A controversa estratégia que envolve o uso de opções para se proteger das quedas
Pergunta:
Uma certa consultoria independente tem recomendado o uso de compra de puts como hedge para a carteira de investimentos e fiquei curioso sobre o assunto.
A ideia é comprar opções de venda bem fora do dinheiro, com vencimento para mais de 4 meses, que vão estar com um valor de negociação baixo, na casa de centavos e caso ocorra algum evento negativo inesperado estas opções valorizariam muito, compensando um possível prejuízo em sua carteira. Conhece este tipo de operação? Ela é realmente viável? Mesmo aqui no Brasil em que há pouca negociação de opções?
Resposta:
Bom dia Israel,
Sim, a sua descrição em relação ao funcionamento da estratégia está correta e é exatamente este: você tem uma carteira de ações, que visa obter lucro no longo prazo ao pressupor que estejamos navegando em uma tendência de alta e que já conta com um desempenho bem interessante nos últimos tempos. Você vem surfando a onda até então disponível, mas começa a aventar a possibilidade de que ela, talvez, esteja perto do fim.
O que fazer ? Vender a carteira e embolsar o lucro até então auferido, na expectativa de que a correção realmente ocorra e que você possa vir a recomprar suas ações por um preço mais baixo ? Mas e se a correção “esperada” não ocorrer …?
A ideia por detrás da estratégia apresentada pela Empiricus foi justamente a de oferecer uma alternativa que possa proteger sua carteira contra uma possível queda mais acentuada das cotações, mas sem afastá-lo do mercado e permitindo aproveitar a maré enquanto ela ai estiver.
Claro … tudo tem um custo. Tudo tem seus prós … Tudo tem seus contras …
Antes de mais nada, a estratégia sugerida por eles nada mais é do que um exemplo de uso da estratégia Barbell sugerida por Nassim Taleb (autor de A lógica do Cisne Negro e Antifrágil). Indico que você leia o post “O que seria o barbell de Taleb ?” onde tendo detalhar, simplificadamente, a lógica, o funcionamento dela.
Mas o resumo resumido seria: a estratégia tira proveito de eventos raros e de maior proporção.
No caso da estratégia sugerida pela Empiricus, você deveria destinar parte do ganho obtido nos últimos meses para a compra de opções de venda (PUT). Elas se beneficiam (se valorizam) com movimentos baixistas e quanto maior for a queda, maior será o lucro obtido nesta compra.
Detalhe importante: P-A-R-T-E do lucro obtido até então. Foi sugerido que a alocação máxima na estratégia fosse equivalente a 2% ou 3% da carteira. Sim, apenas 2% ou 3% de todo o seu patrimônio alocado em seus investimentos. Sim, 3 ou 4 meses de rendimento de sua aplicação básica na renda fixa … 🙂
A ideia, como você nos apresentou, é comprar opções do tipo PUT de determinadas ações (em sua maioria foram sugeridas das ações mais líquidas da Bovespa) de um vencimento futuro, 4 ou 5 meses seria um bom alvo, com um strike (alvo, valor de exercício ou como preferir chamar …) relativamente distante da cotação atual, visando obter um belo lucro no caso de um evento mais profundo do mercado. A única “correção” que faço da sua descrição é em relação ao preço de compra. Em alguns casos foram sugeridas opções de poucos centavos. Em outros, de poucos reais … Tudo depende de uma série de fatores. 😉
O fator principal era o tempo e o strike.
E no que deu … ?
Muita gente olhou atravessado para a sugestão dada por eles. Afinal de contas, o investidor precisaria abrir mão de uma parte do lucro e “apostar” na ideia. Mas a pior parte … precisaria comprar opções. Opções … ? Coisa do DEMOOOOOO …