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Ontem, no final do dia, já com o pregão em fase de leilão de fechamento, tivemos a divulgação da Moody’s, onde ela cortou a nota do Brasil, levando o país à beira do abismo, a um passo da perda do grau de investimento. A notícia não é ruim, pois a perda da nota mostraria a piora dos fundamentos da economia brasileira etc e tal ?
Muitas vezes o mercado financeiro apresenta um comportamento diferente do que a lógica apontaria como sendo a reação normal, e o corte de ontem, querendo ou não, vai nessa linha. Se você estiver lembrado, o anúncio da S&P, onde mudou o viés da nota brasileira para negativo, também teve reação semelhante. Ele marcou o nosso último fundo, na região dos 49.000 pontos. (que é onde estamos novamente)
Mas o anúncio de ontem teve alguns ingredientes que podem corroborar para que essa puxada não tenha sido tão estranha assim … Quais ? Vamos lá:
1) O “mercado” esperava que no anúncio da Moody’s já apresentaria a perda do grau de investimento do Brasil. Como isso não aconteceu, e perdemos apenas “um degrau”, ganhamos um tempo extra para tentar provar que não devemos perdê-lo.
2) Mudança do viés de negativo para neutro. Isso (teoricamente) dá ainda mais tempo para a perda do grau de investimento. Normalmente as agências de risco não efetuam o corte da nota antes de mudar o viés para negativo. Então o mercado espera que num futuro seja anunciada a mudança do viés para que em outro momento haja a perda do grau de investimento. Ou não.
3) A notícia foi divulgada já quando as cortinas estavam sendo fechadas. Sim, isso pode influenciar, pois muitos preferem zerar suas posições (que naquele momento de queda, possivelmente, eram de venda), para aguardar os desdobramentos do que foi anunciado. O tempo era curto, então foram lá, compraram, e hoje com a cabeça mais fresca e as notícias digeridas (e mais detalhadas) podem tomar a decisão “certa”, voltando a vender ou iniciando compra.
Sim amigos, o mercado financeiro é marcado por eventos desse tipo, onde a “lógica” aponta para uma reação e acabamos vendo outra. Manipulação ? Lógica inversa ? Não tem lógica ? Você escolhe …
Vemos isso acontecendo também nos anúncios dos resultados das empresas, onde lucros são acompanhados de quedas violentas, e prejuízos de puxadas homéricas. Tentar entender a lógica do mercado é trabalho Hercúleo, demanda muito tempo e em alguns casos acaba não apresentando resultado prático algum …
Pense no seguinte: às vezes o ruim não é tão ruim quanto esperavam, e tão bom nem é tanto assim para empolgar … 😉
O estudo acompanhará o desempenho da ITUB4, BBDC4, PETR4 e da VALE5 – carros chefe do Ibovespa. Esta informação poderá ser usada tanto por quem opera na ponta de compra quanto para quem opera na ponta de venda … 😉
Este é um dado que acompanho diariamente, serve para que eu veja o “peso” extra que existe sobre estas ações. Normalmente – veja bem, normalmente … – um aumento na posição alugada pode significar um movimento de queda no papel. E o contrário também é verdadeiro, uma cobertura pode significar um movimento de alta.
Vamos lá !




Comentário: Ontem foi dia de teste importante na PETR4, o suporte dos R$9,50 foi testado e “devidamente respeitado”. Respeitado e serviu de trampolim para um belíssimo repique. 🙂

Neste caso o repique pode ter ocorrido por dois motivos: ter feito o teste nos R$9,50, o último suporte visível; ou algumas instituições já tinham conhecimento do corte da nota do Brasil pela Moody’s, mas com a manutenção do grau de investimento.
O que importa é que houve uma reação … Mas será que ela terá força suficiente para manter o mercado nesta direção ? (em relação à continuidade do repique)
O índice fechou acima dos 49.000, a marca das marcas. Mas foi por pouca coisa …
Sabe o que pode encrespar a coisa ? A China … ela desvalorizou mais uma vez a sua moeda e os mercados internacionais desabam hoje, pelo segundo dia seguido. Estranho é que o petróleo não … (ontem caiu 2%, mas tivemos momentos onde a queda era superior a 3%)
Onde devemos ficar de olho na PETR4 ? R$9,50 e nos R$10,00. Sim, os R$9,50 ainda poderão ser testados mais uma vez, e enquanto os R$10,00 não forem rompidos, nada de alívio para os comprados.
Não custa lembrar que hoje temos vencimento de índice futuro … lembra o que acontece nestes dias ? Na maioria das vezes sobe até a hora do vencimento. Mas cá entre nós, hoje tá com cara de que vai ser BEM diferente. 😯
Dia 7 de agosto de 2015:
Saída de R$ 81,537 milhões
Acumulado do mês de agosto de 2015 (até o dia 7):
+ R$ 69,843 milhões
No ano de 2015, o saldo está positivo em de R$ 21,042 bilhões.
Pergunta:
Pai Rico,
Estou com uma dúvida em qual decisão financeira devo tomar nesse momento da minha vida. Mesmo lendo todos os seus artigos.
Há um ano atrás, eu e minha esposa (somos novos, 27 anos) compramos nosso primeiro imóvel e tínhamos como meta quitar ele o mais rápido possível. Ainda temos 80 parcelas do financiamento para quitar, porém nosso objetivo é finalizar em apenas 48 parcelas. Atualmente essas parcelas correspondem no máximo a 30% de nossa renda líquida e temos o costume de guardar mais uma média de 20% todo mês para ir abatendo o financiamento.
Estamos agoniados querendo investir, mas a pergunta é: devemos concentrar 100% de nossos esforços para abater toda a dívida do financiamento ou podemos começar a investir aos poucos (depois de um colchão de segurança)?
Obrigado.
Resposta:
Bom dia Daniel,
Realmente, o financiamento imobiliário pode ser encarado, muitas vezes, de uma forma diferente dos outros empréstimos/dívidas já abordados aqui no site. A sua situação, muito provavelmente, seja diferente da apresentada em outro “Pergunte ao Pai Rico”, com uma dúvida da Maíza.
O principal motivo ? A taxa de juros aplicada ao empréstimo/financiamento/dívida. 😉
Como já falei, na imensa maioria dos casos, é mais vantajoso você usar o dinheiro extra para abater/quitar uma dívida já existe. Afinal de contas será muito difícil encontrar um investimento que te renda o valor equivalente ao aplicado no empréstimo. Normalmente a taxa do empréstimo é bem superior ao do seu investimento.
E é ai que o financiamento imobiliário pode diferenciar. Por exemplo, tenho um que é corrigido em 8,5% + TR anualmente. A TR está próxima de 1,5% ao ano, portanto o meu financiamento é atualizado em 10% ao ano. Um investimento em renda fixa que me renda 12% ao ano (já tirando o IR), não valerá a pena ? 🙂
A regra permanece sendo a mesma: se você consegue obter uma aplicação que te renda mais do que é pago de juros no empréstimo, o adiamento na quitação é válido. Se não consegue, adiantar o máximo possível é a melhor alternativa.
Claro, existe aquela pressão para que acabemos o mais breve possível com aquela conta mensal, que incomoda tanto, que encerremos o financiamento para que o imóvel seja 100% nosso … Mas se o lado financeiro da coisa foi levado em consideração, a conta precisa ser feita e só depois a decisão pode ser tomada.
Infelizmente esse pode não ser o seu caso, pode ser que a sua taxa seja mais alta e que ao fazer as contas a antecipação se mostre mais vantajosa … Somente a comparação entre custos e rendimentos é que mostrará qual será a melhor alternativa. E como é apenas uma simulação, fazer contas “por cima” acaba facilitando as coisas.
E de novo: a briga entre o bolso e a satisfação de quitar o empréstimo será grande. A tentação então … nem se fala !! 😀
Espero ter lhe ajudado !
Abraços !