneceria sendo abaixo dos R$45,74, onde a G15 não teria valor algum no dia do vencimento. Entre os R$45,74 e os R$47,49 as coisas se misturariam um pouco, com a G15 tendo valor e a G474 perdendo. Se a VALE3 estiver valendo R$47,49 no dia do vencimento, a G15 valeria R$1,75 e a G474 valeria zero …

Sendo 1.000 opções VALEG15 compradas, você ainda teria um lucro de R$410,00 com a operação.

Aqui é que mora um detalhe interessante: acima de R$47,49 você tem o seu lucro limitado a R$410,00. Se estiver R$50 no dia do vencimento, as tuas G15 valeriam R$4,26 e as G474 R$2,51. Como estás comprado na primeira e vendido na segunda, a primeira estaria no “lucro” e a segunda no prejuízo. Você precisaria vender a G15 e comprar a G474 para desmontar a operação.

Isso daria os mesmos R$1,75 de lucro para cada opção em seu poder, os mesmos R$1.750,00 que te gerariam os mesmos R$410.00 de lucro total. 😉

Não importa quanto suba, esse será o teu lucro máximo.

Comparando com a compra seca das G15, se a VALE3 estivesse valendo R$50 no dia do vencimento, você teria em seu poder R$4.260,00. Como havia desembolsado R$3.030,00 para comprá-las, teria um lucro total de R$1.230,00 !! Um lucro bem maior. Não é mesmo ?

Então … aqui mora a grande questão: qual das duas escolher ? Uma que te permite obter lucros ilimitados, com um custo mais elevado ? Ou uma que te faz gastar menos para montar a operação, mas limita o valor de ganho a ser obtido ?

A decisão (in)felizmente é pessoal …

Eu daria preferência pela compra seca, diminuindo o tamanho do lote comprado para “ficar mais barato”, se houvesse a perspectiva de uma alta mais forte na ação mãe. Se não acreditasse em uma alta tão elevada, a trava de alta até poderia se tornar mais interessante, pois ela começa a oferecer lucro após o rompimento dos R$47,08, enquanto a compra simples da G15 precisaria que rompesse os R$48,77 para chegar lá.

Sim … a decisão dependeria do que o gráfico “promete”. Ao menos na minha forma de encarar as coisas. 🙂

Analisando friamente ? As chances para se obter lucro são MUITO maiores para a trava de alta, do que para a compra simples. Mas como disse, não é o tipo de operação que mais me agrada. 😉

Espero ter te ajudado ! 🙂

Abraços !

Use sempre, SEMPRE, o preço médio. Ok ?

Pergunta:

Olá, tenho uma dúvida, não está ligada diretamente ao tema do post mas se puder me ajudar fico grato. Se ao longo do tempo eu adquiri algumas ações de uma empresa: 300 XYZ a R$30 depois 300 XYZ a R$35. E depois essa ação cai pra R$20 e eu compro mais 300 à R$20. Se essa ação sobe pra R$25 e eu quero vender as 300 que eu comprei a R$20 pra realizar os R$1500,00 de lucro e pagar a DARF. Eu posso fazer isso? Ou serei obrigado a registrar essa operação como prejuízo pois na verdade meu preço médio era de R$28,33? Desde já agradeço

Resposta:

Opa ! Tudo certo Bruno ? 🙂

Você sempre deverá usar como o base o teu preço médio de aquisição. SEMPRE

Então, no caso do teu exemplo, ao vender 300 ações da tua carteira, que têm um PM de R$28,33, por R$25, estarás obtendo um prejuízo de R$1000.

Sim, para a tua cabeça, em termos de “emocional e psicológico” poderias tratar os 3 lotes de forma independente, e com isso comemorar um lucro de R$1500 nesta venda. Mas para o teu controle contábil, e o da Receita, é importante que você siga a orientação e às regras. 😉

Sempre use como base de cálculo o teu preço médio de compra.

Neste caso, a tua perda de R$1000 entrará na tua declaração anual de Imposto de Renda como crédito a ser compensado futuramente com os lucros que virão. Sim, existe uma “vantagem” tributária para quem obtém uma perda em Bolsa. Essa perda poderá ser usada para compensar um lucro futuro, isentando desta forma o lucro obtido ali na frente.

Então, faça tudo conforme o padrão e fique tranquilo. Sei que muitos gostam de pensar da forma que tu apresentou na pergunta, apenas por conta do conforto psicológico que este pensamento traz. Mas não precisa se prender nele não. Faça tudo conforme as coisas devem ser e entenda que no final tudo se equilibra. 🙂

Ah ! E sim, mesmo sendo uma venda inferior a R$20 mil, isento de IR, a perda permanecerá gerando o crédito a ser compensado com lucros futuros. 😉

Leituras indicadas e relacionadas:

Vendi menos de R$20 mil em ações e tive perdas … Posso usar para compensar um lucro futuro ?
Como funciona o limite de R$20 mil para a isenção de IR na Bolsa ?
A regra do IR, de isenção dos R$20 mil, vale também para Opções ?
O limite de R$20 mil é por CPF ou por corretora ?

Espero ter te ajudado. 😀

Abraços !

O que perdi na compra de Opções pode ser abatido no DARF ?

Pergunta:

Bom dia

O valor que eu gasto na compra de PUT, considerando que vira pó no exercício, é sempre um prejuízo, e este valor pode ser abatido na DARF ?

Resposta:

Opa ! Tudo certo Fabrício ? 🙂

Não, ele não pode ser abatido no DARF … 🙁

Mas como não, Zé !!??

Não podendo, oras. 😀

Sim, o valor que você usou na compra de uma CALL, ou de uma PUT, que tenham virado pó, é considerado um prejuízo. Isso está absolutamente correto. Mas não é por ser prejuízo que poderá ser abatido do valor a ser pago via DARF

Como assim ? Fiquei confuso agora …

Calma, é simples ! 🙂

O resultado de uma operação não entra “diretamente” no valor a ser pago via DARF. Lembra que o imposto é calculado sobre o resultado obtido no mês ? Pois então … A perda que você teve na compra da CALL, ou da PUT, entra nesse saldo mensal. É em cima do saldo (ganhos – perdas) que calculamos os 15% a ser pago de IR em operações normais/swing, ou os 20% sobre daytrades.

Então você não retirará do valor do DARF o valor que perdeu com a compra das Opções que viraram pó, ele será retirado do saldo do mês, e em cima deste valor você irá calcular o imposto devido. 😉

Fabrício, sei que a tua dúvida provavelmente tenha sido em linha com a minha resposta, mas achei importante dar destaque a esse pequeno detalhe, essa pequena diferença entre uma coisa e a outra.

Espero ter te ajudado ! 🙂

Abraços !

Vale a pena pegar uma faca caindo ?

Pergunta:

Olá Zé, tudo bem?
Primeiramente parabéns pelo seu site. Sou iniciante nos investimentos e estou estudando e iniciando na bolsa de valores. Gostaria de sugerir um tema para seus posts. Acredito que seria muito interessante e que iria ajudar muita gente, se você desse dicas \”básicas\” de como operar em meio a essa situação que estamos enfrentando em nosso país.

Por exemplo:

Vi uma oportunidade de comprar a PETR4 a um valor baixo (exemplo 7,60) e assim que ela subir a um valor X (exemplo 8,00) vender. Essa é uma estratégia válida? pode ate ser mais se pegar a faca caindo? ou seja, se eu comprar de 7,60 e ela cair mais, e mais e mais? quando vender? como definir um stop? ou como enxergar uma tendência de alta?

Acho que são dúvidas que muitos iniciantes têm e que a visão de um cara experiente seria muito bom.

Bom, isso é só uma sugestão de Post. Mais uma vez, parabéns!!

Resposta:

Bom dia Rodrigo,

Você praticamente está querendo um curso de como operar, em poucas linhas e de forma prática ? hehehe 😉

O que eu poderia indicar que se enquadrasse neste perfil ? Já conhece a série “Como o Zé ganha na Bolsa ?“, ela apresenta as coisas que olho para tomar a minha decisão sobre um trade, se devo ou não realizá-lo. São ferramentas simples, trabalhando em conjunto e que te dão um pouco mais de segurança na hora de entrar em uma operação. (ou de ficar de fora dela)

Indico que leia os 15 textos da série (e o extra também !), pois são escritos da forma mais simples que consegui, para facilitar ao máximo a compreensão dos indicadores e ferramentas que uso. 😀

Mas gostaria de focar num ponto levantado por você em sua pergunta: mas e se pegar a faca caindo ?

Este é o maior risco de quem opera se baseando apenas no fator “a cotação vem caindo, acho que já caiu demais …”. A ideia de pegar a faca caindo nos lembra do risco de entrar numa operação do tipo “está caindo, deixa que eu pego” e com isso perder alguns dedos da mão … Que seria +- como se você entrar na operação, arriscando a compra, mas correndo o risco de perder uma parte do patrimônio, na forma de STOP.

Sim, muitos já entram nesse tipo de operação pensando no STOP. “Se der errado, é só acionar o STOP e pronto !”. É o pensamento certo de todo e qualquer operador. Porém ao pegar a faca caindo, você tem chances mais elevadas de precisar do STOP. Então me diga, por qual motivo você acharia válido entrar em uma operação, sabendo que as chances de precisar do STOP são grandes ? Não seria muito mais interessante adotar uma série de indicadores e sinais gráficos que pudessem limitar a necessidade dele ?

Você limita as perdas ao usar o STOP, e se mantém no “jogo”. Não seria a mesma coisa de quem pega a faca e perder um ou dois dedos ? A mão contínua lá … Vale a pena pensar desta forma ?

Estou longe de dizer para que você não entre em uma operação já pensando em acionar o STOP, o que estou dizendo é que você precisa encontrar algo que te ajude a diminuir as chances de precisar dele. E este é o papel da análise dos gráficos. Eles te ajudam a encontrar padrões que apresentam uma chance maior de que a operação dê certo. Muito melhor, não ? 😉

Sim, o risco de precisarmos do STOP ainda existe, porém ele será acionado em um menor número de vezes do que o seria esperado na simples tentativa e erro do “já caiu demais”. Além disso, muitas vezes, a análise do gráfico te proporciona um melhor posicionamento para o seu STOP. Seja em relação ao tamanho dele, seja em relação ao “falso rompimento” (o famoso violino), que causa a sua perda, para em seguida retomar o movimento em que você acreditava.

Acredite: não vale a pena pegar a faca caindo ! Espere ao menos ela repicar antes de tentar uma aproximação !! 😉

Sobre como trabalhar com o STOP, indico – fortemente ! – a leitura do excelente:
Aprenda a Operar Vendido e Vencer na Bolsa em Queda“, de Alexander Elder.

Espero ter lhe ajudado ! 🙂

Abraços !

Estou com dívidas e sem um colchão de segurança. Posso investir ?

Pergunta:

Estou passando por um momento de pagamento de dividas e tenho básico conhecimento de mercado de ações. Invisto através de metodologia B&H mas no momento não estou investindo devido meu endividamento.

Quero adquirir seu curso, acredito que até em março eu já consiga. Você recomenda a formação do colchão de segurança antes de operar o seu método?

Resposta:

Bom dia,

Esse é o tipo de atitude que nos leva mais longe ! Que nos faz ir além das “fronteiras” da mesmice ! Que nos separa da manada !! Parabéns !! 😀

Será um prazer te receber no curso e poder compartilhar contigo tudo o que aprendi (e continuo aprendendo) sobre as Opções. Ainda mais após enfrentares essa batalha para pôr a casa em ordem e mudar o teu atual cenário. 😉

Mas acredito que você tocou em um ponto importante e que há algum tempo eu vinha querendo abordar aqui no Clube: investir sem ter um colchão de segurança, ou usando ele, através do Double PUT Double CALL, é indicado ?

E, como sempre, eu serei direto: NÃO !! Não é indicado. Nem com o Double PUT Double CALL, nem com qualquer outro método ou estratégia.

Esse tema já foi abordado em outras ocasiões, sobre óticas diferentes, e sugiro que você(s) leia(m):

– Devo quitar minhas dívidas ou formar meu colchão de segurança ?
– Pago minhas dívidas ou uso o dinheiro para investir ?
– Zé, como você faz para usar o seu dinheiro do CDB em época de vacas magras ?

O colchão de segurança é quem lhe trará amparo nos momentos difíceis. É onde você encontrará a proteção necessária se algo der errado. 🙂

Pelo o que eu entendi em março tu zeras as dívidas e estarás pronto para começar a pavimentar a tua estrada. Correto ?

Então, nada te impede de já ir estudando, ou de começar a estudar a partir daquele momento (para o caso de precisares investir algo neste momento de aprendizado, como com a compra do curso). Mas já começar a pôr em prática, sem ter o colchão formado ? Eu não acho uma boa ideia não …

Já vi gente falando que iria fazer o curso e usaria o dinheiro DO colchão pra investir. Fiz com que a pessoa desistisse de fazer o curso e só voltasse na hora que tivesse uma grana extra, fora do colchão, pra isso.

Colchão de segurança é colchão de segurança e ponto final. A grana que estiver lá é para a sua proteção. Não pode misturar as coisas !! 🙄

“Ah, então eu só vou começar a estudar quando já estiver com ele formado e com grana na conta !!” Não, não foi isso que eu disse … Sugeri que o investimento seja feito com grana que não seja do colchão … Que só se comece a investir quando ele estiver formado … Mas sobre estudar ? Não !! Quanto mais estudarmos, quanto antes começarmos, melhor será.

Vejo muita gente que diz que só começará a estudar sobre um determinado investimento quando tiver dinheiro para investir naquilo. Não !!! Você já pode e deve ir estudando !! Aproveite o tempo que não pode pôr em prática para ir se aprofundando nos estudos, ir amadurecendo a forma de investir, os prós e os contras, os riscos e os benefícios.

Quando a grana estiver na sua mão, será muito mais fácil dar um primeiro passo consciente. 😉

Quanto antes você começar a se aprofundar nos estudos, melhor.

Então, a minha sugestão é: comece os estudos assim que for possível. Mas coloque o método em prática (pra valer) somente com o colchão formado. Combinado ? 😀

Segurança e tranquilidade em primeiro lugar. São 2 dos pilares que formam as bases do Double PUT Double CALL. Por que haveríamos de mudar justamente em relação ao colchão ?

Espero ter te ajudado ! 🙂

Abraços !